Eu Estou Aqui - Clélie Avit

 No cenário frio e asséptico de um hospital surge a paixão entre Elsa, uma montanhista em coma há cinco meses depois de cair durante uma escalada, e Thibault, que se refugia no quarto da moça, por não querer visitar o irmão, o motorista bêbado que causou a morte de duas adolescentes num acidente automobilístico.
Delicadamente composto, o romance mostra o envolvimento gradual entre dois personagens cuja comunicação se dá instintivamente. Enquanto Thibault pode conversar e incentivar Elsa a retomar o domínio de suas ações, a jovem ouve, percebe e sente toques em seu corpo, mas não tem como comunicar seus desejos e anseios. Os dois passam a se conhecer tanto pelo que transmitem um ao outro – Thibault em suas confidências, Elsa tentando demonstrar que corresponde a seus estímulos – quanto pelo que os amigos da montanhista comentam a respeito do rapaz ou falam a ele sobre Elsa. Junto da moça em coma, Thibault sente-se tranquilo e protegido da revolta contra o irmão, internado em estado grave no mesmo hospital. Elsa, embora cercada pela família e por amigos, se entusiasma com a ousadia de Thibault, que não se acanha em beijá-la. E quando os parentes discutem a possibilidade de desligar os aparelhos que a mantêm viva, é com ele que Elsa conta para lutar por sua própria sobrevivência.
Narrado em primeira pessoa, alternando os relatos dos dois protagonistas, Clélie Avit consegue abordar problemas universais e atuais, como eutanásia, violência no trânsito e alcoolismo. As novas famílias urbanas também se superpõem aos laços biológicos. Thibault acompanha a mãe ao hospital, mas se recusa a enfrentar a situação do irmão, à beira da morte por um desastre causado por irresponsabilidade.
AVIT, Clélie. Eu Estou Aqui. Editora Fábrica 231, 2016. 288p.


Elsa está em coma há cerca de cinco meses devido a um acidente causado ao praticar montanhismo. Thibault vai ao hospital por causa de seu irmão que está internado. Em uma dessas visitas, ele erra a porta e acaba entrando no quarto de Elsa. Então ele decide conversar com a moça, mesmo percebendo que ela está inconsciente.

Essas visitas se tornam cada vez mais frequentes, já que Thibault vai ao menos uma vez por semana acompanhar sua mãe - Ele só vai ao hospital por causa dela, já que não consegue perdoar seu irmão e não quer vê-lo. No quarto de Elsa, Thibault encontra paz. Ele conversa com a moça e até dorme um pouco, mas o que ninguém sabe, é que Elsa consegue ouvir tudo ao seu redor. Porém, após algumas visitas Thibault tem certeza que Elsa consegue mesmo ouvi-lo.

Uma paixão delicada e perigosa surge entre os dois, já que Thibault não sabe se Elsa vai acordar ou se é recíproca. Mesmo assim ele continua fazendo as visitas, com esperança de que a moça acorde e diga que sente o mesmo.

Gostei bastante dos capítulos narrados por Elsa. Apesar de ficar um pouco agoniada com a situação, pois a moça estava presa naquela cama e não conseguindo fazer outra coisa além de ouvir. Ela identificava até mesmo os sons mais baixinhos. Além disso, os sons possibilitaram que sua imaginação fluísse melhor, podendo assim criar as cenas ao seu redor. Suas visitas ganharam cores, que eram atribuídas de acordo com a percepção de seus sentidos. Durante a leitura podemos sentir sua dor ao ouvir os médicos dizendo que suas chances de despertar eram quase nulas e até sua família já não tinha mais esperanças.

Thibault foi um personagem bem confuso para mim. Em certos momentos ele era delicado e até consegui sentir um pouco de afeto por ele. Já em outros, ele se tornava um tanto rancoroso e desbocado, até fez uma cena bem grosseira num bar onde costumava ir. Não foi um personagem que me agradou, mas ainda assim, torci para que ele tivesse um final feliz.

Eu nunca pesquisei nada sobre coma, mas no livro, Elsa estava neste estado cerca de cinco meses e já havia a possibilidade de ser "desligada". Foi um choque pra mim, pois cinco meses é pouco tempo para decidir uma coisa dessas. Na verdade, não sei se há um tempo certo nestes casos e isto é uma coisa de se pensar. Também não sei se este caso se enquadra exatamente na eutanásia, já que a paciente não estava teoricamente sofrendo (não sentia dor). Mas ela não conseguia sobreviver sem a ajuda de aparelhos, o que  pesou muito no pensamento desta possibilidade.

Outro tema abordado no livro é o alcoolismo. O irmão de Thibault matou duas garotas por estar dirigindo bêbado e durante toda a trama este tema corrói os personagens. Isto mostra que não foi só as garotas e suas famílias foram destruídas, mas a do condutor também. Fiquei com tanta pena da mãe de Thibault, que tentava de todas as formas aproximar os irmãos, mas sem sucesso.


Mesmo com esses temas fortes, ainda há um espacinho para um relacionamento amoroso, ou quase isso. Thibault estava se apaixonando por uma completa desconhecida que estava em coma e Elsa, se apaixonando por um desconhecido, sem saber se teria a oportunidade de um dia olhá-lo nos olhos. Mas é tudo tão sutil, que algumas pessoas podem se decepcionar. Creio que se a autora aprofundasse um pouco mais os sentimentos dos personagens, o livro seria mais emocionante. Os personagens secundários não receberam muito destaque na obra, o foco ficou mais entre os protagonistas mesmo. Parece que os secundários só estavam ali para preencher espaços entre os dias de Thibault fora do hospital.

O livro é bem fluido, os capítulos são curtos, revezados entre Elsa e Thibault. A linguagem utilizada é bem simples e encontramos muitos diálogos, o que torna o livro ainda mais rápido. Apesar da estranheza da situação (não é sempre que um homem entrar num quarto de uma mulher em coma e se apaixonar por ela), decidi abandonar a lógica e desfrutar da leitura da melhor maneira possível.  Não foi uma leitura que me agradou totalmente, mas fiquei ansiosa para descobrir o que estava por vir.

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Ninguém nasce herói - Eric Novello

Num futuro em que o Brasil é liderado por um fundamentalista religioso, o Escolhido, o simples ato de distribuir livros na rua é visto como rebeldia. Esse foi o jeito que Chuvisco encontrou para resistir e tentar mudar a sua realidade, um pouquinho que seja: ele e os amigos entregam exemplares proibidos pelo governo a quem passa pela praça Roosevelt, no centro de São Paulo, sempre atentos para o caso de algum policial aparecer. Outro perigo que precisam enfrentar enquanto tentam viver sua juventude são as milícias urbanas, como a Guarda Branca: seus integrantes perseguem diversas minorias, incentivados pelo governo. É esse grupo que Chuvisco encontra espancando um garoto nos arredores da rua Augusta. A situação obriga o jovem a agir como um verdadeiro super-herói para tentar ajudá-lo — e esse é só o começo. Aos poucos, Chuvisco percebe que terá de fazer mais do que apenas distribuir livros se quiser mudar seu futuro e o do país.
NOVELLO, Eric. Ninguém nasce herói. Seguinte, 2017. 384 p.


