Amrik - Ana Miranda

Sinopse: No final do século XIX, muitos cristãos libaneses pobres emigraram para a América - Amrik, em libanês. Mas nada era simples. ´Os libaneses saíam do Líbano, pensavam que estavam indo para a América do Norte [...] e desembarcavam na América do Sul. Quando iam reclamar que estavam na América errada, o estafeta dizia: ´Tudo é América!´ ´ A São Paulo do final do século passado retratada pelos olhos de uma dessas imigrantes - a bela Amina, dançarina ´dona de um narizinho de serpent of the Nile´ -, na prosa de uma de nossas mais talentosas escritoras. (Skoob)
MIRANDA, Ana. Amrik. Companhia das Letras: 2011. 208 p.

Amrik - América para os Libaneses - é narrado por Amina, que conta as dificuldades que teve, como imigrante, ao chegar no Brasil ao final do século XIX.

A história começa no Jardim da Luz, em São Paulo, quando Naim, tio da dançarina Amina, pergunta se ela aceita se casar com o mascate Abraão. E essa pergunta a faz se lembrar de toda a sua vida, desde a infância na aldeia do Líbano, com seu pai e seus irmãos, sua avó Farida que tanto amor lhe deu e que foi como uma mãe, já que a sua fugiu quando ainda era menina.

Amina se lembra de como o pai não gostava dela, a única filha mulher, pois para ele mulheres só existiam para fazer os homens sofrerem. Lembra-se de quando tio Naim pediu para que algum dos filhos fosse para a América com ele, e o pai a mandou embarcar no navio, deixando tudo o que conhecia para trás. E é entre todas essas, e também outras lembranças, que Amina vai nos contando sua história.

"Eu pensava que o Brasil era um lugar de abismos e depósito de imigrantes cachorros mortos que não conseguiam entrar na outra América, Brasil era um lugar de fracos, mercadores persas chineses tomadores de ópio negros africanos com cigarros saindo fumaça na orelha, insetos e charcos e enchentes e uma cruz no céu para mim queria dizer morte, crucificação de Jesus e o nosso sofrimento ia ser ali debaixo da cruz como Jesus sofreu na cruz, no Brasil havia padre demais e religião cada uma tão tola que nem brigavam por elas, pobreza, gente deitada nas ruas, jumentos zurrando na sombra das árvores [...]"

Achei a linguagem utilizada no livro bastante difícil, já que a autora tenta passar a idéia de que aquilo que está escrito é o que se passa na cabeça de Amina, seus pensamentos, e isso resulta em um texto desconexo, sem pontuação e que mistura diversas idéias em uma mesma "frase", além dos vários vocábulos árabes e expressões como "halalakala" inseridos entre palavras em português. O quote que coloquei acima já mostra um pouco como o texto está estruturado. É claro que essa "bagunça" foi elaborada para desempenhar uma determinada função, e observei que esta se assemelha à do livro Macunaíma (quem já leu ou tentou ler entenderá bem o que quero dizer), exceto pelo lado fantástico exorbitante deste último. Coloquei a palavra "frase" entre aspas porque cada capítulo é constituído de apenas um bloco, sem separações entre frases. O que facilita, neste caso, é que cada página representa um capítulo.

Assim que me acostumei com a forma escrita da obra, a leitura se tornou bem agradável, pois foi possível observar um pouco mais sobre a organização social do Brasil com a chegada dos imigrantes, o legado e a cultura de outros imigrantes que não alemães e italianos. Outro detalhe interessante, é que, até ler o livro, acreditava que os turcos e libaneses eram islamitas, mas me enganei terrivelmente. É claro que existem turcos e libaneses islamitas, mas há também cristãos, e Amina era cristã.

Durante a passagem do tempo, na história, percebe-se a mudança no perfil de Amina, de menina para mulher, a malícia que passa a assomá-la, as paixões que tomam seu coração, a alteração de seus objetos de desejo e suas tristezas. E, o que mais gostei, foi da inteligência ignorante de Amina, a criatividade que ela possuía, e as piadinhas de turco que me divertiram muito.

