Conjuntando #10: Novo Início

É, final de ano chegou. E eu, como boa emotiva que sou, não poderia deixar de falar um pouquinho sobre isso, pois é exatamente nessa época que minhas emoções mais afloram e não é raro me ver com lágrimas nos olhos.

Isso porque tudo inspira amor, já perceberam? Solidariedade também, e isso me faz ter muito mais esperança no ser humano. Perceber que nem tudo é tristeza, sofrimento, isolamento e solidão. Estamos todos juntos e, por mais que alguns se sintam mais poderosos que outros, seja por dinheiro ou qualquer outra coisa, todos somos iguais. Todos ficamos doentes e todos estamos sob a possibilidade de deixar essa vida.

Dessa forma, não há no ano época melhor para avaliar os prós e contras de cada atitude e decisões que tomamos, reavaliarmos aquilo que realmente queremos para nós e o que nos faz ou não bem. E ao colocar na balança o que realmente vale, podemos começar a escrever um novo capítulo de nossa história, mais belo que o anterior. E não apenas mais belo para nós mesmos, mas mais belo para aqueles que vivem ao nosso redor, com paciência, sendo solidários e tratando todos, sempre, com muito respeito. Gestos simples, mas que nem sempre são lembrados.


Aproveito para agradecer a todos por esse ano tão maravilhoso, pelos amigos que conheci na blogosfera e pelas coisas boas que acompanhei por aqui. Desejo a todos um feliz natal e um ótimo começo de ano novo.

Amanhã estarei saindo de férias, e ficarei fora até a segunda semana de janeiro. Para o blog não ficar às moscas, deixei algumas atualizações prontas, e responderei a todas as visitas assim que possível, ok?

Um grande beijo, Julia.

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Tesouro Secreto - Nora Roberts

Sinopse: Rica e linda, Whitney MacAllister gosta de carros velozes, clássicos do cinema e homens perigosos. Mas até mesmo essa entediada socialite do jet set de Manhattan é tomada de surpresa e pavor quando um estranho homem de jaqueta de couro preta sequestra seu Mercedes… pouco antes de as balas começarem a voar.
O ladrão de joias Douglas Lord se habituou a levar a vida fugindo. Parte da atração da profissão escolhida é a emoção da caça. Mas ele tem uma regra inviolável: sempre trabalhar sozinho. Até agora. Ferido e desesperadamente necessitado de dinheiro vivo para o que talvez seja a coroação máxima de sua carreira estonteante, Doug aceita com relutância a rica e bem-relacionada Whitney como nova parceira no crime.
Com os jornais estampando manchetes sobre a herdeira desaparecida de Nova York e uma gangue de criminosos no seu encalço, os dois partem para a sufocante floresta de Madagascar em busca de um tesouro fabuloso que remonta à Revolução Francesa.
Para Whitney, o que havia começado com uma aventura em alta velocidade se tornou uma corrida entre a vida e a morte ao tentar despistar um bando de assassinos cruéis que eliminam friamente quem aparece pelo caminho. Para Doug, que fora traído além da conta, é uma chance de pegar o fugidio pote de ouro e talvez uma última tentativa de redenção. Para ambos, trata-se de uma exótica busca de sentido — e a entrega a uma paixão irresistível vale qualquer risco — enquanto participam de um mortal jogo de apostas elevadas até a apavorante conclusão, que pode não ter vencedores nem perdedores. Nem sobreviventes. (Skoob)
ROBERTS, Nora. Tesouro Secreto. Bertrand Brasil, 2009. 364 p.

Withney MacAllister estava entediada. Acabara de chegar de Paris, mas aquela sensação incômoda não tinha sido solucionada. Dinheiro não faltava, já que era herdeira de um império multimilionário. Mas as festas, viagens e compras já não a preenchiam. Ela pensava em tudo isso enquanto dirigia do aeroporto até sua casa e não fazia idéia de como as coisas estavam prestes a mudar.

