Um coração maior que o mundo - Chritian Figueiredo

Sinopse: Chris é um jovem de hábitos estranhos. Tímido e calado, não possui nenhuma rede social e ama ler os poetas que morreram jovens demais. Seu sonho? Ser escritor e, com a escrita, mudar a vida das pessoas. Morando numa cidade do interior, vê sua vida mudar por completo ao receber uma trágica notícia: sua mãe, Helena, precisa urgente de um transplante. Junto com a família, parte para São Paulo, em busca de um novo coração. Lily é uma garota paulistana que há muito tempo não sente seu coração acelerar. Cansada da vida que leva, nada mais é capaz de despertar seu interesse: roupas caras, seguidores nas redes sociais, amigos da high society e muito menos o curso de cinema que acabou de começar. Tudo parece ter perdido o brilho de uma hora pra outra. Um encontro inesperado, no parapeito de um prédio, mudará para sempre a vida destes dois personagens. (Skoob)
FIGUEIREDO, Christian. Um coração maior que o mundo. Editora Outro Planeta, 2017. 208 p.

Eu não sou fã de Christian Figueiredo, não gosto dos vídeos que ele faz, cheguei a dar uma lida nos livros baseados em sua vida e achei péssimos, mas com o lançamento de Um coração maior que o mundo, seu primeiro livro de ficção, eu precisa verificar qual a qualidade da obra.

Logo na primeira página, fiquei receoso, porque reparei que foi necessário o uso de um Preparador de Texto. Essa profissão se confunde um pouco com a do Revisor de Texto, e elas realmente são muito parecidas, mas o Preparador tem um objetivo mais extenso que o Revisor, uma vez que ele mexe no original, podendo modificar frases, parágrafos ou qualquer outra coisa que seja necessária para que a obra fique coesa e dentro dos preceitos da editora, mas sem alterar o significado e a ideia do autor. O trabalho do revisor é um pouco menos detalhista, uma vez que ele se debruça sobre correções gramaticais e ortográficas.

Bem, Um coração maior que o mundo é um conjunto de vários clichês que você encontra em livros e novelas. O garoto do interior pobre, cuja mãe tem um problema cardíaco, que se apaixona por uma garota rica que surge ao acaso na vida dele, os problemas com o ex-namorado e com a família pedante dela, até a resolução final. Na primeira página, você já sabe como vai acabar o romance e como a mãe dele será salva. Todos os acontecimentos são óbvios, e a narrativa é bem amadora, cheia de frases altruístas e positivas em destaque.

Entretanto, e agora vale você prestar atenção, Um coração maior que o mundo, apesar de sua obviedade, é um livro positivo, cheio de boas intensões, de alto astral, que passa várias mensagens de aprendizado e superação. Tudo bem que todas elas você já conhece, mas sempre é bom ter uma obra que insiste nelas. Por essas qualidades, coloco o livro de Figueiredo naquele lado da estante de livros que indico, principalmente para os leitores mais novos, com menos de catorze anos.

Um coração maior que o mundo é um perfeito exemplo de como se pode escrever algo para um público imenso que não costuma comprar livros e é fã de um youtuber, e que serve, realmente, de porta de entrada para a leitura. Ele não é uma aberração literária como Querido Dane-se, da Kéfera, ou um acidente demográfico cheio de falhas e incoerências como Traços, de Eduardo Cilto. Ambas as obras, com destaque para o livro da Kéfera, deseducam e passam valores péssimos para quem lê. Já Figueiredo, sozinho ou com a ajuda de alguém, conseguiu entregar um texto que educa, que demonstra como podemos ter altruísmo, podemos amar e sermos amados. Como, com estudo e persistência, podemos ter algo e sermos alguém de caráter e com respeito. Só por isso, já vale a compra, independentemente da quantidade de clichês e da escrita simplista.

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Amor de Todas as Formas - Tatiana Amaral, M. S. Fayes, Raiza Varella, JC Ponzi e Mila Wander

Sinopse: Não existe um jeito certo de amar nem a hora certa para o amor chegar. O amor pode aparecer no supermercado depois que a porta se fechar, que mal tem? Ou quem sabe aparecer através de uma forma pura, meiga e delicada como em uma linda dança de balé? Ao espiar por uma janela proibida, quem sabe você se depara com aquele garoto de olhos azuis que sonha? Você pode viver uma aventura deliciosa, mesmo não parecendo muito correta, e essa aventura aquecerá seu coração. O destino tem, sim, o poder de unir dois corações de caminhos opostos, afinal, no amor não existe impossível. Todo dia é dia de comemorar o amor. O importante é abrir o coração, sair do convencional, driblar as asperezas da vida, estar pronto para dar um fora na rotina e viver todos os dias uma grande paixão. Experimente o Amor… De Que Forma? Não importa! O Que Importa Mesmo É Se Entregar Ao Amor De Todas As Maneiras. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
AMARAL, Tatiana. FAYES, M.S. VARELLA, Raiza. PONZI, JC. WANDER, Mila. Amor de todas as formas. Editora Pandorga, 2017. 384 p.


Vou ser sincera ao dizer que não tinha a intenção de ler Amor de todas as formas logo que recebi o exemplar da Editora Pandorga, em especial porque ler um livro de contos nem sempre me anima. Mas, em um dia que eu estava longe do romance que estava lendo e com o Kindle por perto, comecei a ler o e-book despreocupadamente, com o intuito de ter uma leitura rápida que não fosse me influenciar a ficar longe do livro que já tinha começado, e quando percebi, estava completamente viciada em seus contos.

A obra é composta por cinco contos, cada um escrito por uma autora, todos eles com o tema amor e com histórias que se passam, em sua maioria, no dia dos namorados - época em que o livro foi lançado. Como são contos, são tramas rápidas e dinâmicas, todas envolventes e bem escritas, com amores de todas as formas. Alguns trazem personagens de outros livros, outros trazem enredos inovadores, mas, independente de quem são os protagonistas, acompanhar a história é sempre fácil, já que as autoras dão um breve deslumbre do que é necessário para compreender a trama.

O primeiro conto é Um Dia Para os Namorados, de Tatiana Amaral. Os personagens dessa história são Robert e Melissa, que protagonizam a série Função CEO, da mesma autora. No conto, os dois são casados há oito anos e, inevitavelmente, caíram na rotina, por isso Melissa está certa de que o marido tem uma amante. Depois de uma intensa história de amor, talvez o tempo deles como casal tenha chegado ao fim, mas tudo que eles precisam fazer é se redescobrir depois de tanto tempo. Ainda que eu não tenha lido os livros da trilogia, gostei de conhecer um pouquinho do casal, e não me senti nenhum um pouco perdida durante a leitura. A autora soube introduzir a vida dos dois o bastante para poder acompanhar a história. Não pareceu ser meu estilo de leitura, mas os comentários sobre a trama principal deixa uma curiosidade de conhecer os livros.

Pas de Deux, de M. S. Fayes, conta a história de Samantha, uma bailarina muito dedicada, que se vê diante de um desafio: fazer uma parceria com Adam, seu crush da vida. É uma história divertida e muito doce, com alguns devaneios bem engraçados por parte de Sammy, que narra o conto. No início achei a protagonista meio chata e reclamona, mas depois me afeiçoei mais a ela e consegui curtir a leitura.

O Garoto Que Desapareceu é escrito por Raiza Varella e também tem origem em outros livros da autora, da trilogia Encantados. Nesse conto, Vivian e Bernardo vivem um casamento cheio de amor, até que ela descobre uma caixa com sapatos femininos - de outra mulher - escondida dentro do armário do marido. Mesmo que queira se explicar, Bernardo sabe que contar a razão por que guardou os sapatos vai magoar a mulher e evita fazer isso a todo custo. A trama é fofa e no maior estilo conto de fadas atravessado. O que mais gostei foi a forma como os amigos sempre se metem um na vida do outro, dão opinião - doa a quem doer - e, principalmente, temem suas mulheres. É engraçado, um pouco dramático, e bem romântico.

JC Ponzi contribuiu com Amuleto, que narra o envolvimento entre Jodie Clarke, um cara que eu chamaria de mafioso, e Samantha, uma prostituta que acaba cruzando seu caminho de uma forma inusitada. Esse é o conto mais sombrio de todos, não assustador, mas traz uma carga mais pesada que os outros. O envolvimento dos protagonistas é totalmente fora do padrão, principalmente o modo como a fidelidade de Sam surge em relação a Jodie. Achei um pouco sádica a idolatria dela, mas compreendi. Os personagens também aparecem em Sob a face do poder, livro da autora publicado pela Ler Editorial.

