O jeito que me olha - Bella Andre

Sinopse: Depois de construir uma sólida carreira como detetive particular - especializado em casos de infidelidade -, Rafe Sullivan perdeu a fé nas relações humanas. As únicas histórias de amor verdadeiro que conhece são a dos seus pais e as dos seus primos, que Vivem na Califórnia. Quando Rafe precisa sair de Seattle para descansar e esfriar a cabeça, sua irmã, Mia, sugere uma temporada na cidadezinha onde a família costumava passar as férias de verão. No cenário de sua infância, Rafe reencontra Brooke Jansen, que, de garotinha doce e inocente, transformou-se em uma mulher de beleza incomum. Nenhum dos dois consegue ignorar o clima de sedução, e é Brooke quem toma a iniciativa: ela propõe a Rafe um caso de verão, sem amarras nem cobranças. Rafe luta para convencê-la de que eles devem continuar sendo apenas amigos... embora ele mesmo não esteja 100% convencido disso. (Skoob)
ANDRE, Bella. O jeito que me olha. Os Sullivan #10, Os Sullivan de Seattle #1. Editora Novo Conceito, 2014. 208 p.


Rafe Sullivan é detetive particular frustado com seu trabalho. A empresa de Rafe é famosa por investigar "supostamente" infiéis e provar suas traições. Apesar de estar ganhando um bom dinheiro com isso, seu trabalho não é nada daquilo que imaginou quando decidiu se tornar detetive. Claramente precisando de férias, sua irmã surge com uma oportunidade irrecusável. Mia é dona de uma imobiliária e quando descobre que a antiga casa do lago onde sua família costumava passar férias está a venda a oferece a Rafe. Ele, balançado pelas lembranças da infância, decide então comprar a casa e passar um tempo para assim esfiar a cabeça.

Brooke Jansen está muito feliz com seu trabalho. Ela vive na casa do lago e fabrica trufas para vender, uma herança deixada por sua amada avó. Em um dia normal, após fracassar em seu projeto com as trufas que estava fazendo, ela decide nadar um pouco e assim talvez ter novas ideias para suas confecções. Quando sai do lago ela reencontra seu antigo vizinho Rafe de volta à casa onde ele e sua família passava as férias.

Rafe e Brooke são amigos de infância e ela sempre fora apaixonada por ele. Revê-lo faz acender sentimentos adormecidos com o tempo e a distância. É cada mais intensa a atração que cresce entre os dois e continuar apenas amigos fica cada vez mais difícil.

"Pensei que pudesse curar Rafe. Pensei que pudesse amá-lo o bastante para fazer as trevas partirem. Mas e se eu não puder?"

Bom, sempre tive bastante curiosidade nos livros da Bella Andre. Como fã de um bom romance, seus livros sempre foram muito recomendados. Comecei O jeito que me olha bem empolgada e confesso que com expectativas. Claro, já esperava um romance clichê hot, mas me decepcionei um pouco.

O romance entre Rafe e Brooke acontece muito rápido. Eles se viram e páh... Já estão pensando em se pegar e tals. Tá que eles já se conheciam desde a infância, mas foi bem forçado e rápido demais. Eles eram apenas amigos na infância, apesar de rolar uma paixonite, e fazia muito tempo que eles não se viam. Portanto, a atração exagerada e paixão vassaladora não me convenceu. Confesso que gosto daqueles romances construídos com o tempo. Que os personagens passam momentos fofos e que o envolvimento é algo tão profundo que acaba envolvendo também o leitor.

Brooke e Rafe são bons personagens, mas comuns demais. Até desenvolvi certa simpatia, contudo não foi o suficiente para me cativarem. Brooke é doce, linda, inteligente e não me julguem, mas "perfeitinha" demais. Rafe está desiludido com o amor e isso faz com que ele não consiga se entregar totalmente ao que sente. Bem clichê e só para deixar claro: amo clichês. Mas poderia ter sido melhor desenvolvido. A trama é bem rasa, sem acontecimentos grandes e sem muito drama. Confesso que como leitora de Colleen Hoover estou acostumada ao sofrimento rs. Mia, a irmã de Rafe, foi a personagem que mais amei e fiquei até curiosa para ler seu livro rs.

"Não era mais um desejo. Era uma necessidade."

Também temos bastante cenas hots, o que talvez tenha sido um pouco exagerado e muito bem detalhado. Contudo, não foi uma leitura ruim. A escrita da autora é bem fluída e o livro pode ser lido em apenas um dia. Se você está com vontade de ler um romance leve, com uma história sem muito drama, rápida, talvez tentando sair de uma ressaca literária, é um bom livro. Mas não tenha muitas expectativas, quem sabe você não se surpreende? Lembrando que é uma série de livros independentes então não precisa ler os livros em ordem. 

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Conjuntando #74: Leia.Seja.


No ano passado, falamos aqui no blog sobre a campanha Leia.Seja., que teve como representantes famosos que vestiram suas histórias favoritas para mostrar o papel transformador da leitura. Lembram?

A Leia.Seja. é uma campanha realizada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e teve início na Bienal Internacional do Livro do Rio, quando um time de peso - Pedro Bial (Sherlock Holmes), Bela Gil (Capitu), Bernardinho (Capitão Rodrigo), Cauã Reymond (Dom Quixote), Washington Olivetto (Visconde de Sabugosa) e Baby do Brasil (Emília) - vestiu a camisa da campanha para se transformar em personagens históricos da literatura nacional e internacional.