Douglas Lord corria pela cidade, fugindo dos brutamontes que o queriam morto. Escondia-se como podia, disfarçava-se entre pessoas e lugares, mas não importava onde fosse, mesmo naquela cidade movimentada, eles sempre o encontravam. Estava a todo o momento apenas segundos na frente deles e, por enquanto, isso bastava. Até que a viu parada no semáforo. Talvez fosse sua única chance. Quando Doug embarcou no carro de Withney, fingindo carregar uma arma, ela não reagiu como ele imaginava que reagiria. Os instintos só se puseram em ação quando as balas começaram a perfurar o carro dela.

E quando esse encontro inusitado une um ladrão de jóias e uma patricinha de Manhattan, já se poderia prever muita confusão. Envoltos em uma aura de aventura, sedução, desejo e perigo, ambos partem juntos para Madagascar em busca de um tesouro de inestimável valor financeiro e histórico.

Depois da leitura de Virtude Indecente, Tesouro Secreto, de Nora Roberts, foi para mim uma deliciosa surpresa. Mantendo todos os detalhes positivos da outra obra, nessa, a autora insere mais ação, mais aventura e um romance ainda mais irresistível e caliente. O tipo de escrita é o mesmo: a narração intercala visões de cada personagem e uma visão externa, o que possibilita sermos "imparciais", mas compreender o que se passa na cabeça de cada um. Por esse motivo, podemos perceber que Withney, mesmo parecendo uma patricinha fútil e mimada, tem muita consciência dos reais valores da vida, e que Doug, sendo um ladrão, tem muito mais boa índole do que muitas pessoas "honestas".

O casal é totalmente improvável, e é exatamente isso que os torna mais ousados e atraentes na história. A birra mútua, as frases rápidas e provocadoras, o jogo de sedução, torna a história muito interessante, mas são os personagens que caem em suas próprias armadilhas. É a desavença que existe entre eles que dá o tempero ao livro.

Outro detalhe interessante na leitura foi imaginar o cenário onde se encontravam: Madagascar. Os cheiros, as frutas, as cores. Ficava rindo sozinha imaginando os lêmures por todos os lados (e, claro, lembrando deles se remexendo muito no filme que leva o nome do país). A corrida frenética pela busca do tesouro ao mesmo tempo em que tentavam salvar suas vidas dá o toque de ação o tempo todo, impedindo que o livro fique cansativo.

Em comparação com o primeiro livro que li de Nora Roberts, Tesouro Secreto foi muito melhor, e já me deixou mais animada para continuar a ler os livros da autora. Ela manteve a mistura de gêneros (suspense, ação, romance) que tanto agrada e, mesmo um pouco clichê, conseguiu criar um enredo novo e encantador. Com certeza, recomendo.

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Destino Íntimo - Gisele Galindo

Sinopse: O que fazer quando o mundo acaba? Esta é a questão que permeia na mente das duvidosas vidas dos sobreviventes de uma catástrofe na Terra. Luna Santiago é uma moça comum até o momento em que se vê diante de um mundo caótico e situações totalmente inusitadas. Entre paixões, amores, poderes e aventuras, ela, com a ajuda das novas amizades, tentará encontrar o real motivo para o caos tanto no mundo externo quanto interno. Um livro distópico, onde prevalece a visão de Luna e suas descobertas. Tente desvendar esse mistério na companhia dela, Leonardo, André e dos demais sobreviventes de Destino Íntimo, livro 1.
Você seria um deles? (Skoob)
GALINDO, Gisele. Destino Íntimo: Uma jornada ao pulsar de um estranho. Literata, 2012. 258 p.

Depois de se dar conta que o amor da sua vida estava nos braços de outra – grávida – ela percebeu o quanto havia errado. Por causa do bebê, ele decidiu se casar com Betina e viver com ela todos os planos que os dois um dia haviam feito juntos. Percebera tarde demais o quanto Lipe significava para ela e se lamentava por isso, mas agora já não havia volta. Seguiria em frente e viveria como pudesse. Como qualquer garota que passa por problemas com pais, namorado e amigos, ela suportaria.