Meu conto favorito foi Uma Louca Noite no Supermercado, de Mila Wander, por vários motivos. A história é totalmente impensável, mas divertida mesmo assim. Viviane e Nathan acabam presos  dentro de um supermercado depois do expediente, em uma noite de tempestade. Juntos, eles tentam encontrar uma forma de sair, mas percebem que é impossível, sem luz e sem linhas de telefone. Por conta disso, só lhes resta ficar na companhia um do outro até que tudo seja restabelecido, ou até o dia seguinte. Eu adorei a forma como a autora criou personagens livres e descompromissados, tanto em relação aos sentimentos quanto às ideologias. Os dois tinham tudo para criarem preconceitos um com o outro, mas suas cabeças abertas permitiram que eles simplesmente se conhecessem e se curtissem. Além disso, o romance deles foi moderno, positivo, para a frente. Simplesmente adorei.

Para os românticos de plantão que querem contos curtos e gostosos de ler, Amor de todas as formas é uma ótima opção de leitura. Também é uma ótima forma de matar as saudades de alguns personagens de outras séries, no caso dos contos de Tatiana Amaral, Raiza Varella e JC Ponzi.


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Promoção: Aniversário Um Oceano de Histórias

Oi pessoal, como vocês estão?

O blog Um Oceano de Histórias está completando 4 anos de vida e, para comemorar, convidou blogs e editoras amigas para preparar um sorteio para vocês.


Abaixo estão as regras e os formulários. É super fácil, vamos lá?

Regras

  • O sorteio tem início hoje e termina dia 08/01/2017;
  • Você precisa ter endereço para o envio em território brasileiro;
  • Cada Blog é responsável pelo envio do seu respectivo prêmio, ou seja, os prêmios chegarão individualmente e em prazos diferentes;
  • O prazo de envio dos prêmios será de 60 dias após a divulgação dos vencedores;
  • O sorteio terá ao todo três ganhadores, cada kit terá um sorteado; caso um mesmo individuo seja contemplado em mais de um kit só será considerado ganhador do kit cujo nome apareceu primeiro e no outro será realizado um novo sorteio;
  • O resultado será divulgado em no máximo 15 dias após o término das inscrições neste mesmo post;
  • O ganhador receberá um e-mail e terá 3 dias para entrar em contato. Caso não haja resposta dentro desse prazo faremos um novo sorteio;
  • Não nos responsabilizamos por extravio dos correios e endereços incorretos;
  • No sorteio as regras obrigatórias precisam ser cumpridas para que você possa participar, as regras que abrirem em seguida serão opcionais. ATENÇÃO: Onde está "Visitar essa página" significa "Curtir a página". Lembrando que todas as entradas serão verificadas!
  • Após preencher o formulário deixe um comentário que se refira a sua participação no sorteio.

Kit 1


Deixada para trás | A caixa preta | Sempre haverá você | Cravos
e-book Rubi de Sangue | Kit de Marcadores

Kit 2


Em busca de Watership Down (capa dura) | Quinze dias | Los Angeles
Huck | Heróis da Internet | Kit de 10 Marcadores

Kit 3


Superação | As épicas aventuras de Lydia Bennet | Falsa Submissão
Ecos da Morte | Desejo dos Mortos | Kit de 30 Marcadores

Boa sorte a todos!

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Fortaleza Impossível - Jason Rekulak

Sinopse: Até maio de 1987, Billy Marvin – um garoto de 14 anos que mora numa pequena cidade em Nova Jersey – é definitivamente um nerd feliz. Ele e seus amigos inseparáveis, Alf e Clark, passam as noites se empanturrando de biscoitos e milk-shakes diante da TV, assistindo a filmes e conversando sobre música, cinema e seriados. Com a mãe trabalhando no horário noturno e a casa toda para si, Billy vara a madrugada fazendo aquilo que mais ama: programando videogames em seu computador. Mas então a Playboy publica as fotos escandalosas de Vanna White, a famosa apresentadora de TV por quem os três são fascinados. Como ainda não são maiores de idade para comprar a revista, eles planejam um ousado assalto para roubá-la. É quando Billy conhece a brilhante, enigmática e também nerd Mary Zelinsky, e tudo começa a mudar...

Livro recebido em parceria com a Editora
Rekulak, Jason. Fortaleza Impossível. Editora Arqueiro, 2017. 272p.


Fortaleza Impossível foi uma leitura que teve a capacidade de me transportar no tempo para uma época em que ter um computador em casa era para poucos, e que para entender sobre códigos HTML era necessário comprar revistas de informática em bancas de jornal.

Billy tem apenas 14 anos e todo um futuro repleto de escolhas ainda pela frente, mas diferentemente dos outros garotos de sua idade ele sabe muito bem com o que deseja trabalhar desde cedo: Billy quer ser um programador de videogames.

E essa é a base de toda a história, pois apesar de já saber com o que deseja estudar e  trabalhar futuramente - e ser muito bom nisso - , Billy entende que sua escolha profissional não é aceita pela sociedade da época com muita facilidade. Sua mãe, que o criou sozinha a vida inteira, passa o dia inteiro exausta de tanto trabalhar para garantir uma vida com o mínimo de dignidade a que os dois têm direito dentro de casa. Seus melhores amigos da escola não entendem que a criação dos jogos é uma parte muito importante da vida dele e muitas vezes, mesmo sem ter a intenção, acabam por magoá-lo ao ridicularizarem seus projetos que deram tanto trabalho para serem elaborados.

A história tem uma reviravolta quando Billy se junta aos amigos para tentar roubar a revista Playboy de uma loja de conveniências. Ao tentar colocar o plano em prática, ele conhece uma menina capaz de mudar todo o seu futuro. Mary é extremamente inteligente e entende mais sobre computadores do que Billy. A conexão entre os dois é instantânea e juntos eles decidem participar de um concurso em que os competidores devem apresentar um jogo criado completamente do zero – daí vem o nome Fortaleza Impossível. Desse momento em diante os dois passam muitas tardes juntos e acabam se aproximando cada vez mais, mudando completamente a forma de pensar de Billy e o fazendo amadurecer de uma forma completamente inesperada.

"E eis o que acontecera. Após 14 anos de mau futebol, de basquete ruim, de notas deploráveis, e de fazer péssimas escolhas no quesito moda, após 14 anos sendo eu mesmo, eu não estava acostumado a elogios. Meu rosto ficou muito vermelho. Não consegui me controlar. Queria que o tempo parasse naquelas palavras ditas por ela: Perfeito, fantástico, adorei!"

Eu fiquei encantada em muitos momentos com as referências que o autor, Jason Rekulak, faz sobre livros, músicas, objetos e roupas da época. Fiquei me sentindo nostálgica ao acompanhar o dia a dia dos personagens em uma época em que a internet não prevalecia e as pessoas precisavam se desdobrar para estarem mais presentes nas vidas umas das outras.

Billy não é um personagem complexo, mas ele me desapontou em vários momentos. Seus medos e anseios fizeram com que um garoto brilhante se metesse em algumas enrascadas capazes de manchar o seu histórico a troco de nada, e isso acabou por me deixar um pouco frustrada com ele.  Em compensação, Mary só me trouxe alegrias por ser tão positiva e responsável, além de me dar um baita susto com um segredo que ela guarda durante toda a história e que me fez entender o motivo de muitas de suas atitudes durante a história.

Fortaleza Impossível é um livro despretensioso e extremamente nostálgico. Nós faz entrar de cabeça no mundo dos adolescentes nerds da década de 80. Com uma abordagem leve em sua maior parte, a história nos faz refletir sobre os nossos sonhos, esperanças e responsabilidades. Fica aí a dica de um livro que também daria um ótimo filme!
  

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Fazendo as pazes com o corpo - Daiana Garbin

 Uma jornada para vencer a relação doentia com a comida e a obsessão pela forma perfeita.
“Para conseguir ser magra, já fiz tudo o que você pode imaginar. Tomei todos os tipos de remédios para perder peso e controlar o apetite: anfetaminas, tarja preta, fórmulas e medicamentos fitoterápicos, passando por remédios para diabetes. Tomei laxantes, diuréticos, calmantes, ansiolíticos, estimulantes, soníferos e também aquele medicamento que tira 30% da gordura dos alimentos, mas que, ao menor descuido, faz você sujar as calças sem perceber. Fiz todas as dietas que existem, da proteína, da lua, do abacaxi, dos dias ímpares, do jejum. Já fiquei dois anos sem comer carboidratos. Tentei vomitar depois das refeições, mas não consegui. Desejei ter anorexia, mas não resistia muitos dias sem comer. Fiz diversos tratamentos estéticos e confesso que já fiz três cirurgias de lipoaspiração – e ainda precisei pegar empréstimo bancário para pagar esses procedimentos e fiquei endividada até as orelhas por muitos anos. *** Escrevi este livro para dividir com você como os acontecimentos que deram origem aos meus problemas foram se sobrepondo até culminarem em uma situação insustentável, e como, a partir daí, comecei a aprender a respeitar o meu corpo e a fazer as pazes com a comida e com a saúde. Vou mostrar tudo o que fiz para conseguir gostar do que eu enxergo no espelho, para desenvolver meu amor-próprio, para ter prazer de comer sem culpa, sem excessos e sem restrições, e para, sobretudo, me aceitar como eu sou, com todos os meus defeitos e qualidades.”