A realidade de Ninguém nasce herói é absurdamente assustadora, mas, infelizmente, parece cada vez mais possível. Afinal, o que impede o nascimento de um governo totalitário baseado em um fundamentalismo religioso no país quando os extremos estão tão exacerbados? O ódio, afinal, está por toda a parte, gratuito e irracional, contra todo aquele que não se enquadra num "padrão" aceitável. Foi essa a razão que me levou a escolher o livro para leitura e Eric Novello conseguiu criar um enredo bem amarrado e rico, cuja realidade, embora não esteja concretizada, poderia ser real um dia.

O protagonista da trama, Chuvisco, sente que está fazendo sua parte para mudar o mundo ao distribuir livros banidos pelo governo. Quando ele encontra um garoto atacado por uma das milícias urbanas incentivadas pelo governo, sabe que a única coisa certa a fazer é salvá-lo. Chuvisco percebe, então, que distribuir livros pode não ser suficiente para mudar o país, mas qual será o preço disso? Colocar seus amigos e a si mesmo em risco pode resolver as coisas?

"A verdade é que ninguém nasce herói.
Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando."

Narrado em primeira pessoa, o livro traz questionamentos importantes sobre aderir a um sistema em que não se acredita por medo e a coragem de enfrentar as injustiças, ainda que seja por pequenos gestos. A forma como o autor construiu a aura de medo que os personagens enfrentam foi meticulosa, tanto que consegui sentir a tensão como se estivesse naquele momento político, e a crítica velada sobre as pessoas que fingem não ver as atrocidades para se protegerem se assemelhou bastante às demais ditaduras que já vivenciamos no país.

Em minha opinião, o aspecto político do livro foi seu ponto alto, pois trouxe reflexões relevantes sobre opressão, violência, preconceito e a inversão do papel do Estado, que ao invés de defender e proteger, agride seus cidadãos. Aliás, a realidade do livro não difere tanto assim do que o país vivencia hoje, mas mostra quão pior pode ser se deixarmos intolerantes ocuparem papéis tão importantes no poder.

Outro ponto interessante da leitura e que foi bem trabalhado pelo autor foi a diversidade de seus personagens. Gays, negros, transexuais, todos estavam representados no livro e o mais fascinante sobre isso é que o autor conseguiu inseri-los sem pender para um lado preconceituoso nem caricato. Eram pessoas comuns, pessoas incríveis, e, na verdade, o que menos importava neles era como aparentavam ou suas opções sexuais. 

Meu único problema durante a leitura foram as catarses criativas de Chuvisco. O personagem sofre de algum tipo de distúrbio em que confunde fantasia com realidade e, nos momentos mais tensos da trama, a catarse tomava grandes proporções, a ponto de o garoto narrar os acontecimentos como se fosse um super-herói com armadura e tudo o mais. O fato de essas fantasias acontecerem somente na mente de Chuvisco torna a  trama confusa, pois ele descreve situações que não acontecem de verdade. Em alguns pontos, é difícil distinguir o que é realidade ou não - e eu entendo que essa confusão aconteça também na mente do personagem -, mas isso tornou a leitura cansativa para mim a ponto de eu levar dias para concluir um único capítulo. Sei que essa característica do personagem teve relevância para sua construção e para o enredo, mas, no meu caso, foi o grande problema do livro, e sinto que teria gostado muito mais sem esses momentos fantasiosos.

Ninguém nasce herói, apesar de confuso em alguns momentos, foi uma boa leitura, que mostrou a importância de lutar por aquilo em que se acredita e que não é preciso ter grandes poderes para ser herói na vida de alguém.

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As Aventuras de Tom Sawyer - Mark Twain

Sinopse: Órfão desde bebê, Tom Sawyer vive com sua tia Polly, seu irmão, Sid, e sua prima, Mary, num vilarejo às margens do rio Mississipi, nos Estados Unidos. Menino de bom coração, de bom caráter, Tom é também muito levado e esperto, e vive aprontando, sozinho ou com seu melhor amigo Huckleberry Finn, um garoto que mora nas ruas, dorme em barris vazios e come o que lhe dão. O tempo todo, os dois vivem aventuras emocionantes, na maioria das vezes, imaginárias. Frequentam cavernas, cemitérios, casas mal-assombradas e ilhas desertas. Brincam de pirata, de pele-vermelha, de Robin Hood, caçam tesouros, planejam formar uma gangue de ladrões e ficar ricos. E é numa dessas brincadeiras que suas aventuras se tornam bem reais e assustadoras… (Skoob)
TWAIN, Mark. As Aventuras de Tom Sawyer. Editora Autêntica, 2017. 240 p.

As Aventuras de Tom Sawyer foi o primeiro livro que li na vida. Na época, eu devia ter sete ou oito anos (ou seja, dez anos atrás). Lia apenas gibis da Marvel, Disney e Maurício de Souza, achava livros sem graça, chatos, longos demais, principalmente por não terem figuras. Então, eu fiquei de recuperação em Português e precisei de uma professora de reforço. Ela, logo na primeira aula, me passou a obra de Mark Twain. Eu fiz cara feia, mas ela prometeu que eu iria gostar daquele livro, que ele mudaria minha vida. E ela acertou.

Mark Twain escreveu As Aventuras de Tom Sawyer em 1876, na Flórida, em uma cidade às margens do rio Mississipi, sul dos Estados Unidos, onde ainda predominava o sistema de escravidão. Por isso, logo na primeira página desta nova edição da editora Autêntica, existe um aviso de que o texto possui referências racistas, preconceituosas e machistas, mas que são um reflexo da época. Mas isso acaba por ser uma das inúmeras qualidades da obra, uma vez que os relatos são baseados em fatos reais da infância do autor e seus amigos, permitindo um estudo profundo sobre o comportamento da sociedade americana de dois séculos atrás. Enquanto Tom Sawyer é a junção de duas crianças que conviviam com o autor, Huckleberry Finn, o inseparável amigo de Tom, realmente existiu, mas com outro nome.

O que conquista na obra de Twain, são o humor suave, bem colocado, com uma sátira tão delicada, que o leitor se surpreende; situações totalmente abstraídas de qualquer maldade adulta; uma clara conduta de boa moral, independentemente das estripulias cometidas por Tom; uma separação forte entre o mundo infantil e o mundo adulto, muito semelhante ao que foi feito décadas mais tarde no desenho do Snoopy, quando os adultos apareciam apenas da cintura para baixo e suas falas eram incompreensíveis. O que os adultos falam e como se comportam no livro é refletido pelos olhos de uma criança, e é com essa narrativa que Twain conquista o jovem, porque ele se vê refletido na forma como a história é contada, como se fosse um amigo ou colega.

A inocência presente em As Aventuras de Tom Sawyer é de uma construção que não se encontra mais em qualquer obra adolescente de hoje em dia. As brincadeiras de Tom e seus amigos se resumia a uma realidade pobre, onde não existiam brinquedos, além daqueles que a natureza fornecia, ou que eram encontrados no lixo ou abandonados. Então, para quem nunca brincou nas ruas de um bairro, ou em terrenos abandonados, jogando bola, ou pulando o quintal para roubar frutas, ou mesmo nadou em um rio perto da cidade, vai se espantar em como é necessário muita criatividade e inocência para transformar objetos, acontecimentos, animais e insetos em algo que ocupa a maior parte do dia.

Os brinquedos de Tom, e das outras crianças, eram besouros, bolinhas de gude, cordas, carreteis de linha, carrapatos, frutas, visitas furtivas a lugares proibidos, como cemitérios, ou promessas de amizade. Você se pergunta: como brincar com besouros e carrapatos? Bem, com os carrapatos, eles faziam corridas, para ver para onde eles seguiam; enquanto os besouros, podiam ficar presos em animais, obrigando-os a correrem, o que originou um dos trechos mais engraçados da obra.