Quatro anos depois, em um dia que deveria ser como outro qualquer, ela percebe, ao acordar, que, a sua volta, restou apenas destruição. Nenhuma construção de pé, nem qualquer pessoa conhecida, nem uma única planta viva. O caos havia se instalado sobre a cidade, e tudo aquilo que fizera parte de sua vida já não existia mais. Apenas ela, sem saber por quê, sem um destino para onde ir, sem ter como fugir da desolação que se expandia dentro e fora de si. Nada de energia elétrica, nada de telefones, nem qualquer outra modernidade.

"De nada adianta gritar. Não existe ninguém para me ouvir ou responder. Tudo o que falo, berro é somente para mim. A impossibilidade de realmente deixar o ocorrido para trás dói tanto quanto o fato de ter perdido a todos que amo. É a morte rondando, perseguindo-me. O aroma cadavérico putrifica o ar. Uma ânsia grotesca invade meu infinito e um abismo se faz crescer diante dos pés. Sinto-me num labirinto, onde sou o centro que ninguém pode chegar ou resgatar. Será uma nova guerra? Um ataque alienígena? O fim do mundo? Alguma explicação tem de existir." (pág. 32)

Vagando sem rumo, ela decide ir ao encontro de Lipe, no Rio de Janeiro, onde agora ele morava. Mas, por qualquer cidade que passasse, a paisagem continuava a mesma: escombros e o cheiro de putrefação, com o qual ela já se acostumava. O homem, que acreditava ser o amor de sua vida, também não vivia mais.

Lutando para não desencontrar sua civilidade e sanidade, ela montou acampamento perto do mar, onde corria, cantava e dançava e, a fim de afugentar a tristeza e a solidão, estabeleceu uma rotina. Até que um rapaz aparece deitado sob sua “cama”. Após um breve momento de tensão, ele se apresenta como Léo e ela, como Luna. Juntos, partem em uma viagem aos quatro cantos do Brasil, tateando às cegas a nova realidade na qual se encontram, esbarrando com alguns poucos sobreviventes e descobrindo uma infinidade de poderes e desafios que agora os acompanham.

Destino Íntimo: uma jornada ao pulsar de um estranho, de Gisele Galindo, é energizante. A aventura, apesar de não nos deixar apreensivos, é tão cheia mistérios e ações que não há como não se envolver. O mundo novo e caótico que a autora criou nos deixa cheios de expectativas, querendo entender os “porquês” de tudo aquilo. A história é tão empolgante e frustrante ao mesmo tempo, que nos deixa com o coração na mão. A frustração, nesse caso, está longe de ser ruim; é ela que nos leva a querer mais, a buscar mais, e a chegar ao final totalmente embasbacados.

O primeiro livro da série Destino Íntimo é narrado, em sua maior parte, em primeira pessoa, por Luna, mas intercala narrações em terceira pessoa, mostrando o ponto de vista de outros personagens; essa variação pode ser confusa no começo, mas eu considerei ser um recurso genial utilizado pela autora. Entre os capítulos da história, aparece um ou outro mais fugaz, com pensamentos, percepções, idéias ou sonhos perdidos, que parecem sem nexo em meio a tantas outras coisas. E a idéia que Galindo vai implantando aos poucos em nosso entendimento nos deixa convictos do que se trata a história, o que, na verdade, nos deixa longe de estarmos preparados para aquele final. Por causa disso, quando cheguei ao epílogo, senti como se todo o ar tivesse sido aspirado de meus pulmões.

Senti falta de um pouco mais de individualidade em alguns dos personagens, algo que pudesse fazer com que me identificasse com eles, ou menos que pudesse identificá-los. Algumas das características não eram tão constantes, o que não me permitiu ter uma definição mais apropriada de suas personalidades. André, por exemplo, foi perfeitamente construído: seu jeitão irônico no início do livro, a verdade contida em suas palavras, e até os motivos da sua mudança, quando foi mostrada sua raiva cega; já Luna, tive minhas dúvidas: ela foi a garota rebelde, dando lugar à insegura, à forte, à decidida, ou misturando vários desses aspectos. Isso, porém, não reduz a qualidade da trama. O contexto é tão bem descrito que é possível compreendê-los e nos colocarmos em seus lugares, mesmo quando de suas variações, já que estão se redescobrindo e modificando.