A campanha visa incentivar algo para nós é tão comum, mas que muitas pessoas ainda não têm acesso: a leitura. E o dia mundial do livro, que aconteceu ontem, é um momento perfeito para isso, não é?

Acredito que todos que vêm até o blog gostam de ler, pelo menos um pouquinho, e já devem ter percebido que não há forma mais agradável de aprender sobre algum tema do que ler um livro sobre ele. Também não há jeito melhor de criar empatia com os outros, ver o mundo por outros olhos, visitar outras cidades do mundo ou até mesmo fora dele. Por isso, vou aproveitar o tópico  para contar para vocês alguns livros que podem até parecer bobos, mas já me ensinaram muito sobre a vida.


Quando eu era adolescente, comprar livros não era uma realidade, então eu me empenhava em encontrar relíquias na biblioteca da escola. Foi lá que conheci Poliana e seu jogo do contente, que me ensinou a ser mais agradecida pelas pequenas coisas; também percebi como as drogas podem afetar uma vida, em Vida de droga e que a AIDS muda a vida dos soropositivos, mas que isso não impede que as pessoas tenham uma vida plena e saudável, em Depois daquela viagem; descobri que o preconceito só atrapalha e não é justificável em Tudo ao mesmo tempo agora; relaxei com romances de banca quando ainda eram vendidos só em bancas e me aventurei muito em tramas policiais de Agatha Christie e Sidney Sheldon.

Aprendi muito ao ler livros densos e clássicos, mas aprendi também com livros bobos e frívolos. Aprendi sobre português, sobre culturas diversas, sobre geografia e meteorologia; aprendi ciência e tecnologia, aprendi poesia, aprendi a sentir e a me importar com os outros. Mais do que tudo, aprendi sobre a vida, e tenho certeza que grande parte do meu conhecimento - que me possibilitou fazer duas faculdades e ter o emprego dos meus sonhos - é graças ao tanto que eu li na vida.

Por isso, se eu tenho uma dica na vida é: leia. Cura tédio, cura mal humor, cura ressaca e solidão. Ler é amor. ♡

Agora quero saber de vocês, sabem citar algum livro que os transformou de alguma forma? Contem para mim!

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Tartarugas até lá embaixo - John Green

Sinopse: Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, autor do inesquecível A culpa é das estrelas, lança o mais pessoal de todos os seus romances: Tartarugas até lá embaixo.
A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).
Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
GREEN, John. Tartarugas até lá embaixo. Editora Intrínseca, 2017. 256 p.


Conheci John Green na época do lançamento da versão cinematográfica de A culpa é das estrelas, logo que a Editora Intrínseca relançou o livro com a capa do filme. Agarrei aquela oportunidade, fiquei apaixonada pela história e louca para ler outro livro do autor, mas só recentemente surgiu o momento ideal, com Tartarugas até lá embaixo. Já li o livro há algumas semanas e até gostei da trama, mas fiquei desanimada em falar sobre ele porque a leitura não passou de "ok". É um livro bom, mas não conseguiu me cativar.

Primeiro os pontos bons: John Green conversa com os jovens e acho que essa é a maior qualidade de seus livros. Além da narrativa envolvente, com uma linguagem simples e de fácil identificação, a leitura voa diante dos olhos e a gente só percebe quando já chegou ao fim. O autor ainda incluiu na trama um mistério para aguçar ainda mais a curiosidade do leitor. É um livro leve, divertido e gostoso de acompanhar, mas isso não significa que não trate de temas bastante sérios.

"[...] eu estava começando a entender que a vida é uma história que contam sobre nós, não uma história que escolhemos contar."

A protagonista da trama é Aza Holmes, uma adolescente com problemas de transtorno obsessivo-compulsivo que batalha todos os dias consigo mesma para não entrar em uma espiral descendente de pensamentos. Suas cismas vão se afunilando, sugando-a para o seu interior, até que não exista mais Aza, apenas os pensamentos tóxicos que ela não consegue evitar.

De fato, acho importantíssimo o modo como Green consegue tratar de temas profundos com tanta leveza. Trazer o tema "saúde mental", então, é um ato nobre, em especial porque muitas pessoas precisam de ajuda e nem sempre procuram pelos mais variados motivos, seja pela vergonha, pelo preconceito, pelo desconhecimento. E o autor consegue mostrar que há alternativas além de enfrentar sozinho esses problemas, que não há nada de errado nisso, mas que é preciso força, principalmente porque muitas pessoas que estão à nossa volta simplesmente não entendem.

"Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu."

Outro tema que o autor debate, também de uma forma descontraída, é que todo mundo tem problemas. Não importa se é rico ou pobre, se parece feliz ou infeliz. Davis, por exemplo, tinha tudo, em especial dinheiro. Mas ele tem que lidar com o sumiço de seu pai, assumir a responsabilidade por seu irmão mais novo e não sabe se as pessoas se aproximam por causa dele ou por possíveis pistas que ele tenha sobre o paradeiro do pai. O mesmo se dá com Daisy, que parece muito bem resolvida, mas que na verdade sente que o mundo não é justo com ela de várias formas. Ao abordar isso nos diversos personagens o autor mostra que mesmo quando tudo parece perfeito, não é bem assim que as coisas são de verdade.

Por outro lado, não consegui me envolver com o enredo e isso fez toda a diferença na leitura. Quando finalizei o livro, senti como se, embora houvesse muita importância naquele texto, ele não tivesse feito diferença para mim. Eu não senti a história e só por isso todos os pontos positivos do livro se perderam, porque minha noção de leitura boa é totalmente vinculada ao aspecto afetivo.