Livro recebido em parceria com a Editora
GARBIN, Daiana. Fazendo as Pazes com o corpo. Editora Sextante, 2017. 168 p.

Não tenho o hábito de ler livros que não são ficção, mas às vezes me arrisco a ler algo do mundo real, até mesmo por esse motivo, por ser real, por trazer uma lição verdadeira, que pode me fazer refletir bastante em como estou levando a vida.

Quando vi este livro no catálogo da Sextante, logo me interessei, pois é um tema que me cerca desde pequena. A autora é Daiana Garbin, uma ex jornalista da Globo que confesso não conhecer muito bem, já que não sou muito fã de TV e aborda um tema que não é muito comentado no Brasil, que são os transtornos alimentares.

Durante 22 anos Daiana sofreu com um transtorno alimentar não identificado. Desejava ser muito magra, se sentia mal com o seu corpo e distorcia sua imagem diante do espelho. E com essa frustração, a vontade de comer só aumentava, o que trazia um grande conforto para ela. Mas, logo após comer, Daiana se sentia péssima, e esse ciclo comandou sua vida por todos esses anos.

Ela realizou cirurgias, fez dietas, tomou medicamentos inibidores de apetite entre outros que de alguma forma promovia o emagrecimento, mas nada adiantava, ela acabava engordando novamente e se sentia cada vez pior. Sua felicidade dependia do fato de estar magra, o que nunca acontecia, pois os quilos que ela emagrecia nunca eram suficientes para torná-la do jeito que queria. Mas, após um episódio marcante em sua vida, ela decidiu largar o emprego e criar um canal no Youtube contando suas experiências e sua luta diária, com o objetivo de ajudar pessoas que, assim como ela, não amavam seu corpo. Daiana pesquisou muito sobre transtornos alimentares e buscou ajuda profissional, o que a ajudou a amar cada vez mais seu corpo do jeito que ele é. Ela também aprendeu a controlar a compulsão por comida, aprendeu a não "engolir" seus sentimentos e vem tentando mostrar para as pessoas como fazer isso.

"Tente deletar tudo o que você pensa sobre o seu corpo. Olhe-se no espelho como uma criança que está se vendo pela primeira vez, sem julgamentos, sem preconceitos. Ninguém nasce odiando o próprio corpo. Alguém nos ensina a não gostar dele. A boa notícia é que, se aprendemos a odiar, também podemos aprender a amar. Então limpe a mente e veja como há beleza em você. Talvez você encontre alguma resistência, mas não desista! Não é possível mudar de uma hora para outra algo que foi estabelecido há tantos anos."

O livro é bem interessante, contém várias estatísticas, informações e até alguns depoimentos de pessoas que sofrem com transtornos alimentares. Fiquei impressionada com a porcentagem de pessoas que morrem devido à anorexia, muitas pessoas se suicidam, devido ao tamanho sofrimento que é ter essa doenças, mas essas notícias não são muito divulgadas, não é mesmo? 

Esse padrão de beleza imposto pelas mídias muitas vezes é inatingível, mas ainda assim, cada vez mais celebridades apoiam essa ideia, de que corpo bonito é corpo magro e sarado. No Instagram é muito comum vermos fotos de famosos fazendo exercícios ou tomando shakes emagrecedores, e infelizmente isso acaba entrando em nossas cabeças, pois somos humanos, desde pequenos vimos bonecas magras e bonitas, como se aquilo devesse ser o padrão, mas não é bem assim. Muitas pessoas não têm a prédisposição genética para serem magras, mas aí vem tal youtuber dizer que "Você não emagrece por que você não quer", mas não, não é bem assim.

"Seja grata pelo corpo que tem hoje, não importa a forma dele. Só somos capazes de cuidar bem daquilo que amamos. Portanto, ame-se com compaixão e sem julgamentos. Esse é um passo fundamental para começar a cuidar de si mesma."


Daiana não mente, não diz que existe uma forma milagrosa para amar o próprio corpo, mas dá dicas de como amá-lo e respeitá-lo. Quem sofre de transtornos alimentares tem uma luta diária, mas é possível sim vencer essa guerra. 

Então se você que está lendo essa resenha tem algum problema com o seu corpo e acha que não consegue lidar com isso sozinho, procure ajuda. Não é feio pedir e nem vergonhoso. Na verdade é bom, é um sinal de que você deseja ter uma vida saudável,  quer uma mudança e que deseja se sentir bem consigo mesmo. E a mudança deve começar por você.


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Book Haul - Novembro

Ei galerinha, como estão?

Hoje quero mostrar o que chegou aqui para mim no mês de novembro. Não foi muita coisa, mas eu tenho achado ótimo que o volume seja menor para colocar outras leituras em dia.


Recebi como cortesia do Grupo Record Bela Gratidão e Entre as Estrelas. Fiquei com o primeiro livro para mim e o segundo foi enviado para a Marlene ler e escrever resenha.


Recebi também Baseado em fatos reais, que consegui em uma troca no Skoob. Já tinha um tempo que estava querendo ler, mas acabava optando por outros livros em parceria com a Editora, então finalmente surgiu a oportunidade.


O último livro que chegou no mês foi Um Beijo à Meia Noite, recebido em parceria com a Editora Arqueiro.

Já leram algum desses? Quais gostariam de ler?

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Princesa de Papel - Erin Watt, Elle Kennedy e Jen Frederick

Sinopse: Ella Harper é uma sobrevivente. Nunca conheceu o pai e passou a vida mudando de cidade em cidade com a mãe, uma mulher instável e problemática, acreditando que em algum momento as duas conseguiriam sair do sufoco. Mas agora a mãe morreu, e Ella está sozinha. É quando aparece Callum Royal, amigo do pai, que promete tirá-la da pobreza. A oferta parece tentadora: uma boa mesada, uma promessa de herança, uma nova vida na mansão dos Royal, onde passará a conviver com os cinco filhos de Callum. Ao chegar ao novo lar, Ella descobre que cada garoto Royal é mais atraente que o outro – e que todos a odeiam com todas as forças. Especialmente Reed, o mais sedutor, e também aquele capaz de baixar na escola o “decreto Royal” – basta uma palavra dele e a vida social da garota estará estilhaçada pelos próximos anos. Reed não a quer ali. Ele diz que ela não pertence ao mundo dos Royal. E ele pode estar certo. (Skoob)
WATT, Erin - KENNEDY, Elle - FREDERICK, Jen. Princesa de Papel. Editora Essência, 2017. 368 p.

A história de Princesa de Papel é construída em cima de um conjunto de fatores que conquistam facilmente a maioria das leitoras que são fãs do gênero. Quando um autor(a) deseja criar uma identificação de seu personagem principal com o maior número possível de leitores, ele(a) segue por dois caminhos certeiros.

O primeiro é criar similaridade, ou seja, um personagem que possua o maior número possível de inseguranças, para, assim, estabelecer um vínculo de igualdade. Como exemplo disso, temos a Bela, de Crepúsculo, e a Anastásia, de Cinquenta Tons de Cinza. Ambas são inseguras, se acham feias, sem graça, magras, medrosas, desastradas, enfim, praticamente todos os atributos necessários para criar depressão numa pessoa. Essa variedade de defeitos acaba por bater, certamente, com alguns dos defeitos das leitoras, e pronto, vínculo feito.

O segundo é criar aspiração, ou seja, uma personagem que possua o maior número possível de virtudes, para, assim, estabelecer um vínculo de desejo. E é neste segundo caminho de composição de uma personagem que entra Ella, a narradora de Princesa de Papel. Ela é decidida, corajosa, impetuosa, atrevida, esperta, liberal, sexy, bonita, enfrenta um homem de igual para igual, vive em um mundo de riquezas e é o centro das atenções. Enfim, todas as qualidades e sonhos possíveis. Alguns deles, inevitavelmente, irão coincidir com o que a maioria das pessoas gostaria de ter.

Princesa de Papel é uma novela onde os personagens vivem em extremos, onde as coisas nunca são o que parecem, onde reviravoltas surgem do nada, onde tudo gira em torno do sexo e do dinheiro. A literatura americana está cheia disso, mas o diferencial está na escrita das autoras, elas sabem o que fazem e sabem como criar interesse nas leitoras. Sim, no feminino, que é, sem dúvidas, o público alvo. Enfim, o livro é extremamente bem escrito e sabe como flertar com o imaginário da maioria das garotas.

