GUNNM - Yukito Kishiro

Sinopse: Gally é uma ciborgue que, depois de ser encontrada aos pedaços no lixão, foi reconstruída por Daisuke Ido, um técnico em cibernética e caçador guerreiro (um tipo de caçador de recompensas) nas horas vagas. A partir daí, os dois começam a desenvolver uma relação quase fraternal. Apesar de ter perdido sua memória, Gally está mais preocupada com o presente e passa a vivenciá-lo ao máximo, principalmente depois que descobre que Ido é um caçador. O primeiro volume de GUNNM mostra exatamente o começo da história da andróide, desde o momento em que Ido encontra Gally no lixo até o começo da primeira batalha da heroína contra Makaku, um assassino viciado em endorfina. Para sustentar seu vício, Makaku tenta sugar o cérebro de quem aparece na sua frente. E esse é apenas o começo das incríveis aventuras de Gally. (Skoob)
KISHIRO, Yukito. GUNNM. Editora JBC, 2003. 120 p.


Meu contato com GUNNM foi em 2003, quando eu estava na oitava série, e precisava juntar cada trocado para conseguir comprar um gibi. Os mangás começavam a despertar a curiosidade dos brasileiros, era um mundo totalmente novo para a maioria, e eu procurava algo que me entusiasmasse tanto quanto as histórias da Marvel e DC.


As edições de GUNNM da JBC eram pequenas, finas e baratas, ou seja, cabiam no meu orçamento. Sem falar das belíssimas capas, onde uma garota ciborgue, com traços extremamente sensuais, segurava armas imensas, oferecendo um convite para o excesso de hormônios, que nós, homens, acumulamos nessa idade.

Quando terminei o primeiro volume, minha cabeça pirou. Nunca havia lido nada que me deixasse tão abobado como esse mangá. Os desenhos eram perfeitos; a ação, incessante; os enigmas, instigantes; a personagem, era apaixonante. Ou seja, fiquei hipnotizado na mesma hora, e ansioso para o segundo volume, que comprei no mesmo dia que chegou às bancas. E a experiência se repetiu. E se repetiu, de forma crescente, nos dezesseis volumes seguintes, em um total de dezoito.


GUNNM é, até hoje, passados catorze anos, ao lado de Lobo Solitário, o melhor mangá que já foi feito. E isso não é exagero meu, como também não é uma opinião exclusiva minha.

James Cameron, o diretor/produtor de Titanic e Avatar, entre outros sucessos, planeja adaptar GUNNM para os cinemas desde que o mangá foi lançado. Até recentemente, era uma tarefa impossível, porque não existia tecnologia boa o suficiente para criar Gally do jeito que ela teria que ser criada. Felizmente, hoje em dia, já é possível, e o filme está em produção, com um elenco definido, inclusive.


Mas, afinal, o que é GUNNM?

A história se passa, principalmente, em duas cidades simbióticas: Zalém, um local idílico, que flutua entre nuvens; e a Cidade da Sucata, que fica logo abaixo de Zalém, e que a abastece e recebe, em troca, todo o seu lixo. E é no meio do lixo, que Ido, um caçador de recompensas aposentado, encontra o tronco de uma ciborgue. Ele resolve reconstruí-la, e dá-lhe o nome de Gally. Os dois começam uma relação de filha e pai, até que Ido descobre que Gally tem alguns dons ímpares para combate, e ele não sabe de onde. Ao mesmo tempo, Gally descobre o passado de Ido e resolve também se tornar uma caçadora de recompensas.


A partir desse ponto, a trama se desenvolve em três grandes atos, que se dividem entre os dezesseis volumes. O primeiro é, exatamente, sua fase como caçadora. O segundo, quando Gally ingressa em uma competição mortal chamada Motorball. E o último arco, quando ela se torna uma espiã, para a captura de um sujeito chamado Desty Nova, que vive em Zalém, e que pode ser o criador de Gally.

Todos os três arcos são impregnados de ação, mortes, violência, reviravoltas, descobertas e uma constante busca por quem é Gally, como possui tantas habilidades, porque estava abandonada em uma sucata, quem foi seu criador, entre outras perguntas. A história de GUNNM lembra, em alguns pontos, a de Pinóquio. Gally tem um cérebro e um coração, ou seja, ela se apaixona, ela deseja ter carne e osso, ela quer ser gente e não apenas uma máquina. Essa humanidade e fragilidade, dentro de um corpo mecânico, que pode matar com um movimento, cria uma dualidade magnífica de acompanhar.


Gally é complexa e apaixonante. Ela passa por muita coisa, sofre muita coisa, perde muitas pessoas. Por isso, temi que o final da história fosse tão trágico quando havia sido, até então, a vida da personagem. Felizmente, no último volume, acompanhamos de forma urgente as respostas para as últimas perguntas, e o esperado final da personagem é um dos mais bonitos que já li.