"- Tanto faz. O mais apavorante não é girar sem parar numa espiral crescente, é girar sem parar na espiral que se afunila. É ser sugado para um redemoinho que vai se fechando mais e mais e esmagando seu mundo até você estar apenas girando sem sair do lugar, preso numa cela que é exatamente do seu tamanho e nem um milímetro a mais, até você finalmente se dar conta de que na verdade você não está preso na cela. Você é a cela."

Além disso, achei cansativos os trechos que Aza descrevia sua espiral e acredito que o autor tentou fazer isso de uma forma que levasse o leitor para dentro dos pensamentos da personagem, mas comigo não funcionou. Também achei frustrante o fechamento do mistério sobre o pai de Davis, já que isso poderia ter sido bem trabalhado, mas foi encerrado de uma forma brusca e um tanto sem sentido.

De todo modo, Tartarugas até lá embaixo, como comentei, tem sua relevância pelos assuntos que aborda, em especial para os leitores que consigam se conectar com a essência do livro. E é claro que, por se tratar de um YA, não faltam na obra ainda discussões sobre relacionamentos adolescentes, amizade, primeiro amor, relação com os pais e sobre a perda, o que tende a cativar ainda mais os leitores. Para mim faltou algo, mas isso não significa que não se trate de uma ótima história.

"Estar vivo é sentir saudade."


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Mentirosos - E. Lockhart

Sinopse: Na família Sinclair, ninguém é carente, criminoso, viciado ou fracassado. Mas talvez isso seja mentira. Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano o patriarca, suas três filhas e seus respectivos filhos passam as férias de verão em sua ilha particular. Cadence - neta primogênita e principal herdeira -, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos. Durante o verão de seus quinze anos, as férias idílicas de Cadence são interrompidas quando a garota sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido… até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu. (Skoob)
LOCKHART, E. Mentirosos. Seguinte, 2014. 272 p.


Cadence, Johnny, Mirren e Gat. Gat, Mirren, Johnny e Cadence. Eles são os Mentirosos. Os Mentirosos são eles. Tudo começou no verão dos oito, quando Gat foi pela primeira vez para a ilha da família e o que era três primos que mal se viam, transformam-se num grupo, em os Mentirosos.

E os Mentirosos são unidos, encrenqueiros e amigos apenas quando estão nas férias, encontrando-se sempre na ilha e retomando a amizade perdida, que sempre se desvanece quando eles voltam para o cotidiano. Até que não mais. Até que algo acontece a Cadence no verão dos quinze, algo que ela não se lembra e que ninguém quer contar, algo terrível, algo que faz com que ela não seja mais uma Sinclair da cabeça aos pés.

Dois anos depois, agora no verão dos dezoito, Cadence decide voltar para a ilha e tentar descobrir o que aconteceu, o que a fez se tornar essa garota fraca que suporta terríveis dores de cabeça e nem um pouco idiota, que distorce o significado das palavras e que está cansada de ninguém nunca lhe dizer nada, como se ela fosse de papel e fosse quebrar ou de vidro e fosse rasgar.

"Eu era loira, mas meu cabelo agora está preto.
Eu era forte, mas agora sou fraca.
Eu era bonita, mas agora pareço doente."

Ok, esse é o básico da história.

E
ela
é
maravilhosa.

Realmente, verdadeiramente; eu amei. Esse livro não estava na minha lista de leitura e nem nunca estaria, mas eu o ganhei num sorteio e estou super feliz por isso, porque realmente me surpreendeu. Não posso nem falar muito da história porque ela é meio que suspense e mistério, com uma pitada de romance (esse se tornou um dos meus gêneros favoritos...), então vamos para o que eu posso falar.

"- Não pense que te acho bonita ou algo assim.
- Sei que não acha.
(...) Uma pausa.
- Eu te acho bonita, Cady. Não quis dizer o contrário. Na verdade, quando ficou tão bonita? É perturbador - Gat disse."

O romance, hum... Não me convenceu. Eu gosto da Cady e gosto do Gat, mas não gosto deles juntos. Algumas cenas são muito fofas e bonitas e tudo mais, só que... falta algo. Os personagens não se conhecem realmente. Existe duas Cady e dois Gat e eu sou uma romântica incurável quanto a livros (não na vida real, graças a Deus não na vida real) e eu acredito num amor onde se conhece todas as partes e não apenas algumas, então não, nop.

Para mim, em relação a amar alguém, é tudo e tudo e sempre tudo.

O que eu mais amei foi a escrita da autora. Às vezes a história torna-se poesia e, como acontece com todo bom poeta, você nunca sabe quando ele está sendo literal ou usando uma figura de linguagem. E isso foi tão, tão bom, porque você realmente não sabe e a cada palavra você percebe que não faz diferença, porque as palavras ainda são afiadas e ainda machucam e eu ainda estou sangrando. (Literal? Figurado?)

"O sangue jorrava continuamente da ferida aberta,
depois de meus olhos,
meus ouvidos,
minha boca.
Tinha gosto de sal e fracasso."

A edição da Seguinte é sempre maravilhosa, a folha é amarelada, o tamanho da letra é média e a diagramação é perfeita - os livros dessa editora são sempre perfeito, né, gente? Eu nunca tenho nada a reclamar quanto a... Oh, espere, eu não gostei daquela orelha do livro está sempre levantando e amassando, mas já que não paguei, não estou reclamando. (Cavalo dado não se olha os dentes... embora só se conheça a idade dele por eles.)