Mas o que acontece nos capítulos do livro vai além das brincadeiras. O leitor acompanha como eram as aulas em um colégio religioso da época, onde os castigos de maus comportamentos e notas baixas eram aplicados com palmatórias; onde existiam apresentações de trabalhos, não para os professores, mas para educadores e diretores importantes de toda a região; onde crimes eram resolvidos apenas com testemunhas ou sob a presença de uma arma que apontasse diretamente para quem a usou.

Sim, crimes. As Aventuras de Tom Sawyer tem sua dose de perigo e mistério, quando Tom e Huck, por acidente, acabam presenciando um homicídio. Ao mesmo tempo em que o leitor fica apreensivo por tentar descobrir a forma como eles podem escapar de serem mortos por homens sem qualquer temor pela lei, quase inexistente naquela época, sentimos vontade de rir pela forma como as duas crianças vão resolvendo as coisas e preparando armadilhas que ajudem as autoridades a capturarem os culpados, sem que possam se envolver diretamente. As conversas deles, regadas por medo infantil e ideias totalmente desprovidas de conhecimento do perigo, são hilárias.

Bem como também são hilárias as peças que Tom prega na tia, como quando Huck e ele fogem, todos pensam que eles morreram, e eles resolvem voltar no dia do enterro deles, com uma entrada triunfal na igreja, que é seguida por choros, abraços e, depois, um bem merecido castigo. Ou as tentativas de Tom em conquistar a menina por quem é apaixonado, as juras de amor e fidelidade para um sempre que eles não conhecem, as brigas originadas por desencontros, as fugas para encontros proibidos, entre outras situações tão singelas, que é impossível não se derreter e amar os personagens.

Por todas essas coisas, e muitas outras que você só poderá descobrir lendo a obra, que eu fui conquistado pela leitura. Tom Sawyer foi o primeiro personagem que conversou comigo de igual para igual, mostrando sentimentos, ações e uma realidade que eu conseguia aceitar e desejar. Ele abriu as portas para um mundo de palavras que permite uma pessoa viajar para qualquer lugar pelo tempo que a leitura durar. Tom foi tão real para mim, que ele parece um amigo que tive na minha época de infância, que me ensinou a brincar com aquilo que eu dispunha, a procurar amigos que são dignos de confiança e a lutar por um futuro que torne realidade aquilo que eu sonho.

Mark Twain, logo após As Aventuras de Tom Sawyer, escreveu As Aventuras de Huckleberry Finn, considerada a maior obra juvenil americana, que faz parte do currículo escolar e é obrigatória em todas as escolas, onde o leitor acompanha a viagem de Huck, e de um negro escravo fugitivo, pelo rio Mississipi, quando eles vivem diversas situações, algumas engraçadas, outras dramáticas e perigosas. Nessa viagem, Twain faz uma análise de toda a sociedade da época, abrangendo a escravidão, o preconceito e as relações entre as pessoas. É uma leitura intensa, mais adulta do que a de Tom Sawyer. Pretendo fazer resenha em breve, aqui no blog, então não perca ;)

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Troféu Literário 2017 #2: Os personagens


Como comentei na postagem anterior, o Troféu Literário 2017 é uma retrospectiva criada pelo blog Além do Livro, junto com o Insta @ka_indica.

A categoria de hoje são os personagens. Quem quiser conhecer as resenhas dos livros, basta clicar nas imagens, ok?

O meu personagem queridinho


Os livros de Para todos os garotos que já amei foram daquele tipo de aquecer o coração, então Lara Jean se tornou uma das personagens queridinhas da vida - e Peter também, aliás. Em 2017 pude ler Agora e para sempre, Lara Jean, último livro da série, que mostrou o amadurecimento da personagem de uma forma lindíssima.

O personagem que me deu nos nervos


Ultimamente, vários personagens têm me dado nos nervos. Antes eu era a paciência em pessoa e tentava compreender o porquê de cada ação, mas o último ano me mostrou que peguei birra de mimimi. Lully, a protagonista de #Fui é um bom exemplo disso, mas preferi escolher para essa categoria Sasha, a protagonista da série Fortaleza Negra. Tenho que dar o braço a torcer que Sasha amadureceu durante a série e se tornou suportável, mas criei uma relação de amor e ódio com ela, pois ela me tirava a paciência o tempo todo. No último livro quase não tive mais do que reclamar, que fique claro.

O meu casal queridinho


Minha vontade de escolher Peter e Lara Jean foi grande, mas como eles já estão listados em outra categoria, acho que é a vez de dar uma chance para outro casal. Por isso, outro casal queridinho do ano foi Addie e Louis, protagonistas de Nossas Noites. O livro conta um romance entre esses dois septuagenários, que nasce sem aquela pressa da juventude, mas que cresce nos pequenos detalhes do dia a dia. Fofo demais.

O casal que me fez querer vomitar


Ainda não publiquei a resenha de As cores do amor aqui no blog, então deixem-me explicar por que listei Henrique e Sílvia como o casal que me fez querer vomitar: eles não são tão ruins assim, mas foi o casal com menos química em todos os livros que li esse ano. Acabei não torcendo por eles, então, aqui estão.

O personagem coadjuvante que roubou a cena


Qualquer um que tenha lido a série Fortaleza Negra com certeza vai citar esse personagem coadjuvante: Kurt. Arrisco dizer até que ele foi o melhor de toda a história, porque ele que fez a graça desses livros. E o personagem ganhou tanto destaque que, nos dois últimos livros, teve até capítulos dedicados ao seu ponto de vista, em primeira pessoa.

O personagem coadjuvante que eu mataria


É difícil explicar esse personagem que, na verdade, é um dos principais da trama de A Química: Daniel. Ele foi tão indiferente e destoante de todo o enredo que acho que poderia ter morrido no meio do livro que não faria tanta falta assim. Para mim, o personagem foi a única coisa negativa nessa nova história de Stephenie Meyer.



Conhecem algum desses livros? Quais classificariam nas categorias?

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Pegando Fogo - Abbi Glines

Sinopse: Nan Dillon, a bad girl de Rosemary Beach, é uma garota imatura e egoísta que não tem outra preocupação na vida a não ser manter o corpinho perfeito. Só que Nan está longe de ser feliz: nunca teve o amor dos pais, o irmão adorado não tem mais tempo para ela, e Grant, o único homem de quem gostou de verdade, resolveu trocá-la pela meia-irmã dela.
Então, quando Major Colt a convida para sair, ela não pensa duas vezes. Apesar de saber que esse texano charmoso e de fala mansa não quer nada sério, ficar com ele é melhor do que estar com as colegas fúteis ou passar as noites sozinha vendo televisão.
Mas logo Nan fica farta do comportamento descompromissado de Major e, depois que ele a deixa plantada em casa mais uma vez, decide ir a Las Vegas para um fim de semana sem regras e sem limites. Lá, conhece Gannon, um empresário sedutor e perigoso que sempre diz exatamente o que ela quer ouvir.
Quando Major vai atrás dela implorar por uma segunda chance e Gannon mostra que não é tão perfeito quanto ela pensava, Nan tem que decidir a quem entregar seu coração. O que ela não percebe é que os dois têm uma estratégia de longo prazo para ela - e já estão várias jogadas à sua frente. (Skoob)


Livro recebido em parceria com a Editora
GLINES, Abbi. Pegando Fogo. Editora: Arqueiro, 2017. 224 p.