Mais que isso: é digno e é a recompensa por tudo o que ela passou. Não tem como não guardar o volume dezesseis com um grande sorriso no rosto, mais a saudade de uma Gally magnífica.
Carlos H. Barros
Carlos H. Barros

Carlos tem várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamenta o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco -, e não saber desenhar. Autor também do blog Gettub

15 comentários:

  1. Desconheço muito sobre as publicações de mangás, infelizmente. Tenho uma vontade enorme de ler vários que leio sobre por aí e esse entrou pra lista, com certeza. Muito interessante a história de Gally e você dizendo que o final não foi tão trágico como a vida dela tinha sido retratada, já me fisgou. Não gosto muito de finais trágicos. E vai ter adaptação! Muito bom saber disso <3

    Beijos
    https://monautrecote.blogspot.com.br/

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  2. Com minha pouca experiencia em mangás eu até que gostei desse e uma coisa que gosto muito é daqueles bem mais antigos mesmo como os animes que ando procurando para assistir gosto só dos mais antigos mesmo, esse eu gostei da historia e ainda acho que tem muita luta pela frente.
    Até mais!!!

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  3. Já faz muito tempo que não leio algum tipo de mangá. Mas a premissa é bem interessante!! Gostei bastante da indicação!!
    Bjoss

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  4. Ola, eu já li uma resenh sobre esse mangá, não sou muito fã mas achei super legal a historia, e de como e contanda em forma de quadrinhos, e acho bom porque você aproveita as imagens...achei bastante interessante esse livro, quem sabe né eu possa ler!

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  5. Carl!
    Nunca li nenhum mangá, porém quero inserir em minhas leituras, porque vejo tantos bons comentários, sem contar com as ilustrações que são sempre belas.
    Adorei o enredo de uma ciborgue ser encontrada no lixo e remontada, passando por várias fases até alcançar o último livro e fechar com chave de outro.
    Já anotei aqui, obrigada.
    Desejo uma ótima semana!
    “ O amor é a sabedoria dos loucos e a loucura dos sábios.” (Samuel Johnson)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA ABRIL especial de aniversário, serão 6 ganhadores, não fique de fora!

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  6. Ainda não li nenhum mangá, achei esse interessante pois a Gally tem até sentimentos e se apaixona, sem falar na ação e muito mais. Acho as ilustrações muito bonitas, ainda mais que colocam as mulheres com um corpo esbelto e poderosas rs.

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  7. Não conhecia esse Mangá, parece mesmo ser bem interessante, curto muito esse tipo de história com protagonista mulher.

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  8. Carl que ilustrações lindas e bem feitas, gostei!!
    Qro tentar ler esse gênero logo, estou fascinada!
    Bjs

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  9. As ilustrações são bem interessantes. Pelo que vi tem muita ação e isso sempre prende a atenção na leitura.
    ronida_sindi@hotmail.com

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  10. Oi, Carl!
    São vários os comentários e indicações de diversos tipos de mangás, mas se nem os quadrinhos eu leio com a frequência que gostaria, mangás, então, muito menos. Por pura falta de oportunidade mesmo, já que o preço dos atuais não é mais tão baixo como era antigamente. Ainda assim, fiquei curiosa com essa indicação sua. Acho interessante essas premissas que envolvem robôs e futuro, toda essa coisa da protagonista ser uma ciborgue é mesmo instigante por querer saber sua história antes disso e todas as questões que você citou. Parece ser mesmo uma leitura bem (in)tensa, cheia de adrenalina e fortes emoções, e doloroso saber de antemão que ela sofre tantas perdas e dores, mas que o desfecho dela é tão digno depois de tanta luta, isso realmente faz a leitura que já era tão boa valer ainda mais a pena. Enfim, valeu a indicação!
    Beijos!

    ♥ Sâmmy ♥
    ♥ SammySacional.blogspot.com.br ♥
    ♥ DandoUmadeEscritora.blogspot.com.br ♥

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  11. Hey Carl, tudo numa nice?
    Eu aprendi a gostar de mangá por volta dos meus 16,18 anos. Tudo começou com Naruto pra falar a verdade. Mas acabei perdendo o hábito de ler. Pretendo voltar esse ano e essa é uma boa dica para começar.
    Beijokas
    Quanto Mais Livros Melhor

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  12. Não conhecia essa manga ainda, mas achei a história muito legal. Se eu li uns dois mangas na vida, acho que é muito, acho super bacana a história de alguns, os desenhos, tudo, mas nunca fui atras de algum pra ler. Esse me chamou bastante atenção e me deu muita vontade de ler. Beijos.

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  13. eu li esse mangá faz tanto tempo e só o primeiro volume
    que nem lembro mais dos detalhes
    da época que eu conseguia comprar os mangás...
    nem sei qual mangá eu diria que os top (acho que depende do meu humor)
    gen tb é massa já leu? mas uma temática totalmente diferente... - só pq vc comentou que era o melhor mangá que já tinha lido

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  14. Oi Carlos
    Já li alguns mangás e gostei das historias, mas não acostumei com o formato.
    Gostei do enredo de GUNNM.

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  15. Oi Carlos,
    Desconhecia a história de Gunnm, mas quero muito ler e me encantar como vc se encantou. Gunnm e o Lobo solitário!! Adoro as HQs, pelos desenhos em si e mais que isso todas essas histórias maras envolventes e cheias de ação. Gally é cativante, mistura esse lado robô com características humanas, que busca sua identidade... adorei!
    Um beijo

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