Outra crítica é quanto a Mentirosos. Sim, eu sei, porque esse título para o livro, mas não sei porque eles são chamados de Mentirosos, me sinto enganada - é tão bom esse sentimento de ler um livro e descobrir que foi enganada a leitura inteira! Mas, sério, por que Mentirosos?

"Minha mãe me repreendeu. Disse para eu me recompor.
Aja como uma pessoa normal, ela disse. Agora mesmo.
Porque você é. Porque você pode ser.
Não faça escândalo, ela disse. Respire e endireite-se.
Fiz o que ela pediu."

Sim. Esse livro é... uma obra prima. Certo, nem tanto, alguns erros aqui e ali (que não lembro), mas tem (de forma resumida) uma escrita ótima, um final surpreendente (eu não esperava por ele, embora tenha tido... um... uma citação que te faz pensar "e se?") e uma protagonista que você se identifica (eu me identifiquei).

Foram coisas pequenas que levaram Cady a fazer o que fez, que a levou a um ponto de dizer basta, que a fez perceber que aquela não era a pessoa que queria ser e que as coisas precisavam mudar, então por que ela não poderia?

O que Cadence Sinclair fez? Ela mentiu.

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Livraria Limítrofe, o adeus - Alfer Medeiros


Sinopse: Que importância a literatura tem na sua vida? Ela está presente no seu dia a dia? O que significa para você? Quanto ela moldou do seu caráter e jeito de ser?
Com certeza, as respostas a estas perguntas variam consideravelmente, de pessoa para pessoa. O hábito da leitura, e o prazer advindo dele, trazem resultados distintos para cada indivíduo, afinal o ser humano é único na sua maneira de julgar o que os sentidos captam e o que a mente retém.
A Livraria Limítrofe é o lugar onde pessoas comuns vislumbram cenários e personagens palpáveis, criados através de suas mentes, colhendo fisicamente o que pela leitura foi plantado.
Em cada capítulo, um visitante narra em primeira pessoa sua experiência nas dependências da livraria, cujas dimensões podem variar de um pequeno quadrilátero até um imenso reino de fantasia, de acordo com o que o seu gosto literário definir.
Inúmeras referências ao mundo dos livros são lançadas nestas páginas, mas em nenhum momento os nomes das obras e dos autores são citados. Assim, fica a cargo do leitor descobrir do que se trata cada capítulo, com base na sua própria vivência de leitura - ou buscar os títulos que lhe aguçaram a curiosidade.
Você está convidado a conhecer a livraria mais imprevisível, fabulosa e excêntrica da qual já teve conhecimento. Aqui, tempo e espaço são plenamente maleáveis, onde o único limite é a capacidade de se criar mundos a partir de palavras impressas. Quem sabe um dia não tenha a sorte de ver diante de si uma porta sobre a qual se enxergam os dizeres "Livraria Limítrofe"?
Entre e divirta-se! (Skoob)
MEDEIROS, Alfer. Livraria Limítrofe, o adeus. Editora Estronho, 2012. 208p.


O protagonista aqui é a própria livraria. Uma livraria mágica, que permite que cada leitor traga uma trama diferente à vida e no final, dando "de graça" um livro, muitas vezes único, para o cliente. 

Na introdução, o livro coloca o leitor na história, como um visitante da livraria a quem se mostra cada canto e explica tudo. Depois descobrimos que é porque o funcionário atual dela falava com quem de certa forma é o escritor do livro, pois trata-se de uma pessoa que entrevistou diversos clientes para ouvir suas histórias na livraria, e é isso que lemos nos outros capítulos. Cada capítulo, um depoimento diferente. Como jornalista, me identifiquei com a parte das entrevistas, alguns entrevistados agem com desconfiança, outros animados. Além disso, há pessoas com diversos gostos literários, idades, profissões, personalidades. Porém a julgar pelo que se lê nos agradecimentos sobre os gêneros preferidos do autor, talvez tenham faltado os gêneros que não interessam a ele, como romance e drama. Eu também costumo escrever personagens parecidos comigo mais do que diferentes, então não reclamo.

O livro também possui capítulos de depoimento dos próprios funcionários, um manual sobre as ferramentas da livraria e essa segunda edição tem alguns bônus, um dos quais é bem metalinguístico, ainda mais do que o livro já é (afinal, é um livro sobre livros, com histórias sendo contadas a esse personagem que não aparece muito e dá essa impressão de que podem estar falando com o leitor algumas vezes).

Falando em edição, é preciso parabenizar ela também pelos aspectos físicos do livro. Eu nunca havia visto um livro de capa dura com fita de marcar página,e no Brasil então, que nós sabemos o quanto é difícil viver de literatura, eu fico pensando o quanto custou isso. Até nos agradecimentos, o autor agradece os leitores, e eu pensei ter alguma relação, porque você não costuma ver isso. Os agradecimentos são sempre destinados a pessoas que ajudaram na produção do livro, às vezes venda e divulgação, mas só mencionam quem fez as estratégias e não quem realmente comprou e também divulgou (boca a boca, redes sociais). Mas num país com pouco apoio, os escritores talvez sejam mais conscientes da importância dos leitores, ainda mais num projeto desses que tem detalhes tão pensados e que depende de uma grande conexão do leitor, mais que normalmente, já que é um livro sobre leitores. A diagramação também é muito bonita. As fontes, os pequenos desenhos nas mudanças de capítulo e paginação, assim como algumas ilustrações da história.