Pegando fogo é o decimo terceiro livro da série Rosemary Beach, escrito pela autora Abbi Glines e publicado aqui no Brasil pela Editora Arqueiro. Nesse volume conheceremos a história de Nan, que é irmã de Rush, protagonista do primeiro livro.

Nan é uma personagem que desde os primeiros livros se destacou pelo egoísmo, uma mulher que é indiferente a tudo e a todos (exceto seu irmão) que não mede esforços para conseguir o que quer. Todavia a personagem que conheci nesse livro não é a Nan que aparentou ser nos volumes anteriores; essa mulher é atormentada pela constante rejeição que sofreu e sofre, ele é amargurada e aceita qualquer tipo de amor que puder, a ponto de se envolver com alguém que não quer nada sério com ela. 

"Eu queria ser a Harlow de alguém. Ou a Blaire. Mas eu sempre seria a Nan. E ela não bastava. Nunca havia bastado, e definitivamente não ia mais tentar bastar."

O relacionamento de Nan e Major é complicado, Major é um homem que adora mulheres e não está disposto a abir mão dessa sua vida de curtição, o que faz com que ele e Nan tenha um relacionamento aberto. Cansada de ser insuficiente, ela parte para Las Vegas, e lá conhece Gannon, um homem misterioso com um lado bem dominador que desperta dela diversos sentimentos, porém, como nem tudo é tão fácil, as coisas estão prestes a ficar complicadas. 

Eu ainda não sei bem o pensar desse livro. Tudo bem que agora eu entendo a Nan e tudo o que a movia a agir daquela forma, entendi seu passado e como alguns pontos de sua vida realmente fizeram um estrago no seu emocional. No entanto, não consegui engolir o papel de boa moça que a autora quis dar a personagem, simplesmente não entendo como ela pode ter mudado tão rápido, já que nos livros anteriores ela mostrou, sim, suas garras. 

Um ponto que para mim foi o mais negativo, foi o triangulo amoroso, e não falo isso porque não gosto (o que é verdade), falo pois não houve química entre os personagens, a impressão que tive é que eles estavam ali para causar conflitos e nada mais. 

"Todos os homens são mentirosos. Até os bonitinhos e de bom coração."

Outro aspecto que ao meu ver foi o melhor em todo o livro foi acompanhar o relacionamento da Nan com seu sobrinho e ver o amor que ela tem por ele, isso foi fofo e acho que nesse ponto meu coração amoleceu um pouco por ela, mas não muito, já que não me convenci de forma alguma que ela tenha mudado tão drasticamente. 

Apesar de todas as ressalvas em relação aos personagens e algumas atitudes que eles tomam, no contexto geral, esse foi um livro que li relativamente rápido, a narrativa é bem fluída e é feita em primeira pessoa intercalando entre os personagens, a capa é bem bonita e não encontrei nenhum erro durante a leitura. 

Não posso dizer que esse livro foi o melhor para finalizar a série, porém, deixando isso de lado, estou animada pela próxima série que a editora irá publicar da autora que tem como nome Sea Breeze, recomendo a leitura da série, pois apesar de tudo, ela ainda é umas das minhas favoritas.


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Selvagens - Don Winslow

Sinopse: Ambientalista e filantropo nas horas vagas, Ben comanda um negócio de venda de maconha em Laguna Beach. Ao lado de seu parceiro, o ex-mercenário Chon, ele fatura lucros consideráveis e mantém uma clientela fiel. No passado, quando seu território foi invadido, Chon tratou de eliminar a ameaça. Agora, porém, eles parecem estar diante de uma força da qual não podem dar conta: o Cartel de Baja, do México quer tomar a região e avisa que não irá aceitar uma negativa como resposta. Quando os dois amigos se recusam a recuar, o cartel reforça a advertência sequestrando Ophelia, companheira e confidente dos rapazes. O sequestro deflagra uma gama alucinante de negociações habilidosas e reviravoltas inacreditáveis, que deixarão os leitores ansiosos para descobrir o custo da liberdade e o preço de um grande barato. Uma engenhosa combinação entre o suspense carregado de adrenalina e a reportagem policial, Selvagens é um thriller alucinante, escrito por um mestre do gênero no auge de sua carreira. (Skoob)
WINSLOW, Don. Selvagens. Intrínseca, 2012. 288p.


Ben e Chon são melhores amigos totalmente diferentes que têm um negócio de venda de maconha juntos. Ben foi para a faculdade e se formou em botânica e marketing, então sabia fazer a semente mais eficiente, com níveis de indica e sativa pedidos pelos clientes e administrar o negócio e vender o ótimo produto que criou. Chon foi do exército, então ele cuidava da parte da violência (além de ter trazido as sementes mais fortes do mundo, do Afeganistão), porém isso vai mudar depois que a namorada deles, Ophelia, é sequestrada, e Ben vai precisar sujar as mãos também.

Selvagens é cheio de violência, sexo e palavrões. Ao mesmo tempo que pessoas horríveis cometem atrocidades, consegue ser engraçado dependendo do seu humor, porque tem umas piadas bem politicamente incorretas, humor negro e tal. E dentro disso, tem crítica social também.

O livro tem uma estrutura bem diferente. Não é dividido em capítulos, é dividido por números que às vezes vêm depois de uma única frase. Também tem partes escritas em formato de roteiro cinematográfico.

O final, eu não entendi muito bem. Eu imaginei várias possibilidades para ele. No filme, ele é igual, então me ajudou a entender, mas eu ainda fico pensando se é exatamente aquilo, inclusive pela narração da O. no início do filme, que é bem diretamente relacionada ao final. Já o livro tem um narrador observador. Por falar no filme, eu acredito que ele manteve tudo que era importante para a história, apesar de ter mudado algumas coisas.

Eu gostei muito do livro e fiquei interessada em saber se ele é um pouco baseado em cartéis reais como Narcos, por exemplo, mas eu não achei nada falando a respeito. Mesmo assim, é uma história que parece realista, a construção dos personagens e de toda a trama, os locais que realmente têm muitos traficantes.

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Novidades #182: Lançamentos Editoras Parceiras

Embora dezembro, via de regra, seja o mês de pausa nos lançamentos das Editoras, neste ano várias delas trouxeram títulos especiais, como foi o caso da Editora Intrínseca, que lançou Ordem Vermelha para a CCXP, e da Editora Sextante, que trouxe a biografia de Renato Aragão. 

Além disso, outras Editoras também não pausaram os lançamentos, e vim trazer essas novidades para vocês. Quem quiser conferir mais informações sobre os livros, basta clicar nas capas.

Editora Intrínseca


Editora Sextante


Ler Editorial


Grupo Editorial Pensamento



Agora me contem: quais vocês leriam?