Não recomendaria essa leitura para quem quer apenas lazer, pois é um texto sem grandes atrativos e que pode se tornar cansativo para aqueles que não estão preparados para uma história mais monótona. Mas para aqueles que querem conhecer um pouco mais das histórias que complementam nosso país, com certeza vale a pena.

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Perseguição Digital - Loraine Pivatto

Sinopse: Em Perseguição Digital, Joana vive o doloroso processo de reconstrução emocional, após o rompimento inesperado de uma relação afetiva. Muito abalada pela dor da rejeição e sem encontrar nenhuma explicação convincente para a atitude de seu amado, ela resolve virar o jogo, deixando de ser uma espectadora impotente e passando a tomar o controle da situação. Esperta e ardilosa, age como uma verdadeira 007 de saias, utilizando a tecnologia e o conhecimento computacional como valiosos aliados para rastrear os passos de Fernando. E assim, a cada nova descoberta, vai desvendando os mistérios e obtendo as tão esperadas respostas às perguntas que a atormentam. (Skoob)

Fazia três meses que Joana viu Fernando sair pela porta de casa. Ele a havia abandonado sem o menor remorso, sem nenhuma satisfação. E, para ela, aquilo não fazia nenhum sentido, já que até então tudo parecia tão bem entre eles... E o tempo não parecia estar curando tudo, como dizem.

Quem nunca sofreu por amor? Há uma fórmula para superar isso? E se você não quiser exatamente superar?

Joana encontrou sua fórmula. Por meios nem tão lícitos ou éticos, ela encontrou uma forma de estar perto de seu amor. Seria mesmo tão errado olhar - e apagar - recados da caixa postal? Ler o e-mail de Fernando e, às vezes - por que não? - responder por ele? Ela só queria entender por que ele estava agindo daquela forma, por que não dizia ao menos o que aconteceu para mudar tanto.

A perseguição silenciosa não era, entretanto, tão benéfica para Joana. Saber cada detalhe do dia-a-dia do homem que amava, inclusive aqueles que mulher nenhuma gostaria de saber, a fazia sofrer cada vez mais. Mas era impossível deixar de perceber o amor e o desejo no olhar de Fernando cada vez que se encontravam. E, entre tudo, isso era o que mais a deixava confusa.

"Joana lembrava de todos os detalhes e palavras ditas naquela noite. Lembrava de todas as vírgulas, olhares e suspiros.
'Joana, tente aceitar. O nosso amor acabou. Não há mais sintonia entre nós. Eu não me sinto feliz, preciso de uma nova vida, conhecer outras pessoas, sinto-me sufocado ao seu lado.'
Como posso aceitar isso? Como acabou? Para mim nada acabou. Tudo continua no mesmo lugar de sempre, meu sentimento por ele é o mesmo, ou melhor, é a cada dia maior, é tão grande que quase nem cabe dentro de mim. Como ele pôde falar do nosso amor assim, com tanto descaso, como se fosse um sapato velho que você usa até furar a sola e depois joga no lixo, vai na loja e compra outro?" (Pág. 15)

Desde que li a sinopse do livro, me encantei pela história. Era realmente uma trama bem diferente de tudo que eu já tinha lido, e minha curiosidade ficou aguçadíssima. Mesmo assim, fiquei muito surpresa - de forma positiva, claro - quando me vi completamente absorvida e presa pelo livro. Não significa que tenha me identificado pelos personagens, mas os compreendi, e isso foi mais que o suficiente.

No início do livro, Joana se sente vazia. Mesmo após três meses sozinha, não é menor a falta que sente de Fernando. Cada respiração sem ele parece um tormento sem fim, e isso vai fazendo com que ela perca qualquer noção de realidade. Eu a definiria, neste momento, como surtada, o que percebi logo na primeira cena. E toda essa tristeza acabou com qualquer resquício que poderia ter de amor próprio. Joana implorava por Fernando a cada encontro, e só não digo que se humilhava pois ele acabava correspondendo.