Alguns livros e autores reais são citados pelos clientes ou funcionários, porém geralmente não são identificados. Você só sabe pela descrição. Acho que algumas citações poderiam ser mais explícitas, já que muitas só entende quem tem conhecimento deles. Eu imagino que algumas pessoas, ao contar suas visitas, diriam os títulos.

Foi uma leitura muito boa. Com certeza, muitos terão vontade de que uma livraria como essa exista, e eu nem contei tudo o que ela faz. A ambientação e descrições são muito boas e é difícil não tentar imaginar tudo. Ele terá uma continuação, que possivelmente trará ainda mais explicações sobre esse ambiente incrível.

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Conjunto de Ganhadores #27

Depois de postar a coluna Conjunto de Ganhadores no último mês e dizer que ela quase não era postada porque eu não recebia fotos, recebi várias imagens dos prêmios que enviei pelas promoções do blog. Yesssss! Obrigada a todos que enviaram, adoro ver que os prêmios chegaram sãos e salvos nos seus novos lares.


A primeira foto recebida foi da Cristiane, que ganhou o livro Jogo de Espelhos na promoção em parceria com a Editora Intrínseca aqui no blog.


A foto da série As Modistas completa foi enviada pela Jois, sortuda que ganhou o prêmio no Top Comentarista de Janeiro.


Lá no Instagram, fui marcada na publicação da Maíra, que recebeu o fofíssimo Os 27 Crushes de Molly também na promoção em parceria com a Editora Intrínseca.


Outra foto recebida pelo Instagram foi a de Promíscuo ser de partitura finita, que a Raquel ganhou no sorteio de Aniversário do blog Vivendo Sentimentos.

Obrigada a todas pelas fotos, nem preciso dizer de novo que amo recebê-las, não é?

E para quem ainda não teve oportunidade de aparecer por aqui, lembre que sempre tem promoção ativa ali na aba Promoções. 😆

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As cores do amor - Camila Moreira

Sinopse: O que define uma pessoa? O dinheiro? O sobrenome? A cor da pele? Filho único de um barão da soja, Henrique Montolvani foi criado para assumir o lugar do pai e se tornar um dos homens mais poderosos da região. No entanto, o jovem se tornou um cafajeste aos olhos das mulheres, um cara egocêntrico segundo os amigos e um projeto que deu errado na concepção do pai. Quando o destino coloca Sílvia em seu caminho, uma jovem decidida e cheia de personalidade, Henrique reavaliará todas as suas escolhas. O amor que ele sente por Sílvia o fará enfrentar o pai e transformará sua vida de uma maneira que ele nunca pensou que fosse possível. Um sentimento capaz de provar que nada pode definir uma pessoa, a não ser o que ela traz no coração. (Skoob)
MOREIRA, Camila. As cores do amor. Paralela, 2017. 320 p.


Não me lembro exatamente por que escolhi As cores do amor, de Camila Moreira, para resenha. Tenho quase certeza que foi por causa da capa, pois gosto de coisas simples com muito significado, como é o caso desse livro, mas é fato que eu não tinha grandes expectativas com essa leitura. Não posso dizer que o livro me surpreendeu ou se tornou um dos meus favoritos, mas ele conseguiu me prender em uma leitura prazerosa e, à sua própria maneira, conseguiu me passar boas emoções.

As cores do amor é um romance clichê, daqueles em que o casal se apaixona, é separado por algum motivo, sofre por um tempo para depois alcançar seu tão esperado final feliz. Não é difícil imaginar isso só de ler a sinopse, mas Camila Moreira conseguiu inserir em seu enredo alguns tópicos mais intensos e sérios, como o racismo, e transformou um livro que tinha tudo para ser um erótico superficial em uma trama um pouco mais densa.

No livro, Henrique é um completo cafajeste sem grandes perspectivas, apesar de ser filho de um dos homens mais ricos da região. Tudo muda quando ele conhece Sílvia, uma mulher forte e decidida, que transforma sua forma de ver o mundo. O problema é que o pai de Henrique não vai aceitar esse relacionamento e fará de tudo para acabar com a felicidade dos dois, por um fato muito simples e despropositado: a cor da pele de Sílvia.

"[...] Por fora, eu era a imagem do homem perfeito: bonito, rico, desejado e conquistador. Mas por dentro eu não era nada, não tinha sonhos ou objetivos."

A trama, narrada em primeira pessoa pela perspectiva intercalada dos dois protagonistas, permite conhecer o que atormenta tanto Henrique quanto Sílvia. É bom poder entender um pouco melhor a motivação e as atitudes de cada um deles. No entanto, acho que nesse aspecto a autora falhou em aprofundá-los como casal, já que tudo transcorreu muito rápido e a paixão que foi descrita como avassaladora não chegou, infelizmente, à leitora aqui. Senti-me indiferente ao romance, e isso foi um pouco frustrante. Além disso, todas as reações dois dois eram em exagero, como se o tempo todo buscassem uma razão para ficarem separados. Dramático demais, sem necessidade.

É importante lembrar que se trata de um livro erótico, ou seja, tem muitas cenas quentes por aí. Não curti a descrição nessas partes e achei bem chata a linguagem chula usada para contar os detalhes, e olha que nem sou uma pessoa tão crítica. Só que, pela falta de química entre os protagonistas, os termos usados pareciam forçados e reiteravam minha ideia de que eles não estavam apaixonados, só queriam uma boa transa.