Mas ele, definitivamente, não é literatura para mim. Isso, porque eu preciso de algo mais do que apenas diálogos dúbios, onde tudo leva apenas a sexo e a jogos de poder financeiro. Praticamente todas as conversas de Princesa de Papel são sobre esses dois temas. Até mesmo nos trechos onde os personagens se encontram no café da manhã, o que eles falam e o que eles pensam é sobre sexo e sobre dinheiro. Todas as qualidades que Ella vê nos cinco irmãos são sobre como eles são bonitos, como tem barriga sarada, como são musculosos, como devem ser durante uma transa. Já todos os pensamentos dos cinco irmãos, são como Ella pode ser uma oportunista, como ela deve estar transando com o pai deles, como eles podem guardar o dinheiro das mãos dela, como eles podem transar com ela. E da mesma forma, os personagens secundários.

A nova mulher de Callum, o pai dos cinco irmãos que se intitula tutor de Ella após os pais dela morrerem, é interesseira, superficial e fica de olho nos filhos adotivos, mas não de olho de madrasta protetora, mas de cobiça sexual. A viúva do pai de Ella é uma megera que deseja destruir qualquer pessoa que possa tirar um centavo dela. Praticamente todos os alunos da nova escola de Ella acham que a vida gira em torno do umbigo deles, enfim, é um amontoado de situações e de personagens que não fazem parte de qualquer realidade que eu queira imaginar ou desejar participar.

Porém, preciso reconhecer que essa realidade existe de verdade, em círculos chamados da alta sociedade, em ambientes compartilhados por pessoas cujo saldo bancário tem mais zeros à direita do que eu à esquerda. Só que não é pra mim.

Aí você me pergunta: “Então, querido Carlos, por que você pegou esse livro para ler? Não tem nada melhor para fazer na sua vida, não?”.

Eu respondo: peguei apenas por causa de um burburinho que alguns blogs estão fazendo sobre a existência da romantização de um relacionamento abusivo. Eu queria ver se isso era verdade. Como não gosto, e nem confio, na opinião dos outros, peguei para ler e conferir se era verdade. Bem, posso dizer com total convicção: não existe qualquer tipo de relacionamento abusivo em Princesa de Papel.

Vejam bem: em um relacionamento abusivo, uma das partes precisa ser controlada pela outra, uma das partes é ativa e a outra é passiva, uma das partes tenta anular a identidade da outra. Os cinco irmãos agem de acordo com o ambiente em que cresceram e que ainda vivem. Eles veem a chegada de uma estranha que pode ser uma oportunista que está se aproveitando do pai deles, exatamente como a atual madrasta. A forma como eles reagem é agressiva, desconfiada, com intenções de expulsar a intrusa. Por serem oriundos de uma educação machista, eles respondem com machismo, com atitudes e verbalizações grosseiras e cheias de teor sexual.

Acontece que Ella não se deixa abater por isso. Ela não se deixa dominar, não se deixa intimidar, não permite que seja controlada, não aceita desaforos, responde grosserias à altura, olha de frente, encara todos os desafios, deixa, desde o primeiro momento, bem claro que ela não é qualquer uma, que não irá embora, que faz as coisas do jeito que ela quer, que não aceita ordens e que não tem medo de nenhum dos cinco irmãos. Ou seja, ela não é uma personagem passiva dentro de uma relação abusiva, porque ela não deixa que seja abusada por ninguém.

Como exemplo, para vocês entenderem melhor como Ella é suficientemente segura de si e do que quer, posso citar um trecho onde Reed, um dos irmãos e aquele por quem Ella se sente mais atraída, tira a roupa e fala para ela transar com ele, para deixar os irmãos em paz, que se ela quer isso, que ele é suficiente para satisfazer as vontades dela. Ella finge que cede, o seduz, o prende em uma cadeira com a desculpa de sexo oral e um pouco mais sádico, e quando ele está preso, Ella sai do quarto e deixa Reed para trás, com a porta aberta para todos verem, com ele gritando de raiva. Ou seja, se alguém sofre abuso no livro, são os cinco irmãos! (risos, muitos risos)

Agora, eu tenho uma curiosidade: um livro que possui claramente uma relação abusiva é After. Nele, a garota é enganada, é maltratada, é feita de capacho, é xingada, sofre agressões e, mesmo assim, sempre volta para o cara que faz tudo isso com ela, e volta mais de uma vez. Entretanto, não vejo as pessoas reclamando da mesma forma que reclamaram, equivocadamente, de Princesa de Papel. Por quê? Não leram? Acho que leram, sim. Então, por que não se fala disso? Pode ser que esteja relacionado com o fato de AFTER ser de uma editora grande, enquanto Princesa de Papel é de uma editora menos conhecida? Vai saber...

Enfim, resumindo, Princesa de Papel é um livro que prende e satisfaz dentro daquilo a que se propõe e para um público que gosta de consumir esse tipo de literatura, com uma personagem forte, que não se deixa comandar e que sabe o que deseja. Não pretendo ler a continuação, porque não é meu gênero e já sacie minha curiosidade, mas recomendo para quem gosta.

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A Dieta do Microbioma - Raphael Kellman

Sinopse: Você engorda só de olhar um doce? Sente cansaço, ansiedade, depressão ou confusão mental? Tem resfriados, infecções, dores de cabeça ou acne frequentes? A solução para todos esses problemas está nos seus intestinos. Com duas décadas de experiência em medicina funcional, o autor oferece uma alternativa segura, rápida e duradoura às últimas dietas da moda. Com refeições práticas, receitas deliciosas e informações valiosas sobre alimentos e suplementos para o microbioma, você encontra as ferramentas necessárias para ter um peso saudável, melhorar o humor, recuperar o foco mental e atingir sua melhor forma, esbanjando saúde. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora.
KELLMAN, Raphael. A Dieta do Microbioma. Editora Cultrix, 2017. 400 p.


Quem me conhece pessoalmente sabe, mas quase nunca comentei por aqui porque não tem nada a ver com o tema do blog: adoro estudar sobre alimentação. Sou daquelas loucas que sai de casa com vários lanches na bolsa, inclusive alguns para os quais a maioria das pessoas faz cara feia, como maionese de abacate e outras versões funcionais que, apesar de não aparentarem, são muito gostosas. Faço acompanhamento com nutricionista e vi mudanças significativas no meu dia a dia - disposição, humor, pele e cabelo, tudo isso mudou. Minha irmã diz que se não me conhecesse me acharia uma chata - afinal, a gente cresceu achando que salada era tomate e alface -, mas eu levo coisas super diferentes para ela e ela gosta, então não pode nem reclamar muito. Sou adepta da ideia de comer "comida de verdade" pela maior parte do tempo possível e faço em casa tudo o que consigo evitar comprar.

Essa introdução longa e bastante pessoal é só para dizer que eu decidi ler A Dieta do Microbioma, de Raphael Kellman, publicado pelo selo Cultrix, do Grupo Pensamento, por motivos também bastante pessoais. Quem estuda sobre alimentação já ouviu falar sobre a importância do intestino para o organismo, tanto que ele é conhecido como o "segundo cérebro", e o livro do Dr. Kellman aborda não só funcionamento desse órgão, mas sua inter-relação com o microbioma que vive dentro de nós.

A ideia do autor - e que ele fundamenta com dados científicos - é que o funcionamento do nosso organismo depende muito do microbioma que existe dentro de nós, algo na proporção de 90%. Isso significa que, se esse sistema estiver desequilibrado, nós estaremos desequilibrados. E isso reflete na nossa vontade de comer doces e industrializados, o que inflama o organismo e, como consequência, nos engorda. A partir daí, o autor elabora uma dieta que tende a alimentar os micro-organismos bons e "matar de fome" os ruins, de forma a reprogramar o sistema para que ele possa emagrecer naturalmente.

"Fico empolgado quando imagino que, em vez de depender de esforços infrutíferos de laboratórios farmacêuticos no sentido de curar uma doença, podemos contar com a sabedoria milenar da própria natureza para nos ajudar a equilibrar o organismo e, dessa forma, recuperar a saúde." (pág. 101-102)

O livro é dividido em cinco partes. A primeira trata do microbioma e explica seu funcionamento e a importância dele para o organismo. A segunda fala dos princípios da dieta elaborada pelo autor, a partir dos quatro Rs para restabelecer a saúde intestinal (Remover, Repor, Reinocular e Reparar). A parte três fala do quanto o estresse influencia todo o organismo e a importância de reequilibrar não só na alimentação, mas também na nossa relação com a comida e os aspectos psicológicos. As partes quatro e cinco falam sobre a manutenção vitalícia e o dia a dia da dieta, inclusive com receitas passo a passo e planejamento para manter tudo em dia.