Mesmo com suas atitudes singulares, foi impossível não imergir na montanha russa emocional de Joana. Chorei e ri com ela, amei e odiei. Não concordava com o fato de ela correr tanto atrás do Fernando, ou ainda de não se importar com os erros que ele cometeu, querendo apenas tê-lo ao seu lado. Sentia que ela estava se anulando, independente das razões que tinha para achar que ele ainda a amava. Percebi como é tênue a linha entre determinação e obsessão, e a personagem ora estava de um lado, ora de outro.

Eu odiei e amei Fernando. Não há como explicar isso, mas é mais ou menos como amar alguém que nos faz sofrer. Gostei muito também do fato de ter sido abordado o tema adoção, principalmente quando se refere a crianças mais crescidas.

A linguagem utilizada por Loraine não tem nada de sofisticada e é, por vezes, até mesmo coloquial, o que não reduziu em nada a riqueza do texto. Apesar de ter lido algumas críticas nas resenhas do skoob, eu gostei muito do fato de a autora intercalar as narrações em primeira e terceira pessoa. Essa ferramenta nos permite visualizar o que todos os personagens pensam de suas vivências, mesmo que a narrativa tenha Joana como foco principal. Outro ponto que me agradou foram os títulos dos capítulos, que brincam com os ditados populares os inserindo em perspectivas da informática.

É uma história bela, que vale muito a leitura. Só tenho a agradecer à Loraine que me disponibilizou seu livro. Fiquei encantada com o trabalho da autora, desejo mais e mais sucesso daqui para frente.

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A Terra das Sombras - Meg Cabot

Fonte da Imagem: O blog da Mari
Sinopse: Falar com um fantasma pode ser assustador. Ter a habilidade de se comunicar com todos, então, é de arrepiar qualquer um. A jovem Suzannah seria uma adolescente novaiorquina comum, com seu indefectível casaco de couro, botas de combate e humor cáustico, se não fosse por um pequeno detalhe. Ela conversa com mortos. Todos eles. Qualquer um. Ela é uma mediadora, em termos místicos, uma pessoa cuja missão é ajudar almas penadas a descansar em paz. Um dom nada bem-vindo e que a deixa em apuros com mãe e professores. Como convencê-los da inocência nas travessuras provocadas por assombrações? Essa é a emocionante trama de A mediadora série best seller de Meg Cabot, que ganha nova capa.
Em A TERRA DAS SOMBRAS, primeiro volume da série, Cabot apresenta a vida desta mediadora divertida, que tem certa ojeriza a prédios antigos — quanto mais velho um edifício maiores as probabilidades de alguém ter morrido dentro dele —, um pai-fantasma nada ausente e uma nova família, que inclui um pai adotivo e três irmãos postiços. A história começa com a mudança de Suzannah para a ensolarada Califórnia e, para seu desespero, uma casa do século passado. Assombrada, claro. Só que por um fantasma bonitão, que nada faz para assustá-la. Muito pelo contrário.
Os problemas de Suzannah, porém, não estão só no lar, mas também na escola. Lá, o espírito de uma garota, que se matou por causa do namorado, ameaça a segurança de todos. Só Suzannah com suas habilidades e poderes especiais pode salvar seus amigos e professores da fúria terrível de uma assombração com grandes poderes... (Skoob)

Claro que eu sempre adorei tudo que li da Meg Cabot. Mesmo assim, não estava preparada para gostar tanto do primeiro livro da série A Mediadora, publicado pela editora Galera Record. A Terra das Sombras é uma mistura de tudo aquilo que gosto: leveza, mistério, romance, aventura.

Suzannah até parece uma garota normal. Mas o fato de ela estar sempre  falando sozinha, arrumando confusões e causando estragos por onde passa comprova que isso não é bem verdade. O maior problema nisso é que ela normalmente não tem culpa. Mas quem acreditaria? Essas são as consequências para quem vê e fala com fantasmas.