Só me senti de fato torcer pelos dois como casal quase no fim do livro, quando um personagem novo apareceu. Para mim, Davi elevou o relacionamento de Henrique e Sílvia a um novo status, e eu gostei muito mais da pessoa que eles se tornaram depois disso. Acho que o que faltou foi essa proximidade que os dois só tiveram mais tarde, ou seja, a parceria que criaram em vez de simplesmente irem para cama e dizer que estavam apaixonados.

"Fitei seu rosto sereno e descobri que a amava ainda mais. Acho que amar é isto: apaixonar-se todos os dias, de uma maneira completamente diferente, pela mesma mulher."

Achei interessante a forma como a autora conseguiu demonstrar o absurdo do preconceito de Enzo, que pode se refletir de verdade no preconceito de muitas pessoas: um preconceito gratuito e sem razão. Afinal, o pai de Henrique nunca teve a oportunidade de conhecer Sílvia, mas a julgava pelo simples fato de ser negra, nada mais. Acredito que, embora algumas cenas de racismo durante o livro tenham sido exageradas, porque é impossível que ninguém agisse, a discussão do assunto é importante sim e Camila Moreira faz refletir sem que a gente se dê conta.

As cores do amor é spin-off do livro 8 segundos e os protagonistas Lucas e Pietra aparecem outra vez aqui. Embora esse segundo livro não tenha uma daquelas histórias perfeitas e memoráveis, ele traz belas mensagens. O que conquistou meu coração de fato foi o epílogo com a participação de Davi - só isso a dizer. No mais, a escrita de Camila Moreira é fácil e agradável, o que torna a leitura bem rápida e cativante.

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Uma proposta e nada mais - Mary Balogh






Sinopse: Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela. Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa. Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora.
BALOGH, Mary. Uma proposta e nada mais. Clube dos Sobreviventes #1. Editora Arqueiro, 2018. 272 p.


Uma proposta e nada mais é o primeiro livro da série Clube dos Sobreviventes da autora Mary Balogh, publicado pela Editora Arqueiro. Esse não foi exatamente meu primeiro contato com a escrita da autora, pois iniciei a leitura de Ligeiramente perigosos, que é o primeiro livro da série Os Bedwyns, todavia, não concluí a leitura. No entanto, quando vi o anúncio do mais novo lançamento da autora, sabia que precisava dar uma segunda chance e, confesso, fiquei surpresa ao perceber que adorei sua escrita e que a história se desenvolveu muito bem para mim. 

Nesse livro, conhecemos a história do Lorde Trentham, Hugo Emes, que é um dos 7 integrantes do clube dos sobreviventes, que foram marcados pela guerra Napoleônica. Eles são cinco ex-oficiais que sofreram danos tantos físicos quanto psicológicos, uma mulher que foi marcada pela morte e tortura de seu marido e um homem que perdeu seu filho em combate. Durante longos anos, essa amizade foi consolidada à base de companheirismo e entendimento mútuo, afinal, cada um deles tem suas feridas, tanto internas como externas. 

Anualmente, os sete sobreviventes se encontram da casa de George Crabbe – O anfitrião, que perdeu seu filho – essa reunião tem o intuito de renovar os laços de amizades e compartilhar as angustiais e os dilemas pessoais, vividos por eles ao longo desse um ano que ficaram distantes, essa é uma forma que eles encontraram de manter a sanidade e equilíbrio na vida um do outro, pois, só eles sabem a dor que sofreram e sofrem até hoje. 

"- Sofremos neste lugar - explicou ele. - Nós nos curamos neste lugar. Desnudamos nossas almas uns para os outros. Deixar esta casa foi uma das coisas mais difíceis que fizemos. Mas era necessário para que nossas vidas voltassem a ter sentido. Uma vez por ano, porém, voltamos para recuperar nossa integridade ou para nos fortalecermos com a ilusão de que estamos inteiros."

Hugo não participou da última reunião que teve em Penderris Hall e agora se encontra ansioso pelo reencontro com seus velhos amigos. Com a perda do seu pai, ele se isolou do mundo durante um ano, como uma forma de adiar as responsabilidades que vieram junto com o título de Lorde – que recebeu graças a sua carreira do exército – e o dinheiro que herdou com a morte do seu pai, que era um rico comerciante. Cabe a ele, agora, a responsabilidade de cuidar de sua meia-irmã e de arrumar uma esposa para lhe auxiliar nessa tarefa, além, claro, de produzir um herdeiro, que era o desejo de seu pai. 

Lady Muir é uma viúva que teve um casamento difícil, porém feliz em sua grande parte, ela perdeu seu marido muito cedo, por isso, compreende a dor da perda e quando recebe uma carta de uma antiga amiga que perdeu seu esposo recentemente, parte para Cornualha, para oferecer conforto à mulher nesse momento tão delicado. 

Todavia, sua estadia não é bem o que ela esperava e Gwen logo percebe como os anos pode mudar uma pessoa. Em um certo dia, cansada da situação que está vivendo, ela parte para uma caminhada, porém, acaba se acidentando e é socorrida por Hugo, que a leva para Penderris Hall, com o intuito de lhe oferecer uma ajuda médica. No meio de toda essa zona, Georgia lhe oferece estadia e ela agora terá que conviver com Hugo diariamente e apesar de não ter certeza se gosta ou não dele, ela sente que algo que estava morto dentro dela há muito tempo, enfim, volta a vida. 