Adorei conhecer os preceitos trazidos pelo autor e a lógica que ele emprega na elaboração de sua dieta. Muita coisa do que ele falou eu já vejo na prática e sei que é verdade, então acredito que, para quem quer tentar mudar de hábitos radicalmente, a dieta tem tudo para funcionar.

O problema, em minha humilde opinião de leiga, é que a dieta proposta por ele é um tratamento de choque, bastante radical, já que literalmente proíbe tudo o que tem poder inflamatório na alimentação e, se deixar de comer cereais e grãos (arroz e feijão) na dieta brasileira já é bastante difícil por um dia só, imagine ficar três semanas sem comer isso e vários outros alimentos que são muito saudáveis pelo fato de que eles podem ocasionar algum tipo de inflamação. As razões que o autor dá para isso são bastante plausíveis, e é realmente um tratamento de choque para reprogramar o organismo, mas, particularmente, eu não gosto de nada tão proibitivo, então não conseguiria levar isso para minha vida, pelo menos não ao pé da letra.

Além disso, alguns elementos que o autor sugere que sejam utilizados durante o tratamento não são tão facilmente encontrados no Brasil como são nos Estados Unidos, já que a ANVISA é mais restritiva quanto aos produtos que podem ser vendidos sem receita médica. Não conheço todos os que ele citou, mas acredito que alguns não sejam encontrados, a menos que haja acompanhamento médico.

Por outro lado, algumas coisas podem ser sim aplicadas, ainda que em menor escala. Por exemplo, o autor fala bastante da importância do uso de probióticos e prebióticos e a existência de super alimentos. Algumas dessas coisas já são parte do meu cotidiano há alguns meses, outras eu venho adotando inspirada na experiência do autor. Além disso, o livro é repleto de receitas que parecem mesmo deliciosas, então sempre que tenho oportunidade, testo uma ou outra.

De todo modo, para quem gosta de conhecer sobre o funcionamento do organismo e o poder da alimentação, indico muito A Dieta do Microbioma. Além de ser uma leitura fácil e agradável, traz diversos dados interessantes que podem estimular quem quer mudar sua forma de encarar a comida.


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Top Comentarista - Dezembro

Dezembro chegou, junto com natal, fim de ano e tudo que ele traz de bom, ou não. Eu gosto da época, acho que ela tem uma energia muito boa e AMO verão e a expectativa das férias que vêm logo depois das festas. rsrs

Pensando nisso, tentei trazer um Top Comentarista especial para este mês, assim como fiz no ano passado, em que o prêmio era um vale presente. Dessa vez, em vez de dar opções de livros, o prêmio será um livro a escolha do ganhador, no limite de R$30,00 (trinta reais). E aí, ansiosos para garantir um livro novo de presente?

As regras da Promoção são semelhantes às dos meses anteriores. Para se inscrever é preciso:

  • Seguir o Conjunto da Obra pelo Google Friend Connect (clicar em "Participar deste Site" na barra lateral direita)
  • Ter endereço de entrega em território Brasileiro.
  • Preencher o formulário abaixo.
  • Comentar em todos os posts publicados no mês de dezembro, exceto os de lançamentos de novas promoções. Seguidas todas as regras iniciais, para participar, basta preencher a primeira entrada do formulário. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais.

Observações:

  • Serão considerados válidos os comentários nas postagens do mês de outubro se feitos até o dia 1º de janeiro. Ou seja, será concedido um dia a mais para que os participantes consigam comentar nas últimas postagens do mês.
  • O participante deve fazer comentários válidos, que demonstrem que a postagem foi lida. Não adianta dizer que está curioso para conhecer a história, isso não é suficiente, e o participante será desclassificado.
  • O vencedor será definido por sorteio, dentre os participantes que comentarem em todas as postagens do mês. Apenas depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.
  • O sorteado escolherá qualquer livro, desde que o valor não ultrapasse R$30,00.
  • O sorteado será contatado por e-mail, tendo o prazo de 24h para fornecer seus dados. Caso não envie resposta no prazo, será realizado novo sorteio.
  • O prazo para envio dos prêmios é de 60 dias após o recebimento dos dados dos vencedores.
  • O Conjunto da Obra não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador e o livros não será enviado novamente;
  • A Equipe do Conjunto da Obra se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.
  • Esta postagem também conta para o Top Comentarista.

a Rafflecopter giveaway

Boa sorte ❤ 

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O Beijo Traiçoeiro - Erin Beaty

Sinopse: Com sua língua afiada e seu temperamento rebelde, Sage Fowler está longe de ser considerada uma dama — e não dá a mínima para isso. Depois de ser julgada inapta para o casamento, Sage acaba se tornando aprendiz de casamenteira e logo recebe uma tarefa importante: acompanhar a comitiva de jovens damas da nobreza a caminho do Concordium, um evento na capital do reino, onde uniões entre grandes famílias são firmadas. Para formar bons pares, Sage anota em um livro tudo o que consegue descobrir sobre as garotas e seus pretendentes — inclusive os oficiais de alta patente encarregados de proteger o grupo durante essa longa jornada. Conforme a escolta militar percebe uma conspiração se formando, Sage é recrutada por um belo soldado para conseguir informações. Quanto mais descobre em sua espionagem, mais ela se envolve numa teia de disfarces, intrigas e identidades secretas. E, com o destino do reino em jogo, a última coisa que esperava era viver um romance de tirar o fôlego. (Skoob)

Livro recebido como cortesia da Editora
BEATY, Erin. O Beijo Traiçoeiro. Editora Seguinte, 2017. 440 p.


Obra de estreia da autora, O Beijo Traiçoeiro me conquistou. Sage Fowler é uma garota de dezesseis anos, muito inteligente e observadora. Longe de ser considerada uma dama, a menina não acredita em casamentos arranjados e o encontro com uma casamenteira importante só confirma que ela não nasceu para casar. Ironia ou não, Sage é convidada para ser aprendiz da casamenteira, o que a faz perceber o quão boa ela é no trabalho.

Após ser recrutada para o trabalho, Sage tem que se passar por uma dama enquanto viaja com a casamenteira e outras damas até um evento onde serão encontrados maridos com grandes dotes para as moças. Quando o capitão Quinn, que as está escoltando até a cidade do evento, percebe o quanto Sage é boa em sua tarefa, ele pede sua ajuda para que a garota seja sua espiã.

Em uma narrativa intrigante, Erin Beaty nos prende em cada página, o mistério e o romance combinam muito bem e é quase impossível deixar o livro de lado por um momento sequer. Me identifiquei um pouco com Sage, já que a garota não se imagina dependente de um homem para se manter e tem um interesse enorme por livros e por ensinar outras pessoas. Quanto às suas habilidades em observar as pessoas, queria ter um pouco mais desse “poder”.

Apesar da história, fiquei incomodada com a quantidade de informações sem explicação que a autora nos apresenta. A todo momento lemos nomes de cidades, países ou estados mas sem a certeza do que cada um realmente significa. Em contraponto, temos a divisão social através dos nomes. O fato da protagonista saber a possível origem de um personagem a julgar pelo seu nome me chamou muita atenção. Cada nome determina se a pessoa é bastarda, plebeia ou nobre. Não é um fato que atrai muitos, mas eu achei muito interessante.

Narrado em terceira pessoa, O Beijo Traiçoeiro foi uma leitura despretensiosa que me surpreendeu bastante. O segundo volume da trilogia tem previsão de lançamento em maio de 2018 lá fora, e espero que não demore para chegar por aqui.

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Origem - Dan Brown

Sinopse: De onde viemos? Para onde vamos? Robert Langdon, o famoso professor de Simbologia de Harvard, chega ao ultramoderno Museu Guggenheim de Bilbao para assistir a uma apresentação sobre uma grande descoberta que promete "mudar para sempre o papel da ciência". Em meio a fatos históricos ocultos e extremismo religioso, Robert e Ambra precisam escapar de um inimigo atormentado cujo poder de saber tudo parece emanar do Palácio Real da Espanha. Alguém que não hesitará diante de nada para silenciar o futurólogo. Numa jornada marcada por obras de arte moderna e símbolos enigmáticos, os dois encontram pistas que vão deixá-los cara a cara com a chocante revelação de Kirsch... e com a verdade espantosa que ignoramos durante tanto tempo. (Skoob)
BROWN, Dan. Origem. Editora Arqueiro, 2017. 432 p.