"Ele me olhou fixamente com seus olhos negros e úmidos. E perguntou, com uma voz rouca por falta de uso:
- Que quer dizer... bateu as botas?
Não pude deixar de revirar os olhos de impaciência. E traduzi:
- Esticou as canelas. Dobrou o Cabo da Boa Esperança. Foi desta para melhor.
Quando vi por sua expressão de perplexidade que ele continuava sem entender, finalmente eu disse, algo exasperada:
- Morreu.
- Ah - fez ele - Morri."

Suze, como é normalmente chamada, já se acostumou a ser a esquisita do colégio, e não espera muito mais que isso ao se mudar com sua mãe, que se casou há pouco tempo, para a Califórnia. Com o dom que recebeu, de ajudar os mortos a encontrarem o caminho para o outro mundo, Suze é uma Mediadora. Mesmo assim, ela não esperava encontrar um fantasma tão charmoso em seu novo quarto e, principalmente, ter de lidar com uma namorada ciumenta que se suicidou por ter sido abandonada pelo garoto que amava, e que agora pretende levá-lo para junto dela.

Dessa vez, ela não precisa enfrentar tudo isso sozinha. Agora ela sabe que existe outros como ela. Padre Dom, diretor do colégio onde foi matriculada, é um deles, utilizando, contudo, metódos bem diferentes.

E pela primeira vez, por incrível que pareça, o dom de Suzannah a faz se tornar popular no colégio logo no primeiro dia de aula. Pela primeira vez, também, ela se sente parte de alguma coisa. Isso, entretanto, não representa menos problemas e desafios.

A história do livro talvez nem seja tão inovadora assim, mas a escrita simples e fácil da Meg, junto com o fluxo de informações perfeito que ela cria para dar ritmo ao texto, torna o livro impossível de largar. Isso, sem contar com os personagens, que são carismáticos ao extremo, apaixonantes, divertidos, ricos. Encantei-me com cada um deles, inclusive com a louca da Heather, com o fofo do David, com a Cee Cee e o Adam. Padro Dom é o tipo de pessoa que eu adoraria conhecer, com sua paciência infinita.

E o Jesse. Ah, o Jesse. Jesse é aquele típico cavalheiro que toda a mulher sonha encontrar. Sabe se impor, não é um homem fraco, mas sabe os limites que tem, e tem respeito. E eu nunca pensei que algumas palavras em espanhol pudessem fazer um personagem tão charmoso. Suspirava cada vez que ele chamava Suze de "mi hermosa". Talvez só tivesse um detalhe não tão bom sobre ele...

Em relação à história, não se pode falar muito mais, pois qualquer detalhe que eu adicione pode ser spoiler. Só posso dizer que a trama foi muito bem montada e faz todo o sentido no contexto criado por Meg. A história teve um desfecho nesse livro, mas deixou no ar a probabilidade de problemas que podem ressurgir.

A edição que tenho é da Saraiva vira-vira, que eu recomendo muito. São raríssimos os erros, o preço é menor, além de ser bem levinho para carregar na bolsa.

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Chama Imortal - Valentine Cirano

Sinopse: Por quanto tempo perdura um verdadeiro amor? O tempo pode apagar a chama ardente da paixão?
O belo romance “Chama Imortal” mostra que o verdadeiro amor, não somente permanece por uma vida, mas dura para sempre, através de uma bela ficção.
A autora narra a estória de um casal (Nivar e Lohanna) que encontrará no transcorrer da vida a maior recompensa de nossa temporal existência, a saber, o amor. Afinal, o verdadeiro amor transpõe os liames da existência humana, se perpetuando por gerações na eternidade.
Nem o tempo, nem a distância, podem apagar a Chama Imortal da paixão.
O romance mais belo de 2010, que tem levado vários leitores a uma reflexão sobre os limites do verdadeiro amor.
Conheça a saga dos guerreiros imortal, uma grande aventura cheia de romantismo, encanto e magia que vai te conquistar.(Skoob)
 CIRANO, Valentine. Chama Imortal. Reflexão: 2010. 340 p.