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Por trás de seus olhos - Sarah Pinborough

Sinopse: Não confie neste livro. Não confie nestas pessoas. Não confie em você.
Louise é mãe solteira, trabalha como secretária e está presa à rotina da vida moderna: ir para o escritório, cuidar da casa, do filho e tentar descansar no tempo livre. Em uma rara saída à noite, ela conhece um homem no bar e se deixa envolver. Embora ele se vá logo depois de um beijo, Louise fica muito animada por ter encontrado alguém.
Ela só não esperava que seu novo e casadíssimo chefe seria o homem do bar. Apesar de ele fazer questão de logo esclarecer que o beijo foi um equívoco, em pouco tempo os dois passam a ter um caso. Em uma terrível sequência de erros, Louise acaba ficando amiga da esposa do amante. E, se você acha que sabe para onde esta história vai, pense de novo, porque Por trás de seus olhos não se parece com nenhum livro que já tenha passado por suas mãos. À medida que é arrastada para a história do casal, Louise acaba com mais perguntas que respostas e a única coisa certa é que algo naquele casamento está muito, muito errado.
Em Por trás de seus olhos, best-seller do Sunday Times e do The New York Times, Sarah Pinborough não só reinventa o tradicional triângulo amoroso, como o vira do avesso e de ponta-cabeça, numa trama “com tantos jogos mentais que você vai começar a se perguntar se esse triângulo tem mesmo três lados”, como destaca Josh Malerman, autor de Caixa de pássaros. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora.
PINBOROUGH, Sarah. Por trás de seus olhos. Editora Intrínseca, 2017. 352 p.

Já leu um livro louco a ponto de fritar seu cérebro e te deixar sem saber o que pensar por muito tempo de tão chocado que você ficou? Se sua resposta for sim, repense esse conceito, porque tudo que achei louco antes de ler esse livro na verdade era bem lightPor trás de seus olhos, de Sarah Pinborough, é esse tipo de livro, que você precisa ler com a mente bem aberta para gostar, porque ele ultrapassa todos os limites da racionalidade e até da realidade. É genial, sim, mas é destrutivo, e estou em conflito sobre ele ainda.

Não quero contar muito sobre a trama, porque o que a torna tão instigante é, definitivamente, o elemento surpresa; mas preciso pincelar uma ou outra coisa para poder comentar o que de fato senti ao ler esse livro. A história começa com um triângulo amoroso - e não, não pense que há clichê, porque não há: David e Adele são casados, e Louise se vê envolvida de forma irremediável com os dois. Ela se tornou sua amiga. Ele se tornou seu amante.

Os capítulos se alternam, em primeira pessoa, entre Adele e Louise, e em alguns momentos há ainda outros trechos para contar acontecimentos do passado. Todos são capítulos curtos, então é fácil passar da metade do livro sem perceber. No início, ele é apenas um thriller - com suspense, muita coisa não explicada e uma dualidade indecifrável dos personagens. Louise é mais transparente, mas David e Adele são instigantes e, na mesma medida, amedrontadores, já que não sabemos qual deles tem algo a esconder.

"[...] Mas o encontro com o homem-do-bar me fez lembrar de como era bom sentir algo. Como mulher. Eu me senti viva. Até pensei em voltar lá e ver se ele retornaria para me encontrar, Mas, é claro, a vida não é uma série romântica. Ele é casado. E eu fui uma idiota."

Em algum momento do livro, quase discretamente, algo muda. É um pouco confuso, porque, do nada, toda a perspectiva sobre a obra é alterada, tanto que comentei no Instagram que tive a impressão de que o livro tinha mudado de gênero no meio do caminho. Percebo agora que haviam indícios sobre essa revelação desde o começo, mas foi fácil ignorá-los, até o momento em que a autora tornou isso impossível.

Com toda a certeza do mundo, posso dizer que ninguém conseguirá imaginar o final trazido pela autora. É atordoante, ilusório e muito, muito revoltante. Por trás de seus olhos não é uma leitura fofa e de aquecer o coração; tem mais a ver com loucura e com manipulação. Os personagens se manipulam o tempo todo e nós também somos manipulados pela autora durante o livro. Não gostei nadinha da forma como a autora fechou a história, mas preciso ser sincera e dizer que foi um final bem excêntrico e fascinante. É aí que está o conflito de que falei no início da resenha.

"A verdade é diferente para cada um."

Por isso tudo, acredito que quem iniciar a leitura com a mente aberta terá uma grande chance de gostar do livro, porque ele é definitivamente surpreendente. Fiquei algum tempo em dúvida sobre ser um livro muito bom, ou sobre me sentir traída pelo twist que a autora criou; fiquei em choque por um bom tempo. Agora, alguns dias depois de finalizar a leitura, concluí que é sim um livro muito bom e definitivamente uma das leituras mais instigantes de 2017.

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A Hora do Lobisomem - Stephen King

Sinopse: O primeiro grito veio de um trabalhador da ferrovia isolado pela neve, enquanto as presas do monstro dilaceravam sua garganta. No mês seguinte, um grito de êxtase e agonia vem de uma mulher atacada no próprio quarto. Agora,a cada vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker’sMill, surgem novas cenas de terror inimaginável. Quem será o próximo? Quando a lua cresce no céu,um terror paralisante toma os moradores da cidade. Uivos quase humanos ecoam no vento. E por todo lado as pegadas de um monstro cuja fome nunca é saciada. Um clássico de Stephen King,com as ilustrações originais de Bernie Wrightson. (Skoob)
KING, Stephen. A Hora do Lobisomem. Editora Suma de Letras, 2017. 152 p.

A primeira vez que tive contato com esta história de Stephen King, foi através de um filme que passava na Sessão da Tarde na época do colégio, Bala de Prata. Nos créditos, descobri que era baseado em um livro e corri atrás para conseguir. Agora, apenas um par de anos mais tarde :), foi lançado este novo volume, ilustrado e com um capricho de fazer chorar.

Narrado em terceira pessoa, no mesmo tom de um contador de histórias, cada capítulo é um mês do ano e um ataque diferente que o lobisomem faz. Sempre em luas cheias, que o autor faz questão de explicar não seguir a padrão natural, mas forçar a coincidência com momentos importantes, como feriados e datas comemorativas, a criatura vai, aos poucos, aterrorizando e matando os habitantes de uma pequena cidade no interior dos EUA.

King não economiza nas descrições dos ataques, o que fica ainda mais visceral por causa das ilustrações das mortes em cada capítulo. Feitas com traços a lápis, ou imitando, elas combinam com o tom casual da narrativa. No fim do livro, somos brindados com mais cinco pinturas feitas por artistas diferentes das partes que eles mais gostaram da história. Estilos diferentes, proporcionam uma beleza e tornam a edição ainda mais primorosa.

A Hora do Lobisomem é aquele terror clássico juvenil, seguindo a tradição do monstro, inclusive com sua fraqueza quanto a balas de prata, por isso o título da adaptação cinematográfica. O livro é bem curto, quase um conto, e pode ser lido sem qualquer pausa. E, como sempre, King traz a salvação nas mãos do mais improvável herói, o que torna a sensação de nostalgia ainda maior.

Divertido, curioso, é uma obra indispensável na estante de qualquer leitor, que, após ser lida, deixa uma vontade imensa no leitor de procurar por mais histórias do gênero. Infelizmente, vai ser difícil de encontrar, ainda mais que os lobisomens de hoje em dia, ficam correndo de tronco nu por florestas onde vivem fadas que são confundidas com vampiros. ;)​

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Troféu Literário 2017 #1: Os Melhores e Piores


O blog Além do Livro, junto com o Insta @ka_indica, criaram o Troféu Literário 2017, que funciona como uma retrospectiva cheia de categorias. Eu nunca tinha participado, mas já que não me inscrevi em nenhuma outra retrospectiva este ano, decidi arriscar. Serão cinco postagens aqui no blog, cada uma com uma categoria, conforme a Nadia explica lá no post dela. Não farei em dias subsequentes, mas vou tentar postar tudo até dia 31. Tenho até um cronograma bonitinho, agora cumprir é outra coisa. Vamos ver se dá certo.