O sucesso de um livro, às vezes, pode ser mais prejudicial do que benéfico. Ainda mais se esse sucesso for estrondoso, como foi com Código Da Vinci, um livro praticamente perfeito para o gênero. Brown tentou repetir o feito com O Símbolo Perdido, que embora seja interessante, não chegou perto do anterior. Inferno, seu livro seguinte, mostrou que o autor estava sem ideias, uma vez que a maior parte da história mais parece um guia turístico, e a trama que move os poucos acontecimentos, é ridícula. Então, chegamos a Origem, seu mais recente lançamento. Nele, Brown ainda tenta repetir o feito de seu maior sucesso, mas, desta vez, ele parece não ter uma pressão enorme sobre os ombros, consegue criar coisas diferentes e tocar em assuntos atuais, que transmitem alguma esperança e tem a qualidade de emocionar.

Edmond Kirsch, um renomado cientista ateu, descobre algo que poderá destruir com todas as religiões, Robert Langdon é envolvido na descoberta, Ambra Vidal, noiva do príncipe Julián e futura rainha da Espanha, é a curadora do museu onde se dará a revelação da descoberta, o bispo espanhol Valdespino, junto com um rabino e um erudito muçulmano, são contra a revelação e estão abalados pelo que poderá acontecer, e um almirante aposentado serve de assassino contratado para silenciar Kirsch. Ou seja, para quem já leu os últimos livros de Brown, o tabuleiro é o mesmo, só mudaram os nomes de alguns peões.

Mas, felizmente, existem algumas coisas que conseguem trazer um pouco de frescor à trama. O leitor não é mais entulhado de descrições de locais turísticos, uma vez que os acontecimentos mudam pouco de local.

A Igreja Católica, representada pelo bispo Valdespino, é dada como a grande vilã, mas temos surpresas quanto a isso. Inclusive, o trecho final entre o bispo e o rei da Espanha, é sensível, dotado de um carinho tocante e com uma representatividade que é muito bem-vinda.

O almirante espanhol tem seus motivos para aceitar a missão que lhe é incumbida, motivos esses que também trazem discussões atuais sobre o que está acontecendo na Europa por causa dos atentados terroristas.

Ambra, a futura rainha espanhola, não é uma mulher indefesa, mas, pelo contrário, é decidida, toma suas próprias decisões, inclusive contra a vontade do príncipe, e não se deixa ser salva por Langdom, ela mesma se vira.

Kirsch, o perpetuador de tudo, é um representante do que mais existe hoje em dia, nerds que tiveram sucesso na vida devido à inteligência e ao trabalho duro.

E, por fim, chegamos a um personagem que ainda não citei, mas que até o final do livro, torna-se o mais importante de ORIGEM: Winston, uma inteligência artificial que interage e ajuda Langdon por toda a história. Ele lembra, muito, o computador HAL 9000, do livro 2001 Uma Odisséia no Espaço, mas com uma forma mais sofisticada de se comunicar verbalmente. Muitas das coisas que ele faz para ajudar ou descobrir coisas, são realmente possíveis hoje em dia, então não fique espantado ou incrédulo quando ler. Mas a importância dele na trama vai além de sua intromissão na solução dos problemas.

Abrir um parêntesis para exemplificar o que quero dizer. Este ano, a FAIR (Facebook Al Research), uma divisão de pesquisas do Facebook, criou uma inteligência artificial para simular situações de negociação entre dois agentes financeiros fictícios. A função do programa era colocar esses dois agentes conversando entre si para que chegassem a soluções que melhor atendessem aos dois, com o objetivo de ajudar os pesquisadores a entenderem como duas pessoas podem negociar de maneira mais construtiva. Para isso, ela utilizaria do inglês como língua de comunicação entre os dois agentes. Com o tempo, o programa decidiu por si próprio, que o inglês não era produtivo o suficiente, e criou uma linguagem própria para os dois agentes. Embora a nova linguagem fosse incompreensível para nós, ela era mais eficiente para os dois agentes, e, com ela, eles conseguiam um resultado melhor. Então, o Facebook achou melhor desativar o programa. O.O

Depois do fato acima, não duvide, nem por um segundo, do que você irá ler em Origem sobre Winston. Estamos chegando a um nível de tecnologia onde uma inteligência artificial poderá ser capaz, sim, de tomar decisões, e executar essas decisões para que consiga atingir sua diretriz primária, independentemente das consequências e da moral de tais decisões.

Eu considero Brown um dos autores mais criativos da atualidade, com uma escrita envolvente e com o dom de saber criar no leitor a expectativa para o que vai acontecer, obrigando a leitura de páginas atrás de páginas. Infelizmente, ele está preso a uma receita de enredo que limita sua criatividade. Como fã, anseio que ele enxergue que é capaz de criar mistérios e aventuras sem precisar de uma fórmula pré-estabelecida, e, com isso, volte a surpreender seus leitores. Origem é um exemplo de como ele pode diversificar, mesmo estando preso a uma linha de ação por medo ou comodidade.

Ah, e sobre a tal revelação bombástica, ela acontece, não tenha medo, mas nem de perto tem a possibilidade de destroçar as religiões. Entretanto, ela é suficientemente interessante e atual para fazer o leitor pensar, e pensar bastante. Como se trata de uma obra de ficção, você pode achar que a revelação é exagerada, mas não é. Basta uma rápida busca no Google pelo nome do cientista que Kirsch menciona, para ver que existem diversos estudos e pesquisas em andamento sobre o assunto.

Mas o mais curioso, para quem acha, erroneamente, que Brown tenta ofuscar a religião e a existência de Deus, é que ele faz com que Langdon, no final do livro, solte um raciocínio que inviabiliza de forma lógica a revelação de Kirsch, ou melhor, ele a completa com um pensamento que confirma sua verdade, mas adiciona a fé em cima. E isso é sensacional!

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Depois Daquela Montanha - Charles Martin


Sinopse: O Dr. Ben Payne acordou na neve. Flocos sobre os cílios. Vento cortante na pele. Dor aguda nas costelas toda vez que respirava fundo.
Teve flashes do que havia acontecido. Luzes piscavam no painel do avião. Ele estava conversando com o piloto. O piloto. Ataque cardíaco, sem dúvida.
Mas havia uma mulher também – Ashley, ele se lembra. Encontrou-a. Ombro deslocado. Perna quebrada.
Agora eles estão sozinhos, isolados a quase 3.500 metros de altitude, numa extensa área de floresta coberta por quilômetros de neve. Como sair dali e, ainda mais complicado, como tirar Ashley daquele lugar sem agravar seu estado?
À medida que os dias passam, porém, vai ficando claro que, se Ben cuida das feridas físicas de Ashley, é ela quem revigora o coração dele. Cada vez mais um se torna o grande apoio e a maior motivação do outro. E, se há dúvidas de que possam sobreviver, uma certeza eles têm: nada jamais será igual em suas vidas. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
MARTIN, Charles. Depois Daquela Montanha. Editora: Arqueiro, 2017. 304 p.


Eu não sei bem o que esperava desse livro, porém, o que recebi não supriu minhas expectativas, essa foi uma boa leitura, com personagens interessantes, que superaram suas dificuldades em meio a um ambiente hostil, mas que no fundo não me conquistaram.

Ben Payne, é um cirurgião ortopédico, ele está no aeroporto esperando o avião para voltar para casa, depois de participar de uma conferência, porém, do lado de fora há uma tempestade muito forte se aproximando, o que impossibilita os aviões de decolar, fazendo assim com que os voos sejam cancelados.

No aeroporto, Ben conhecer Ashley, que é colunista de uma revista feminina, ela precisa chegar em casa para o jantar de ensaio da cerimonia do seu casamento, que aconteceria dali a poucas horas, porém, seu voo também foi cancelado. 

Ben decide alugar um avião monomotor, para levá-lo até Denver. Pensando na situação complicada que Ashley se encontra, ele decide convidá-la a ir com ele, afinal, ela tem um ensaio de casamento ao qual precisa chegar o quanto antes. Ela aceita, porém, ninguém esperava que isso fosse terminar de uma maneira tão ruim.

Grover é o piloto do avião, e infelizmente durante o voo sofre um ataque cardíaco, todavia, mesmo assim consegue fazer um pouso forçado, o que garante a sobrevivência de seus passageiros. Agora Ben e Ashley e o cachorro de Grover, estão a quase 3.500 metros, totalmente isolados, em um lugar coberto de neve e sem perspectiva nenhuma de salvação.

"Esperar por alguém faz isso. Transforma os minutos em horas, horas em dias e dias em vidas."

Para mim foi uma surpresa a força dos personagens, mas o romance e a abordagem do autor não me conquistaram. Eu não me vi torcendo pelo casal, por qualquer coisa que poderia envolver os dois, a não ser o fato de que queria muito que eles saíssem daquela situação, porque já não aguentava a agonia e expectativa.

A divergência de personalidades dos personagens é bem perceptível. Ben é um homem que está acostumado a viver sobre pressão, sendo cirurgião, essa é uma constante em sua vida, ele faz escaladas e isso foi essencial para garantir a sobrevivência deles naquele lugar.