Em 2223 a.C., um velho homem, com alma de guerreiro, resolveu procurar entre o povo as melhores crianças, as quais treinaria para serem grandes guerreiros a defender sua terra. Escolhidas oito entre todas, foram levadas para o deserto e criadas como filhos de Habis.

Lohanna, a única garota entre os guerreiros, se apaixonou cedo por Nivar, o mais nobre dentre estes. Nivar, que logo viu-se retribuindo ao amor da garota, pediu-a em casamento, permitindo a ambos viver uma felicidade inimaginável.

Essa felicidade, entretando, não durou muito tempo. Lohanna, após descobrir a possibilidade de tornar-se imortal, não sentia-se mais satisfeita com o que tinha; acreditava não estar pronta para a morte, e que a imortalidade valeria se tivesse Nivar sempre ao seu lado.

Marido e mulher partiram juntos em busca dessa dádiva, e a alcançaram. Havia, contudo, um preço: se permanecessem juntos, morreriam, ficando condenados a vagar pelo mundo, vendo todos aqueles que gostavam partirem, sem que pudessem viver seu amor.

A história criada por Valentine Cirano é bastante interessante, e a forma como ela inseriu os personagens nas passagens dos séculos, com os detalhes de cada fase histórica, foi muito bem montado. A capa do livro é linda, mesmo sem orelhas, e os capítulos são pequenos, o que ajuda no momento da leitura. A divisão dos capítulos possui a mesma imagem da capa, em preto e branco, o que deu um toque todo especial.

Há, entretanto, alguns aspectos que poderiam ter sido melhor elaborados, e trariam maior atratividade à obra. Uma característica marcante, durante todo o livro, é a utilização de mesmas palavras e expressões repetidas vezes durante a história, o que nem sempre é agradável, mas que substituídas por sinônimos ou frases similares poderiam inclusive enriquecer o texto. Durante a trama, também senti que algumas passagens foram narradas de forma superficial, com pouca descrição; para isso, acredito que poderiam existir mais cenas contando sobre como aconteceu o amor de Lohanna e Nivar, cenas da intimidade dos dois, para que pudéssemos nos identificar mais com o casal.

Em relação aos personagens, Nivar era virtuoso até demais, pois mesmo amando Lohanna como amava, aceitou ser abandonado tantas vezes sem que isso mudasse o que sentia pela mulher. Lohanna, entretanto, conseguiu rigozijar-se com a imortalidade mesmo sabendo que não poderia ficar ao lado de seu marido, e aceitou com muita sobriedade o castigo que recebeu, principalmente sendo culpa sua. A personagem também me deixou irritada com o passar do tempo, pois mesmo depois de séculos de solidão, via por única opção continuar vivendo daquela forma vazia.

Mas são exatamente esses detalhes que me levaram a avaliar as concepções não explícitas na obra de Valentine. Até que ponto somos egoístas, ao trocarmos a felicidade por coisas vazias e fúteis? A imortalidade, vista como "normal" ou até como um "felizes para sempre" em muitos dos livros que lemos, valeria mesmo a pena? E as consequências que isso traz para a vida? E as pessoas que veríamos passar por nós, por nossa história, como se fossem árvores nos canteiros da estrada, mas que logo ficam para trás? Sei que é uma analogia tola, mas fiquei imaginando como será que a Bella, da saga Crepúsculo, se sentiria após o primeiro século como vampira. E quanto à eternidade?

E foi com essas e tantas outras questões, para mim mesma, que terminei de ler este livro. Encontrei alguns erros de digitação e português, alguns que poderiam até passar despercebidos a um olhar menos atento. Agradeço muito à Valentine Cirano, que propôs parceria ao blog e me permitiu conhecer seu trabalho.