O único ponto não tão positivo do livro foi que praticamente nenhuma das dúvidas que eu tinha foi sanada. Claro que, se não fosse assim, a maior parte do encanto do livro se perderia, pois tiraria o atrativo da possibilidade. Mas, poxa, agora terei que esperar pela continuação ainda mais ansiosamente.

Com uma escrita e criatividade impecáveis, junto à narrativa fluida e deliciosa, Gisele Galindo conquistou, com Destino Íntimo, mais uma fã. Uma história que ninguém pode deixar de conferir. Quem quiser conhecer um pouquinho mais, pode visitar o blog da série: http://seriedestinointimo.blogspot.com/












~~*~~*~~

P.s.: Hoje, amanhã e segunda estarei fazendo provas de vestibular. Se não aparecer por aqui, não estranhem ;)

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Conjuntando #9: Não me acordem, por favor



Ela falava de autoengano. Era para ser só mais uma palestra acadêmica, mas ela falou de gente, de sentimento, de mim e de todo mundo. Autoengano, sabe? Aquela história de adiantar o relógio cinco minutinhos para não se atrasar. Ou ouvir uma duvidosa proposta masculina e acreditar no velho “não vou fazer nada que você não queira”. Ou botar a culpa de suas falhas em algo externo, ou crer que o mundo é injusto e só lhe faltou a oportunidade certa. É uma inconsciente sabotagem da consciência para afastar a sensação de fracasso, é sua mente dando um materno tapinha no ombro e falando “você é a melhor, filha, os outros é que estão errados”.

Ela estalou os dedos na minha cara, tentando me acordar. Falou das automentiras que apaziguam o ego. Sim, o autoengano é cônjuge da autoestima. Desde o berço, somos adestradas a ouvir “quem é a menina mais linda do mundo?” e levantar os bracinhos. E o mundo desaba quando a princesinha do papai vai à escola e descobre que seu reinado está restrito ao portão de casa, que a Barbie da coleguinha é mais bonita e que a vida nem sempre é um torrão de açúcar. Mas vem a névoa etílica do autoengano e minimiza o mal estar.

Essa história toda me levou a reflexões ainda mais macambúzias. Lembrei dos meus professores mais brilhantes, amargos como bile. Pensei nos gênios da humanidade, todos loucos, suicidas, ermitões. E cheguei à indesejada conclusão, aquela que sempre quis evitar: ou se é muito inteligente ou muito feliz, nunca os dois ao mesmo tempo, impossível associar.

O intelectual não é alegre, o intelectual não joga o jogo do contente, o intelectual é blasé porque é intelectual. Entendam, falo do intelectual estereotipado, sim, uma burra generalização. O intelectual caminha só. As pessoas de horizonte estreito não conseguem viajar com ele. Não descodificam a mensagem, não interpretam os signos, não entendem as referências. Ao intelectual não lhe apetecem as pessoas rasas, por isso mergulha num isolamento cult, vira Robinson Crusoé da ilha da ilustração. Não há nada mais solitário que a rabugice da erudição.

A ignorância é uma algema de pelúcia. Prende, mas não machuca. Quando a visão é limitada, o desagradável permanece turvo. E se as sombras são falsas, meras projeções, ao menos entretêm. O conhecimento é denso, pesado como uma enciclopédia, tira a leveza da alma. Corta a embriaguez da alienação.

Às mentes muito afiadas talvez falte agudeza de espírito e simplicidade. Talvez falte a sabedoria de atribuir valor ao que realmente é valioso, de ver a grandeza do que aparenta ser pequeno. Talvez falte singeleza.

Chega, já tô ficando deprimida.

Pois bem, se assim for, se a senhora da palestra tiver razão, se tiver algum nexo a minha conclusão, escolho o conforto do não saber, a segurança dos olhos vendados. Quero viver um ignorante sorriso bobo, uma ilusão perpétua e um autoembuste infinito. Quero maquiar a feiura da vida e padecer até o fim dos meus dias do ingênuo complexo de Pollyanna. Não me acordem, por favor.



Texto de Luiza Nucada. Retirado do site da revista Naipe.

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