A categoria de hoje são os melhores e piores do ano. Quem quiser conhecer as resenhas dos livros, basta clicar nas imagens, ok?

O melhor livro


Acho que consigo contar nos dedos os livros que realmente gostei esse ano, aqueles que ultrapassaram a linha do "é bom, mas...". Para ser sincera, Jogo de Espelhos não foi o único, mas quando olhei a lista de livros que li esse ano, foi ele que me deu aquele calorzinho no coração, por ter conseguido me surpreender e me fazer feliz ao mesmo tempo.

Sei que não é justo, mas não posso deixar de citar nessa categoria também Agora e Para Sempre, Lara Jean e Matéria Escura.

O pior livro


Tive algumas decepções literárias em 2017, e olha que sou uma pessoa que gosta de ver o lado bom das coisas. Acredito, porém, que estou me tornando mais exigente e isso se reflete também em minhas leituras. #Fui foi uma leitura difícil, a mais difícil deste ano, a ponto de pular páginas, coisa que nunca fiz antes. Não foi de todo uma leitura desagradável, mas expliquei o porquê disso na resenha do livro.

O livro com a melhor capa


Quem nunca leu um livro pela capa que atire a primeira pedra!

Tem tanto livro com capa bonita por aí que acho que essa foi a pergunta mais difícil de responder, mas optei por Mitologia Nórdica porque, apesar de simples, o design clean em capa dura torna ela simplesmente MARAVILHOSA. Outras capas poderiam entrar nessa categoria, claro, mas acho que nenhuma é tão bonita quanto essa.

O livro com a pior capa


Depois de toda a trilogia com essas meninas na capa ilustrando as protagonistas da história, achei que o terceiro livro da série Olho por Olho ficou cansativo e até feio. Gosto é subjetivo, não é? E eu realmente acho que a capa de Fogo por Fogo poderia ter sido melhor.

O título mais genial


Ainda não publiquei a resenha de Por trás dos seus olhos, então só posso dizer que só depois de terminar o livro é que se pode compreender o quanto esse título é perfeito para a história.

O título mais nada a ver


Posso até ter colocado Sombras Vivas aqui porque já faz tempo que li e não consigo me lembrar de todos os dados do enredo. Mas se alguém aí já leu, refresque minha memória sobre o por que desse título? Não parece ter nada a ver com a história.

O melhor enredo


Matéria Escura também assumiu a posição de um dos melhores livros do ano, então eu não poderia deixar de citá-lo aqui. Segundo minhas próprias palavras, genial é a palavra para esse livro, que tem o enredo instigante e cheio de reflexões.

O pior enredo


A leitura de A Tempestade não foi traumatizante, nem nada assim, mas eu achava que iria encontrar um thriller de de tirar o fôlego e me deparei com uma trama adolescente mais voltada para o romance do que o suspense. Isso não foi muito animador e resultou em uma obra que tinha uma proposta ótima para se tornar um livro memorável, mas não aproveitou o que tinha de melhor.



A categoria ainda tem outras duas classificações: O livro que rendeu a melhor adaptação cinematográfica e O livro que rendeu a pior adaptação cinematográfica. Só que eu quase não vi adaptações cinematográficas esse ano, então não vou responder essas duas.

Quais livros vocês escolheriam para cada categoria?

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Meu Livro. Eu Que Escrevi. - Raony Phillips

Sinopse: Duny (lê-se Dani) é uma celebridade de alcance mundial, alçada ao estrelato por seu imenso talento, inteligência, classe e beleza incomparáveis. Ou, pelo menos, era isso o que ela esperava da vida - que, no caso de Duny, se resume basicamente a um loop infinito de lacres, barracos e baixarias cometidos em busca da fama. Meu livro. Eu que escrevi é o maior deles. Conhecida dos fãs principalmente por trabalhar e morar na Pensão da Tia Ruiva e ser uma das estrelas da websérie Girls in the House, Duny hoje comanda também o reality show investigativo Disk Duny e é comentarista on-line de premiações como o Oscar e o Grammy para uma grande rede de TV, mas ela já passou por muita coisa nessa vida: da humilhação pública de fazer agachamentos em trajes sumários num programa de auditório a fingir que suporta crianças só para ser babá da filha de uma artista famosíssima e ficar um tantinho mais perto dos maiores nomes da música pop.

Livro recebido em parceria com a Editora.
Raony Phillips. Meu Livro. Eu Que Escrevi. Editora Intrínseca, 2017. 168 p.


Provavelmente você já ouviu falar sobre a websérie Girls In The House, criação do Raony Phillips. Sim, você não viu errado, tudo acontece no universo de The Sims — claramente meu jogo preferido da vida sim, amava colocar as pessoinhas para nadar e tirar a escada — e o próprio autor dubla praticamente todos os personagens, inclusive a "autora" de Meu Livro. Eu Que Escrevi., Duny Eveley.

A obra é dividida em nove capítulos onde a personagem narra acontecimentos marcantes da sua vida. Apesar de cada parte conter uma historia diferente, todas estão interligadas, ou seja, não deixam nenhuma ponta solta. Esse ponto acabou me surpreendendo bastante, porque nunca havia encontrado essa qualidade em nenhum outro livro de youtuber que li, muito pelo contrário. Todas as outras obras de autores do ramo que tive contato não possuem nexo algum. 

O ponto alto do livro é o lado cômico escrachado que já conhecemos da série — se você ainda não viu, pare de ler essa resenha agora e comece, sério —, o que pode ser bom para quem gosta ou péssimo para quem não vê graça alguma nesse tipo de humor. Outro ponto positivo é a diagramação super caprichada da Editora Intrínseca, com direito a ilustrações e muita cor. 

Meu Livro. Eu Que Escrevi. é perfeito para quem adora ironia e quer dar boas risadas, principalmente no que diz respeito à Duny, a personagem mais debochada e desbocada quem existe no universo. Porém, o que para mim é uma qualidade, pode desagradar àquelas pessoas que possuem um senso mais crítico (lê-se pessoas sem graça). 

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Promoção: Sorteio de Natal


O fim do ano está chegando e o Grupo Blogueiras Unidas (Blogs As 1001 Nuccias, Entre Livros e Pergaminhos, CuraLeitura e Clube do Livro e Amigos) quer comemorar o ano incrível que 2017 foi e torcer para que 2018 seja muito mais junto com vocês!

Por isso, vários blogs foram convidados para um sorteio bem recheado de presentes!

Venham com a gente!


EDITORAS:

AUTORES:


BLOGS:


REGRAS GERAIS:

- Residir (endereço de entrega) em território nacional.

- Preencher as regras obrigatórias de cada formulário. Cada entrada obrigatória VALE 1 PONTO!

- Após preencher todas as obrigatórias, o formulário irá liberar as regras opcionais. Cada entrada opcional VALE 5 PONTOS! Você pode não preenche-las, mas lembre-se que quanto mais fizer, mais chances tem de ganhar.

- O sorteio é válido até o dia 05/01/2018 às 23:59 hs. O resultado será divulgado até o dia 10/01/2018, nesta postagem e em cada blog/fanpage participante.