Uma proposta e nada mais é um livro incrível, com personagens cativantes e uma premissa de tirar o fôlego. Como comentei anteriormente, esse é o primeiro livro de uma série, então o começo do livro é mais introdutório à vida dos personagens, tanto os principais como os secundários, por isso pode ser que para algumas pessoas o começo se desenvolva de uma maneira mais lenta, o que confesso não aconteceu comigo, pois estava muito ligada a história e aos personagens. 

Gwen é uma mulher bem à frente do seu tempo. Por ter tido um casamento difícil, ela é bem relutante em se casar novamente, todavia, pela primeira vez em sete anos, Gwen sente a solidão do que é viver a vida sem um cônjuge, não que ela não tenha o apoio de sua família, muito pelo contrário, eles foram a sua rocha desde a perda do seu marido até o momento atual em que vive, mas isso não parece bastar. Ela, então, passa a refletir sobre a possibilidade de encontrar um cavalheiro para se casar, um homem tranquilo que lhe passe segurança e conforto, mas a paixão que Hugo desperta nela vai além de tudo o que ela esperava. No entanto, será que vale a pena arriscar seu coração por uma paixão pode ser passageira? 

"Todos nós precisamos ser amados, Gwendoline, de uma forma plena e incondicional. Mesmo quando carregamos o fardo da culpa e acreditamos não merecer amor. A verdade é que ninguém merece. Não sou religioso, mas acredito que é disso que tratam as religiões. Ninguém merece, mas ao mesmo tempo, todos nós somos dignos de amor."

Hugo foi um personagem que desde o começo ganhou meu coração, ele é forte, determinado, teimoso e muito, mas muito fiel a sua família e amigos, e isso foi o que eu mais admirei nele, porque, apesar de ter essa marra de homem durão, ele mostrou no decorrer da história que tudo aquilo não passava de uma máscara para esconder seu verdadeiro eu, um homem sensível que não se encaixa na vida atual que vive, mas que aprendeu a aceitar e fazer dessa situação algo verdadeiramente bom, para si mesmo e para as pessoas que estão a sua volta. 

O romance entre os personagens se desenvolveu bem gradativamente. Um ponto que eu gostaria muito de ressaltar, foi que a autora falou bastante sobre a questão das classes sociais. Como já sabemos, Gwen é uma dama da alta sociedade inglesa e Hugo, apesar de ser agora um homem rico e com título, cresceu sendo uma pessoa de classe média. Na minha opinião, a Mary trabalhou muito bem esse quesito e eu adorei que ambos os personagens aprenderam a amar um ao outros pelo que são. 

"O matrimônio não era apenas o que se passava na cama. E as partes que não se passavam na cama tinham a mesma importância. Era impossível um casamento com Gwendoline. Para ser justo, era impossível para os dois."

Os personagens secundários foram de grande participação na trama, entre eles está Constance, a meia-irmã de Hugo, eu adorei sua personalidade e sua força, ela é uma moça que mostrou ter uma cabeça bem aberta, apesar da tenra idade e eu torci muito por sua felicidade, é uma pena realmente que não tenha um livro sobre ela. Os outros personagens que se destacaram foram, claro, o clube dos sobreviventes, Vicent Hunt, Benedict Harper, Flavian Artnott, Ralph Stockwood, Imogen Hayes e George Crabbe. Não vejo a hora de conhecer a história dos demais personagens, em especial o Vicent e o Flavian. 

"E assim, decisões de grande importância eram tomadas, pensou ela. De forma impulsiva, sem devida consideração. Com o coração, em vez de usar a cabeça. A parti de um impulso sem levar em conta uma vida inteira de experiência e moralidade."

A narrativa é feita em terceira pessoa, pelo ponto de vista de ambos os personagens. A capa é bem bonita e combina bastante com a história, a diagramação é simples, folhas amareladas e letras confortáveis. 

Uma proposta e nada mais é um livro que fala sobre aceitação, amizades e segundas chances. Não apenas em relação ao romance, mas em dar uma segunda chance para a vida, aprender que nem sempre temos o controle da situação e aceitar isso da melhor forma possível. Enfim, esse é livro maravilhoso, com personagens maduros e apaixonantes, uma escrita incrível e um romance de tirar o fôlego.

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Juntando os pedaços - Jennifer Niven

Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca… mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso - até o dia em que ele encontra a Libby. Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.
NIVEN, Jennifer. Juntando os pedaços. Seguinte, 2016. 392 p.


Diversos fatores influenciaram para que Libby Strout ficasse conhecida como A Adolescente Mais Gorda Dos EUA e precisasse ser resgata da sua própria casa num guindaste, mas parece que ninguém enxerga isso. O fato de Libbs ter sofrido bullying, de sua mãe ter morrido do nada e feito-a temer não apenas a morte, como também a vida, não importa.

Agora, 136 quilos mais magra, contudo ainda em cima do peso, Libbs deve enfrentar mais um desafio, talvez o pior de todos se livros e filmes estiverem certo: o ensino médio.

“Não é seguir em frente, Libbs. É continuar de um jeito diferente. É só isso. Levar uma vida diferente. Em um mundo diferente. Com regras diferentes. Nunca vamos deixar aquele mundo para trás. Só vamos criar um novo.”

O primeiro dia já é muito difícil por causa dos olhares e das risadas, e se torna ainda pior quando Jake, um garoto que ela não conhece, a abraça sem ela querer no meio do refeitório, parando apenas quando Libbs o soca na boca e ambos são mandados para a diretoria, sendo ameaçados de expulsão e colocados para participar de uma terapia juntos.