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Despertada - P.C. Cast e Kristin Cast

Sinopse: No oitavo livro da série House of Night, Zoey voltou ao seu lugar de direito como Alta Sacerdotisa da Morada da Noite. Seus amigos estão contentes apenas por ter ela de volta, mas depois de perder seu consorte humano, Heath, sua relação com Stark será mesma? Stevie Rae está ainda mais perto de Rephaim, mas é um segredo perigoso que a isolara de sua escola, de seus calouros vermelhos e até mesmo de seus melhores amigos. Enquanto a sombria ameaça de Neferet que está chegando mais perto e mais perto de alcançar seu objetivo da imortalidade e o retorno de Kalona
O que será preciso para manter a House of Night de ser perdida para sempre, uma Zoey desesperada para manter seu coração de ser irremediavelmente quebrado? (Skoob)
 CAST, P. C. CAST, Kristin. Despertada. House of Night #8. Novo Século: 2011. 320 p.

Despertada é o oitavo livro da série House of Night, publicado pela editora Novo Século. Talvez haja spoiler para quem não leu os últimos livros.

Zoey conseguiu reconstituir sua alma e voltar do mundo do além junto a seu guerreiro. Agora, Kalona, por não ter cumprido seu juramento, deve subserviência de sua alma à Neferet. E é claro que o imortal não está satisfeito de ter que obedecer a quem quer que seja.

Os planos de Neferet são cada vez mais obscuros, mas Zoey não se sente preparada para sair da ilha de Sgiach e voltar a enfrentar o mal. Ela nem mesmo tem vontade para fazer isso.

"- Você quer dizer que posso ficar aqui?
- Pelo tempo que você quiser. Eu sei o que é sentir que o mundo pressiona demais à sua volta. Aqui, como você disse, o mundo só pode entrar sob as minhas ordens. E eu, na maioria das vezes, ordeno que ele fique lá fora.
- E em relação à luta contra o mal e as Trevas e não sei o que mais?
- Isso vai estar lá quando você voltar.
- Uau. Sério?
- Sério. [...] Sua consciência vai dizer a hora de voltar para o seu mundo e para a sua vida lá fora." (Pág. 30)

E o que espera Zoey não é muito mais fácil do que o que ela deixou para trás. Pelo contrário. Stevie Rae ainda tem segredos sombrios, e coisas ainda mais estranhas vêm acontecendo com ela. Em razão desses segredos, Kramisha escreve alguns poemas que não entende, mas que podem influenciar na luta contra as Trevas. E como se não bastasse tantos os outros detalhes negativos que o grupo de amigos de Zoey vem enfrentando, Neferet saiu ilesa perante o Conselho Supremo dos Vampiros, retomando seu posto como Grande Sacerdotisa da Morada da Noite. E por causa dela, um acontecimento terrível enfim traz Zoey de volta para defender o lugar que conhece como lar.

Não é possível definir exatamente até que parte do livro é spoiler, então me ative a contar poucos detalhes. A história da série vai totalmente além de qualquer explicação racional, mesmo porque fala sobre muita magia e uma deusa muito presente, mas não sei até que ponto isso é positivo. A cada livro, são  apresentados tantos fatos novos que a história já perdeu aquela base inicial que sustentaria a trama. Como já comentei outra vez, é uma completa viagem e, felizmente, isso ainda tem me deixado satisfeita para continuar a ler a história.

Alguns pontos foram resolvidos nesse livro, mas tantas outras interrogações foram inseridas que acredito que serão necessários muitos mais livros para solucioná-las. Alguns acontecimentos bem tristes pontuaram a história, o que não considerei como um ponto negativo, embora isso signifique problemas novos a serem resolvidos. Outros acontecimentos, como a permissão de Kalona para Rephaim, simplesmente não fizeram sentido, mas espero que isso seja respondido na continuação.

Enfim, a Zoey quase se comportou, mas talvez por que só tivesse Stark como opção. E sobre Stark, que foi um ótimo companheiro para ela neste livro, há alguns mistérios bem perigosos a serem desvendados. Além disso, o retorno de um outro personagem do mundo do além pode trazer diversas surpresas, que só saberemos nos próximos livros.

Gostei da leitura, mas com certeza existem livros melhores, mesmo se forem considerados apenas os dessa série.

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