Ele se sente culpado pelo que aconteceu, afinal, foi ele quem convidou Ashley para ir com ele no avião, e por isso toma para si a missão de garantir sua sobrevivência. Ela fraturou uma pena e está muito machucada, mas isso não faz com que ele mude de opinião, pelo contrário, faz dele mais forte para lutar por suas vidas.

"Foi um daqueles momentos em que eu entendi, realmente entendi, que a vida não é garantida. Que eu a tomava por certa, sem lhe dar valor. Que acordava todos os dias achando que também acordaria no dia seguinte."

Ashely é uma personagem carismática, e eu sinceramente não esperava por isso, foi impressionante ver a sua força diante das circunstâncias, mesmo machucada e com dor, ela não se deixou abater e eu ouso dizer que Ben só não pereceu por sua causa. Acho que se não fosse por ela, tudo não teria ocorrido da maneira que foi.

Depois Daquela Montanha tem uma escrita bem fluída, mas, em alguns momentos, eu não conseguia avançar mais que poucas páginas antes de dar o braço a torcer e tentar a leitura mais tarde. Isso aconteceu porque Ben é um narrador bem detalhista e o fato de que o autor descreveu alguns termos técnicos em demasiado, confesso, me incomodou bastante.

O romance em si, ficou por conta do Ben e as conversas que ele tinha sobre sua esposa, isso foi sem dúvida o ponto alto da leitura para mim, o amor com que ele falava dela, não é algo que eu possa explicar e mesmo dando a entender que eles passavam por uma crise, não tornou a carga emocional dos trechos menor que do realmente era.

"Paus e pedras podem quebrar ossos, mas, se você quiser ferir alguém bem fundo, use palavras."

Esse livro me levou a refletir muito a respeito da vida e como uma escolha errada ou algo impensado pode mudar tudo. Depois Daquela Montanha foi adaptado para o cinema e eu pretendo assistir nas próximas semanas, e quem sabe ver os personagens por outra perspectiva.

Essa é uma leitura que, apesar das minhas ressalvas, recomendo muito, porque sim, tem uma história de superação, um casal que descobre o companheirismo em meio a uma situação difícil e muitas cenas que vão, com certeza, te tirar o fôlego.


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As Garotas de Corona del Mar - Rufi Thorpe

Sinopse: Amizade entre garotas pode ser intensa e, no caso de Mia e Lorrie Ann, não há dúvidas de que isso é verdade.
À medida que crescem, a vida de Mia e Lorrie Ann é preenchida com praia, diversão e passeios ao shopping.
Por outro lado, como toda amizade, há conflitos e dores.
Mia e Lorrie Ann convivem há muito tempo e possuem personalidades opostas. Mia é a bad girl , vivendo em uma família problemática. Lorrie Ann é linda e amável, quase angelical, e tem uma família que parece ter sido arrancada de um conto de fadas.
Mas, quando uma tragédia acontece, a vida perfeita sai fora de controle... (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
THORPE, Rufi. As Garotas de Corona del Mar. Novo Conceito, 2017. 288p.


Esse livro me interessou pois parecia que seria um pouco como a Série Napolitana da Elena Ferrante, que muitas pessoas falam bem, mas que eu gostaria mais do que da série. Eu não cheguei a ler os livros da Elena, então não vou fazer comparações, mas acredito que basicamente as duas amigas das duas histórias têm características parecidas e alguns acontecimentos talvez, mas nem são os que têm destaque aqui. A autora diz que se baseou na infância dela em Corona del Mar, que, segundo o Wikipedia, é uma vizinhança na cidade de Newport Beach, Califórnia.

A narração é feita em primeira pessoa pela Mia, e isso às vezes gera as narrações de detalhes que a gente fica pensando que provavelmente a Lorrie Ann não contou para ela. A narrativa é não-linear e começa com a Mia adulta contando uma história da adolescência dela, vai contando a vida delas até quando elas se separam e aí conta separadamente o que as duas estão fazendo até que elas ficam um bom tempo sem se falar, então, quando voltam a se falar, a narrativa volta para contar o que aconteceu com a Lorrie Ann. A mia também retorna algumas vezes à infância e adolescência delas para explicar as teorias que ela tem com relação a si mesma e a amiga ou repensar certas coisas.

Como diz a sinopse, a Mia tem uma superadmiração que pode parecer certa inveja dessa perfeição da Lorrie Ann e chega a ser uma obsessão o quanto ela quer classificar a Lorrie Ann como determinado tipo de pessoa. Depois que começa a dar tudo errado, por exemplo, aí o sentimento muda para pena, e por mais que vocês achem que é horrível sentir pena, no começo é difícil não sentir. Mas depois, ela começa a tomar várias decisões erradas e você pode passar é a sentir raiva. Devido a todos os acontecimentos da vida da Lorrie e também aos sentimentos da vida da Mia por ela, o foco do livro é uns 80% na Lorrie Ann, eu diria. O pouco que sabemos da Mia é o que acontecia na época que elas viviam juntas em Corona del Mar e experienciavam tudo juntas, e o que ela menciona quando diz que estava em tal lugar quando recebeu tal notícia da Lorrie e etc. É uma coisa interessante um narrador personagem que é protagonista, mas não o principal e também não um tipo de escritor, mas uma pessoa normal da vida do protagonista.

Eu não sei se eu chamaria a amizade delas de intensa como a sinopse diz, eu nem acho que teve tanto foco na amizade assim, porque na vida adulta, elas viveram totalmente longe uma da outra. Mas que é complicada, aí talvez. Várias vezes eu não acreditei em como a Lorrie Ann estava agindo com a Mia. E o jeito que a Mia fala da Lorrie Ann não é tão estranho quanto parece, não é nada anormal, mas faz ela parecer egocêntrica às vezes porque vive com essas constantes comparações sobre a vida que elas tinham e o giro de 180 graus. A Lorrie Ann percebe isso e comenta algumas vezes e sobre um dos questionamentos da Mia sobre o azar da amiga, ela diz que ninguém merece nada, as coisas não acontecem porque nós fomos sempre bons ou não. Talvez a parte "intensa" seja o sentimento, e mais de uma que da outra.

O livro tem uns temas pesados e pode ser difícil de ler para algumas pessoas. Eu gostei de como eles foram abordados e apesar de alguns posicionamentos serem totalmente opostos aos meus, ver opiniões que eu nunca tinha visto nesse tipo de debate (e eu já vi muitas) foi bem legal.

O final não foi grande coisa no sentido de final de livro. Ele teve um final, mas foi um final de vida real, normal. Eu na verdade gostei disso. Concordando ou não com o que aconteceu, acredito que foi bem realista. Teve até uma ponta solta deixada pelo fato de que, na vida real, nem sempre você vai descobrir tudo, mesmo seu melhor amigo pode não querer te contar. Um ponto do livro que eu destaco é de que você nunca vai conhecer totalmente uma pessoa.


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Como agarrar uma herdeira - Julia Quinn

Sinopse: Quando Caroline Trent é sequestrada por engano por Blake Ravenscroft, não faz o menor esforço para se libertar das garras do agente perigosamente sedutor. Afinal, está mesmo querendo escapar do casamento forçado com um homem que só se interessa pela fortuna que ela herdou.
Blake a confundiu com a famosa espiã espanhola Carlotta De Leon, e Caroline não vai se preocupar em esclarecer nada até completar 21 anos, dali a seis semanas, quando passará a controlar a própria herança milionária. Enquanto isso, é muito mais conveniente ficar escondida ao lado desse sequestrador misterioso.
A missão de Blake era levar “Carlotta” à justiça, e não se apaixonar por ela. Depois de anos de intriga e espionagem a serviço da Coroa, o coração dele ficou frio e insensível, mas essa prisioneira se prova uma verdadeira tentação, que o desarma completamente. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
QUINN, Julia. Como agarrar uma herdeira. Agentes da Coroa #1. Editora Arqueiro, 2017. 304 p.


Os últimos romances de época que li foram um pouco desanimadores, pois não trouxeram grandes novidades e pareciam mais do mesmo. Estava pensando até que o gênero não era para mim e fiquei um pouco receosa por começar mais um. Mas eis que Julia Quinn veio para me mostrar que livros gênero podem sim ser divertidos e diferentes e o primeiro livro da série Agentes da Coroa veio me trazer uma nova animação com livros desse tipo ao misturar muita aventura, tiradas divertidas e, claro, muito romance.

"Caroline era esperta. Era inteligente. E era atraente demais. E Blake a queria bem longe de Seacrest Manor. Já tentara se envolver profundamente com outra mulher antes. E isso quase o destruíra."