Jake não queria fazer isso, mas ele precisa manter sua imagem, porque entre caça e caçador, não há dúvidas nele do que prefere ser. Ele prefere ser a pessoa que faz merda do que a pessoa que a merda é feita. Ele prefere ser a pessoa que faz bullying do que a pessoa que sofre por bullying, porque ele tem sua própria doença, que esconde de todos, principalmente das pessoas que ama.

Jake Malessin tem prosopagnosia. Ele não consegue gravar a imagem das pessoas na sua mente, nem mesmo da sua família, e utiliza de outros métodos para saber quem é quem. Cabelo, altura, roupa, modo de falar. E ninguém sabe. Até que ele conta para Libby numa carta.

“- Não acho justo punir a Libby por uma coisa que eu causei. Prefiro ser punido por nós dois.
- Você é inacreditável - diz a Libby.
- O que foi?
-Você não pode ser o vilão e o herói.”

O livro me lembrou um pouco Eleanor & Park, por eles se conheceram aos poucos depois que Eleanor/Libby acredita que Park/Jake é um idiota, e se apaixonarem. E tem várias referências a filmes, livros, séries, principalmente Supernatural (que eu sou fã).

Os capítulos são pequenos e passa rápido, alternando-se entre os protagonistas, com algumas voltas ao passado. Eu gostei do livro, mas acho que faltou algo, não podendo ser comparado ao outro livro da autora, Por Lugares Incríveis, que é realmente incrível (ótima piada). Para mim faltou uma profundidade nos personagens, principalmente nos secundários, eu queria saber mais do Dustin, o irmão mais novo do Jake, por exemplo.

“Minha mãe dizia que, às vezes, outra pessoa é o centro das coisas, mas calhou de a gente estar ali. Às vezes, essa pessoa precisa aprender uma lição ou passar por determinada experiência, boa ou ruim, e a gente é só um acessório, como um ator coadjuvante.”

Juntando os pedaços é sobre pegar os seus pedaços, quando você acredita que está arruinado e que nada será como antes, e criar uma nova pessoa, mais maravilhosa ainda do que você já era. É sobre não ser pedaços fragmentados para cada pessoa que você conhece, mas juntar todos eles e formar apenas uma pessoa maravilhosa. É sobre ser você, completamente você, com todos os pedaços que compõe você, sem medo do que os outros irão pensar.

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Conjunto de Séries #24: Legends of Tomorrow


Eu continuo me aventurando pelas séries do catálogo da Netflix e acabo sempre descobrindo algumas tramas que eu gosto bastante de acompanhar. Algumas eu abandono, como já comentei em algumas postagens especiais da coluna (Parte I e Parte II), mas outras, por mais loucas que sejam, têm algo que me prende, e esse foi o caso de Legend of Tomorrow, série original da The CW que já conta com três temporadas, duas delas disponíveis no streaming.

DC's Legends of Tomorrow já começou com uma vantagem comparada às outras séries: seu elenco principal é originário de outras séries da DC, que foi organizado nesse spin-off de Arrow e de Flash. No núcleo principal estão Sarah Lance e Ray Palmer, de Arrow, bem como Leonard Snart (Capitão Frio), seu parceiro Mick Rory (Onde Térmica), Dr. Stein e Jefferson (Nuclear), de Flash, isso sem contar em outros personagens que por vezes aparecem em uma ou outra série. Essa formação é bastante instigante porque dá a oportunidade de trabalhar com outros personagens com muito potencial que tinham apenas um pequeno papel nas outras séries, mas sem espaço para tanto.


Na trama, no ano de 2166, Rip Hunter volta ao passado para tentar juntar um time que possa enfrentar Vandal Savage, um vilão imortal que quase destruiu o mundo. Para isso, ele vai a 2016 selecionar sua equipe, que conta com heróis e bandidos nada convencionais que precisam aprender a trabalhar juntos para salvar o mundo.

É disso mesmo que a série trata: viagem no tempo. À bordo da Waverider, a equipe viajará por diversos momentos da história para tentar deter Savage antes que ele consiga se tornar tão poderoso. Com essa construção, a série se torna dinâmica, não só pela aventura que vem com cada viagem, mas pelo fato de que a série revisita grandes momentos históricos e brinca com as possibilidades das interferências no tempo.


Eu adorei acompanhar a série e, por mais loucos que sejam seus acontecimentos, fiquei tão envolvida que nem vi as duas primeiras temporadas passarem. No início, colocar personagens tão diferentes dentro de uma nave é realmente problemático, mas com o tempo os vínculos se fortalecem e eles se unem por uma causa comum. Mais do que isso, eles se tornam tão amigos que cada um daria a vida pelos outros sem questionar e é lindo de ver isso.

As diferenças entre os personagens também tornam as coisas um pouco mais divertidas. É engraçado ver a implicância e as piadinhas entre eles. Particularmente, gosto desse tipo de humor inserido mesmo nos momentos mais densos da série, que contrabalanceia um pouco e dá outro ritmo aos episódios.

Para quem gosta de viagens espaço/temporal, acredito que vá gostar bastante de acompanhar Legends of Tomorrow. Já aviso que não se trata de uma ficção científica nerd, nada de Star Wars ou Star Trek, é apenas uma história para quem gosta de imaginar um pouco outras possibilidades e fugir da "caixinha", pois criatividade não falta por aqui.

Alguém já assistiu?

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