- Todos os e-mails fornecidos estão preservados e não serão divulgados.

- O(s) vencedor(s) tem até 2 dias após divulgação do resultado para enviar endereço completo (com CEP) para o e-mail >> nucciadecicco@gmail.com

- No mail que responderemos, constará uma lista dos prêmios do kit com o nome, link e contato de cada blog ou autor responsável por ele.

- Cada blog e autor é o único responsável pelo envio do seu prêmio.

- O prêmio será enviado até 28/02/2018, sem contar a entrega dos Correios. Nenhum de nós será responsabilizado por danos, extravios ou retorno das encomendas. Após 15/03/2018, nada mais poderá ser reclamado.

- O prêmio é individual, intransferível, não passível de troca e não poderá ser convertido em dinheiro.

- A participação nesta promoção implica na aceitação total e irrestrita de todos os itens deste regulamento.

- Este concurso é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita.

- Questões não previstas nesse regulamento serão analisadas pelo blog As 1001 Nuccias.

KIT 1


Livro A última camélia + 20 marcadores – Conjunto da Obra
Livro Mulheres - retratos de respeito, amor-próprio e dignidade + 10 marcadores – Cia do Leitor
Livro A Melodia Feroz – Eu pratico livroterapia
Livro Liberte-se – Meu vício em livros
Livro Arcanista (e-book) – Joe de Lima
10 marcadores – Curaleitura
30 marcadores – Literalizando Sonhos


KIT 2


Livro O cambista do cais do porto + 10 marcadores – Pétalas de Liberdade
Livro Twittando o Amor + 10 marcadores – Seguindo o coelho branco
Livro Felizmente, o leite + 15 marcadores – Vivendo Sentimentos
Livro Natal férias e outras histórias + 15 marcadores – Estante Diagonal
Livro Dragão de Gaia (e-book) – Joe de Lima
10 marcadores - Curaleitura
10 marcadores autografados por autores – Elvis Gatão


KIT 3


Livro Nêmesis (capa dura) + 20 marcadores – Alegria de viver e amar o que é bom
Livro Pedaços de mim + 10 marcadores – Coisas da Juuh
Livro A educação de Caroline + 10 marcadores – Entre Livros e Pergaminhos
Livro A dolorosa raiz de Micondó – Livros, lápis e afins
Livro Arcanista (e-book) – Joe de Lima
10 marcadores – Curaleitura
30 marcadores – Da imaginação à escrita



KIT 4


Livro O inferno de Gabriel + 20 marcadores – As 1001 Nuccias
Livro Cai o Pano + 20 marcadores – Literaleitura
Livro Loui o palhaço medonho + 15 marcadores – Cantinho Cult
Livro Bastidores: um dia na vida de um blog literário + 10 marcadores – Pensamentos valem ouro
Livro Dragão de Gaia (e-book) – Joe de Lima
10 marcadores – Curaleitura



KIT 5


Livro Anjos à mesa + 20 marcadores + mousepad do livro "Entre dois mundos" – Coisas de Ana
Livro Cores de Outono + kit de marcadores completo + livreto "Ruiva?" – Mundo Uno Editora
Livro 2012 O Segredo do Monte Negev + 10 marcadores – Livro Lab
Livro Primeiro e Único + 20 marcadores – Livros da Nane
Livro As batidas perdidas do coração – Passaporte Literário
10 marcadores – Curaleitura




Boa sorte!

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Um Verão para Recomeçar - Morgan Matson

Sinopse: Taylor Edwards nunca se sentiu importante, muito menos alguém que se destaca.Além disso, ela tem a estranha mania de fugir quando as coisas ficam meio complicadas. No dia do seu aniversário, Taylor recebe uma terrível notícia: o pai dela está muito doente. Ela até tenta fugir novamente, mas agora sua família precisa de toda ajuda e união possível.
Então eles tomam a seguinte decisão: passar o verão juntos na casa do lago.
Taylor não vai à casa do lago, onde ela e a família passavam o verão, desde que tinha doze anos, e ela definitivamente nunca planejou voltar. No lago Phoenix, ela reencontra sua ex- melhor amiga, Lucy, e Henry Crosby, sua primeira paixão.
De repente, Taylor se vê cercada por lembranças que preferia ter deixado no passado. Apesar do medo e de querer fugir mais do que tudo, a única coisa que resta a ela é ficar com seu pai e enfrentar os dias da melhor maneira possível.
Nesse verão em família, vivendo momentos tristes e felizes ao mesmo tempo, Taylor percebe que ela tem uma segunda chance de refazer laços familiares e até, quem sabe, poder viver um grande amor.
Um verão para recomeçar é um notável romance sobre esperança, amor e superação. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
MATSON, Morgan. Um verão para recomeçar. Editora Novo Conceito, 2017. 352 p.


Todo mundo aqui já deve ter se deparado com um livro que sabia que iria fazer chorar e acabar com o emocional, mas arriscou mesmo assim e o resultado foi exatamente como pensava. Um verão para recomeçar é esse tipo de livro, a sinopse já demonstra que não traz uma leitura fácil, mas fiquei surpresa com a forma como um enredo que tinha tudo para ser clichê conseguiu sair do comum e reinventar as tramas já batidas sobre relacionamentos e perdas. Não sei como explicar, porque apesar de usar de elementos que estão presentes em tantas obras, o livro conseguiu se diferenciar e me conquistar completamente.

O livro é narrado em primeira pessoa por Taylor, uma garota de 17 anos que está prestes a voltar para o lago Phoenix, onde passou todos os verões de sua infância, mas para onde não vai há cinco anos. Embora preferisse não voltar para lá mesmo depois de todo esse tempo, a notícia de que seu pai tem câncer terminal faz toda a família retornar à casa de veraneio para aproveitar, juntos, seus últimos meses de vida. Taylor também gostaria de não reencontrar Henry, seu primeiro amor, e Lucy, sua ex melhor amiga, depois do que fez aos dois no último verão no lago, mas, em um lugar tão pequeno, é claro que ela não terá essa sorte.

"[...] Ao ler as perguntas novamente, percebi que não sabia o que meu pai responderia em nenhuma delas. E ainda que ele estivesse sentado à minha frente, colocando mais calda nas suas panquecas de mirtilo e batendo em sua xícara para que colocassem mais café, percebi - mesmo odiando sabê-lo - que em algum momento, algum momento em breve, ele não estaria mais ali para eu perguntar."

Apesar de a capa sugerir um Young Adult voltado para o romance, resumir o livro dessa forma é restringir demais sua proposta. O romance está lá sim, mas é apenas uma pequena parte de Taylor. O livro é muito mais sobre relacionamentos em geral - com a família, os amigos e também com um possível amor - do que sobre romance, e acho que é isso que o torna tão especial. Foi um choque para mim pensar nas mensagens trazidas pela autora sobre a necessidade de redescobrir constantemente as pessoas com quem convivemos dia após dia, pois assim como a personagem, sei que nem sempre tenho aproveitado momentos preciosos como deveria.

Embora o livro comece a tratar dos assuntos mais pesados de forma sutil, em determinado momento é perceptível o aprofundamento da história, e os temas importantes são mostrados de forma crua, sincera, sem beleza nenhuma. É duro, sim, ver o sofrimento do pai de Taylor pelos olhos dela, mas é realista e necessário. Gostei de acompanhar o amadurecimento da protagonista, que deixou de ser uma garota medrosa e fujona, para estar presente e encarar o inevitável, ainda que doesse. E embora isso não pudesse poupá-la do sofrimento, também trouxe alguns presentes, como a reaproximação com os irmãos, com a mãe e com antigos amigos que tinham sido tão importantes para ela.