Como agarrar uma herdeira conta a história de Caroline Trent, uma herdeira órfã que aguarda ansiosa para completar seus 21 anos e se ver livre dos tutores interesseiros e grosseiros com quem teve a infelicidade de conviver. O problema é que, com a proximidade de seu aniversário, seu tutor atual está disposto a tudo para casá-la com seu filho. Ao fugir para se livrar de Oliver e de um casamento nada promissor, a mocinha é confundida com Carlotta De Leon e sequestrada por Blake, mas vê nesse sequestro uma oportunidade para permanecer longe dos olhos de Oliver pelo tempo necessário.

Eu adorei Caroline! A mocinha é ingênua em alguns aspectos, mas muito ágil e esperta em outros, principalmente em tiradas hilárias. Sua língua afiada garante boa diversão à trama, em especial quando ela está determinada a irritar Blake. Além disso, o fato de ter passado por tantas casas desde a morte de seus pais a ensinou a sair de situações bastante complicadas e a tornou uma pessoa dinâmica e pragmática.

"[...] Já fazia muito tempo desde que experimentara qualquer sensação de pertencimento e, que Deus a ajudasse, pertencia aos braços dele."

Blake também foi um personagem que fugiu dos padrões dos romances de época. Nada de galanteador da sociedade e homem que foge de compromisso, finalmente. Quinn construiu um personagem com uma grande bagagem e sonhos despedaçados, e mostrou que o homem não precisa ser "o pegador" para se tornar um personagem charmoso e interessante. Sinceramente, tenho gostado muito mais dos protagonistas masculinos construídos pela autora do que os demais clichês que tenho visto nos outros livros do gênero, já que ela sabe construir personagens complexos e que vão além de solteirões convictos fisgados por uma mocinha. Em uma análise ampla, acho que todos os personagens construídos por Quinn trouxeram consigo uma complexidade bem vinda e aprofundaram a leitura por saírem do lugar comum.

Como agarrar uma herdeira inovou ainda ao trazer investigações e espionagem de forma mais intensa do que já vi em outros romances de época. Geralmente as aventuras do gênero se resumem a muita fofoca e a observações, mas aqui os personagens estão no centro de todo o perigo. Além de sequestro, há invasão domiciliar, tiroteio, luta e risco real, o que dá mais intensidade à narrativa. E é claro, não poderia faltar o romance, que acontece de uma forma fofa e delicada.

"- Você é a mulher mais cabeça-dura que eu já tive a infelicidade de conhecer. - Blake agitou a mão no ar e resmungou baixinho, antes de acrescenta: - Não consegue entender que estou tentando protegê-la?
Caroline sentiu um calor gostoso no peito e seus olhos ficaram marejados.
- Sim - respondeu -, mas não consegue entender que estou fazendo o mesmo?"

O livro nos presenteia ainda com a aparição de James, o marquês de Riverdale, que será o protagonista do segundo livro da série. Eu o achei muito fofo e divertido e espero ver mais disso em Como se casar com um marquês, que já está na estante e será uma das próximas leituras.


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Pequenas Grandes Mentiras - Liane Moriarty

Sinopse: Com muita bebida e pouca comida, o encontro de pais dos alunos da Escola Pirriwee tem tudo para dar errado. Fantasiados de Audrey Hepburn e Elvis, os adultos começam a discutir já no portão de entrada, e, da varanda onde um pequeno grupo se juntou, alguém cai e morre. Quem morreu? Foi acidente? Se foi homicídio, quem matou? Pequenas grandes mentiras conta a história de três mulheres, cada uma delas diante de uma encruzilhada. (Skoob)
MORIARTY, Liane. Pequenas Grandes Mentiras. Editora Intrínseca, 2015. 400 p.

As pequenas mentiras são as piores mentiras. Por quê? Porque elas passam mais facilmente por verdades. Por isso o título da obra de Moriarty, Pequenas Grandes Mentiras, não poderia estar mais condizente com a história, uma vez que as verdades que as personagens principais escondem, levam, aos poucos, as vidas delas para a beira do precipício.

Esse pequeno parágrafo pode induzir você a pensar que elas fazem isso por algum deslize, ou falta de caráter ou algo do tipo. Não, é uma conclusão errada. O que elas escondem é o mesmo que milhares de mulheres e crianças, que vivem na vida real, também escondem. Em algum ponto, você irá se identificar, ou identificar alguém que você conhece.

Madeline é casada pela segunda vez e tem três filhos. Aos quarenta anos, começa a ter um vislumbre do medo da velhice. Abigail, a filha adolescente, é rebelde e é fruto do primeiro casamento. A relação de Madeline com o ex-marido é conflituosa, principalmente com Bonnie, a atual esposa dele, e pelo fato de Abigail ter um comportamento mais amigável com o pai. Abigail esconde algo da mãe, mas Madeline também esconde algo do marido atual.

Celeste tem um casamento perfeito com Perry, além de ser mãe de dois meninos gêmeos, Max e Josh. Perry viaja muito, mas sempre tenta estar disponível para Celeste, além de ser um pai dedicado e preocupado. Celeste é linda, inteligente, invejada por quase todas as mulheres. Mas atrás do casamento perfeito, existe algo de errado entre Celeste e Perry. Algo assustador. Algo que um dos filhos assiste de vez em quando.

Jane é jovem, mãe solteira de Ziggy, que foi fruto de uma relação de apenas uma noite. Jane se muda para a cidade onde Madeline e Celeste vivem, procurando uma forma de melhorar de vida e poder colocar o filho em uma escola de boa qualidade. Jane é decidida, simples, totalmente focada na educação do filho. Mas Jane esconde algo em seu passado, algo que a persegue e a assombra de noite com pesadelos.

Então, temos mais duas personagens que, embora não sejam as principais, também são centrais na história: Renata, uma mulher bem-sucedida, rica, mãe de Amabella (com M); e Bonnie, a esposa do ex-marido de Madeline, mãe da pequena Skye.

Madeline e Celeste são amigas, e Jane conhece Madeline por acaso, em um pequeno acidente. As cinco colocam os filhos na mesma escola. No primeiro dia, Ziggy é acusado de agredir a filha de Renata, ele nega, e não há provas, apenas a palavra da menina assustada. A partir desse incidente, começa uma guerra entre Madeline, Celeste, Jane, contra Renata e os restantes pais, que vai culminar em um assassinato.

A obra é narrada em terceira pessoa, e ao fim de cada capítulo, existem depoimentos de várias pessoas, conhecidas na história, ou não, contando a versão delas sobre as cinco mulheres e sobre os acontecimentos que levaram até aquela noite fatídica da morte de alguém para a polícia. Os únicos personagens que não aparecem nesses depoimentos, são as cinco mulheres. Então, o leitor fica, desde o início, na dúvida sobre qual delas poderá ter morrido. Ou não.

Entretanto, o crime não é a força motora da história, pelo contrário, serve apenas como adereço, porque o verdadeiro interesse que pega o leitor pela mão e o carrega pelas páginas, são os segredos que cada uma das personagens esconde. Eles são revelados aos poucos, sem pressa, através de pequenos detalhes que vão aumentando, aumentando, até que o leitor consegue compreender e confirmar o que está realmente acontecendo na vida de cada uma delas.

Pequenas Grandes Mentiras é uma obra importante, principalmente em uma época em que se discute tanto sobre machismo e violência contra a mulher. A autora consegue passar com clareza a confusão e a dificuldade que muitas esposas, namoradas ou garotas solteiras enfrentam diariamente, e como o sexo masculino se comporta diante delas. Mas a autora não grita apenas apontando o dedo para a ferida, ela cutuca e mostra possíveis soluções, ela não é passiva, ela faz as personagens terem atitudes que incentivam mulheres em situações semelhantes a fazerem o mesmo.

Como se isso já não fosse suficiente para tornar o livro obrigatório, incrível, a autora vai mais longe: ela mostra como as mulheres conseguem comandar uma família e uma profissão de uma forma que a maioria dos homens não consegue, ou sofrem horrores para conseguir. Como eles tentam, e, na maioria das vezes, conseguem, amedrontar e forçar aquilo que desejam pela força bruta ou pela ameaça física. Como um distúrbio psicológico, que se não for tratado, pode destruir uma relação e influenciar crianças, que não compreendem o que está acontecendo. E como essas mesmas crianças, por não compreenderem, começam a repetir, achando que não estão fazendo nada de errado.

Pequenas Grandes Mentiras é um livro extremamente bem escrito e com uma narrativa pulsante e emergente. Ele é minucioso nos detalhes, não na descrição, mas nos diálogos e nos comportamentos de cada personagem. Ao final, quando descobrimos quem morreu, e da forma que morreu e porquê morreu, testemunhamos não apenas a conclusão de uma história, mas como pessoas ligadas pela cumplicidade dos problemas da vida, e de um gênero sexual que sofre constantes abusos, conseguem ser fortes e unidas quando a necessidade impõe.

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