"[...] E, apesar das circunstâncias que nos trouxeram ali, não pude deixar de me sentir feliz por esse momento que compartilhávamos juntos, finalmente como uma família."

Eu adoro o verão e, ao ler sobre as lembranças de Taylor naquele lago e os novos fatos que está a construir nesse novo verão, tive uma "sessão nostalgia" para relembrar minhas próprias histórias. Isso porque a trama é tão gostosa de acompanhar, tão simples e intensa ao mesmo tempo, que dá a sensação de que poderia ter acontecido conosco também. Por isso, ainda que haja sim um bom clichê e uma dose extrema de drama, a empatia é tanta para com os personagens que é difícil desgrudar da leitura.

De fato, Um verão para recomeçar traz importantes mensagens sobre valorizar o presente e as pessoas que amamos. É aquele tipo de livro que te deixa com lágrimas nos olhos só de rememorar a trama, mas que você sente que vale a pena ter lido e ter chorado por ele. 

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Dançando Sobre Cacos de Vidro - Ka Hancock

Sinopse: Lucy Houston e Mickey Chandler não deveriam se apaixonar. Os dois sofrem de doenças genéticas: Lucy tem um histórico familiar de câncer de mama muito agressivo e Mickey, um grave transtorno bipolar. No entanto, quando seus caminhos se cruzam, é impossível negar a atração entre eles.
Contrariando toda a lógica que indicava que sua história não teria futuro, eles se casam e firmam – por escrito – um compromisso para fazer o relacionamento dar certo. Mickey promete tomar os remédios. Lucy promete não culpá-lo pelas coisas que ele não pode controlar. Mickey será sempre honesto. Lucy será paciente.
Como em qualquer relação, eles têm dias bons e dias ruins – alguns terríveis. Depois que Lucy quase perde uma batalha contra o câncer, eles criam mais uma regra: nunca terão filhos, para não passar adiante sua herança genética.
Porém, em seu 11° aniversário de casamento, durante uma consulta de rotina, Lucy é surpreendida com uma notícia extraordinária, quase um milagre, que vai mudar tudo o que ela e Mickey haviam planejado. De uma hora para outra todas as regras são jogadas pela janela e eles terão que redescobrir o verdadeiro significado do amor.Dançando sobre cacos de vidro é a história de um amor inspirador que supera todos os obstáculos para se tornar possível. (Skoob)
HANCOCK, Ka.  Dançando Sobre Cacos de Vidro. Editora: Arqueiro, 2013. 336p.


Há muito tempo tenho vontade de ler este livro. Ouvi tantas coisas boas sobre ele que me deixaram com uma expectativa bem alta. Após encerrar a leitura fiquei bem satisfeita e pensando no motivo de não ter lido este livro antes.

O livro conta a história de um casal que se ama muito, e que, apesar de todas as dificuldades, permanecem juntos nesta dança que é o casamento, ao decorrer da leitura, vemos que para eles tudo é ainda mais difícil e por isso parecem estar sempre dançando sobre cacos de vidro.

“Nesse momento estávamos descalços e dançando sobre um mar de cacos de vidro. Por mais verdadeiro que isso fosse, porém, Mickey sabia que eu dançaria com ele para sempre se pudesse, mesmo que meus pés sangrassem.”

Lucy Houston é uma jovem que possui um histórico familiar de câncer de mama, sua mãe faleceu com a doença, sua avó também, então ela e suas duas irmãs Lily e Priss vivem com esse peso sobre as costas. Priss já foi operada e Lucy já sofreu muito com a doença uma vez, o que deixa as irmãs com ainda mais medo. Lucy tem uma ligação muito forte com as irmãs, e mesmo sendo bem diferentes, as três se amam muito. Ela é uma mulher forte e querida por todos na cidade. Ama a família e seus vizinhos, que a conhecem desde pequena. 

Michael, ou Mickey Chandler é um homem bonito e engraçado, que sofre com transtorno bipolar muito agressivo, que muitas vezes o afasta das pessoas. Ele tem crises tão fortes que é preciso ser internado por um tempo, para poder se restabelecer, se encontrar e ficar bem, porém, é sempre por um fio. Parece sempre ficar nesta corda bamba.

“Para muita gente, esse abismo não existe, mas ele é uma ameaça real para quem sofre de transtorno bipolar. Sei que pareço um dependente químico, mas nenhuma droga causa a mesma sensação que a loucura quando está prestes a nos dominar, nem o desespero que vem imediatamente após você ter cedido a ela.”

Eles se conhecem na festa de 21 anos de Lucy, e a atração foi inegável, porém, com esse histórico a relação dos dois foi difícil engatar. Com a instabilidade de Mickey e o medo da morte de Lucy, a relação dos dois parece estar sempre a ponto de desmoronar.

“Lucy, todo casamento é uma dança: complicada às vezes, maravilhosa em outras. Na maior parte do tempo não acontece nada de extraordinário. Com Mickey, porém, haverá momentos em que vocês dançarão sobre cacos de vidro. Haverá sofrimento. Nesse caso, ou você fugirá ou aguentará firme até o pior passar.”

Mesmo com tudo isso, os dois continuam firmes, com um relacionamento cheio de amor e cumplicidade. Os dois decidem criam uma lista de regras que servem para manter as coisas nos eixos. Ela promete ser compreensiva, ele promete tomar os remédios. E após o câncer de Lucy, os dois decidem acrescentar uma regra a esta lista: Não ter filhos. Porém, depois de muitos anos de casamento e uma cirurgia para não engravidar, Lucy descobre que está grávida e o mundo dos dois vira de cabeça para baixo.


A escrita de Ka Hancock é bem tocante, mesmo sendo uma história que sabemos como vai se desenrolar, há um toque de esperança na escrita e uma ternura que aumenta ainda mais a beleza do livro. As relações mostradas no livro são muito intensas, toda a cidade se conhece, dá um toque bem pessoal em todos os acontecimentos. Os personagens principais são muito queridos, me fazendo torcer ainda mais por eles.

Lucy tem uma relação muito pessoal com a morte, desde pequena sempre foi curiosa com o assunto e quando a morte rodeava algum de seus parentes, ela conseguia ver e sentir a presença dela. Confesso que isso me deixou um pouco assustada e pensativa durante toda a leitura.

Lily é uma personagem que se destacou muito durante a leitura. A moça sofreu tanto, que desejei muito um final feliz para ela e seu marido, Ron. A autora até podia escrever um livro sobre eles, eu iria adorar acompanhar um pouco mais esse casal.

Achei interessante a autora ter colocado no começo de cada capítulo uma parte dos pensamentos de Mickey, tornou a história do casal ainda mais íntima. Em vários momentos tive que parar a leitura e respirar um pouco, mesmo querendo muito chegar ao final do livro... Eu sabia o que ia acontecer, mas ainda assim, aquela esperança sempre esteve presente. 

Este não é um livro que possui uma história super revolucionária, porém, os sentimentos dos personagens e do leitor ficam todo momento á flor da pele. Impossível conter a emoção com essa história, por várias vezes me peguei com lágrimas nos olhos. Para quem gosta de se emocionar, com certeza este é um bom livro, mas esteja preparado com lenços de papel.

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